20 de ago de 2008

LÍNGUA: UMA FORMA DE DISTINÇÃO SOCIAL

"Nós vai trabaiá de cinco hora"

" A gente somos muito sério"

"Fumo passiá sastifeito pá danado"


Um dos aspectos que mais podem identificar a classe social de um indivíduo é a sua linguagem. Através dela, podem se denunciar inúmeros traços que marcam a origem de determinada pessoa. As expressões acima traduzem bem isso. Caso alguém chegasse para uma entrevista de emprego, mesmo para funções que "teoricamente" não exigem a norma culta da língua, com esse linguajar, seria reprovado já na entrevista.
Podemos perceber, então, que os sentidos atribuídos ao que se diz geralmente não são considerados. Desde muitas épocas, usar o padrão culto da língua denuncia a raiz social das pessoas. O Latim Culto era falado por um grupo restrito de pessoas, pela nobreza, em oposição ao Vulgar, empregado pela plebe, certamente a maioria.
É evidente que as situações devem ser consideradas, algumas exigem mais formalidade, outras nem tanto. É notório que as regras gramaticais em muitos casos não chegam a incidir sobre a semântica, caso contrário não entenderíamos as frases postas acima.
O mais importante é saber onde e como fazer uso adequadamente da língua, e os vestibulares já se enquadraram nessa perspectiva, a fim de medir a capacidade de o candidato discriminar as situações comunicativas.
Assim, não se deve dizer "Eu já adentrara a sala de aula, para exercer minhas funções estudantis", se é possível falar simplesmente "Eu já tinha entrado na sala para a aula". Aliás, a formalidade excessiva, além de truncar a comunicação, costuma trazer um outro problema: a redundância. Da mesma maneira, não é interessante, diante de um juiz de direito, falar "Ó seguinte é esse, homem da lei, tô pronto pra responder tudo, pode mandar bala". O mais adequado seria "Estou pronto para responder ao que Vossa Excelência me perguntar".
Em suma, não existe um modelo estático, inflexível. A língua é dinâmica e, por isso, exige que saibamos discriminar a situacionalidade para que haja reciprocidade, marca característica da comunicação, sabendo-se que ela pode definir estereótipos sociais, de acordo com o desempenho do falante.

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