30 de out de 2008

MEU MUNDO E NADA MAIS (Guilherme Arantes)

Quando eu fui ferido
Vi tudo mudar
Das verdades que eu sabia
Só sobraram restos
E eu não esqueci
Toda aquela paz que eu tinha

Eu que tinha tudo
Hoje estou mudo, estou mudado
À meia noite, à meia luz, pensando
Daria tudo por um modo de esquecer
Eu queria tanto
Estar no escuro do meu quarto
À meia noite, à meia luz, sonhando
Daria tudo por meu mundo e nada mais.

Não estou bem certo
Se ainda vou sorrir
Sem um travo de amargura
Como ser mais livre, como ser capaz
De enfrentar um novo dia

Eu que tinha tudo
Hoje estou mudo, estou mudado
À meia noite, à meia luz, pensando
Daria tudo por um modo de esquecer
Eu queria tanto
Estar no escuro do meu quarto
À meia noite, à meia luz, sonhando
Daria tudo por meu mundo e nada mais (BIS).

Discos com essa música: Guilherme Arantes, 1976. SIGLA/SomLivre; Meu Mundo e Tudo Mais ao Vivo, 1991. CBS/Sony; Maioridade, 1997. Globo/Polydor. Ao Vivo, 2000. PlayArte Music. Guilherme Arantes Ao Vivo, 2001. Sony/Epic. Intimidade, 2007. SomLivre/Coaxo de Sapo (BA).

29 de out de 2008

REVISÃO PARA O VESTIBULAR / 2009

Na aula que iniciou a revisão para o Vestibular / 2009 (Redação), ontem à noite, vimos as diferenças entre as tipologias NARRATIVA, DESCRITIVA e DISSERTATIVA, bem como entre CARTA ARGUMENTATIVA e ARTIGO DE OPINIÃO.

Diferenciar os tipos e gêneros textuais é uma tarefa essencial para que se tenha consciência da modalidade de texto que está sendo construída. Vejamos alguns exemplos, diferentes daqueles que foram veiculados no Cursinho:

Trecho narrativo:
O objetivo principal do texto narrativo é relatar os acontecimentos em um determinado cenário, com personagens em ação, movimento. Um texto dessa natureza parte de um episódio central, o que dá substância a várias outras situações. É importante observar os discursos direto, indireto e indireto livre.

Toda a gente tinha achado estranha a maneira como o Capitão Rodrigo Camborá entrara na vida de Santa Fé. Um dia chegou a cavalo, vindo ninguém sabia de onde, com o chapéu de barbicacho puxado para a nuca, a bela cabeça de macho altivamente erguida e aquele seu olhar de gavião que irritava e ao mesmo tempo fascinava as pessoas. Devia andar lá pelo meio da casa dos trinta, montava num alazão, trazia bombachas claras, botas com chilenas de prata e o busto musculoso apertado num dólmã militar azul, com gola vermelha e botões de metal.
Um certo capitão Rodrigo – Érico Veríssimo)

Trecho dissertativo:
A finalidade do texto de natureza dissertativa é expressar uma opinião sobre determinado assunto. Por isso, deve-se apoiar em argumentos consistentes e imparciais, mesmo quando o seu autor é capaz de deixar claro o seu posicionamento.

Vejo o mundo caminhando para um abismo. É preciso que todos os povos se unam, a fim de recuperar o respeito à natureza e ao ser humano, a valorização às coisas mais simples e resgatar o sentimento coletivo, para que todos possam sair ganhando, como se fossem uma única nação.

Trecho descritivo: Descrever é retratar com palavras aquilo que se observou (de forma objetiva) ou aquilo que se imaginou (descrição subjetiva). Desse modo, os adjetivos são valorizados e indicam as características dos substantivos, especificando-os.

Mãos pálidas, suor frio, testa franzida, pernas tremendo. Foi assim que a assustada moça recebeu a visita daquele médico jovem, principiante, ansioso para "decolar" na profissão.

Ainda foi trabalhado o duplo sentido casual e intencional. Este é bastante utilizado nas peças publicitárias.
Houve, em uma certa época, campanha da Topic fazendo alusão à Besta (modelos similares), utilizando-se o sentido mais pejorativo da palavra. A ambigüidade ou duplo sentido foi o recurso estilístico escolhido para causar efeito ao telespectador. Era basicamente assim.

Topic. Como se vê, nosso concorrente é "uma besta". (sentido de tolo, otário, sem expressão).

Mas existem os casos em que a ambigüidade constitui erro na construção do texto, o que compromete muito a sua compreensão. Exemplo:

O professor discutia com o aluno a respeito de sua postura na sala de aula.

Não há como saber se a discussão era sobre a postura do aluno ou do professor. Casos como esses prejudicam muito a avaliação do texto, pois não se sabe a quem é atribuída determinada informação.

TRIBUTO (GUILHERME ARANTES)

Eu queria que você soubesse que pra mim não existe diferença de cor
Tudo que ainda trago no peito engasgado sobre preconceito e "raça superior"
Desde pequeno eu escutava, calado, as façanhas do mito ariano , opressor
Homens na sala , meu tio depositando as armas na estante ,
me enchendo de pavor...
As inocentes piadas infames de negros, judeus, muçulmanos, orientais ,índios e latinos
Como se não fossemos também genes misturados...
Como se não fossemos também discriminados
Mesmo sem saber , mesmo sem querer nem saber ,
Mesmo inconscientemente vivendo numa redoma de ilusão ...
Me feria ver um mundo apartado em guetos
Algo me dizia que eu não via futuro
Favelas , distritos , conflitos , o bairro dos ricos
o ovo da serpente e a semente do mal
Culto ao fascismo , fascínio do nazismo , Hitler , Stalin , Mussolini ,
Franco e Salazar , e todos os tiranos de qualquer lugar...
Fizeram a história aprendida na escola ...
E quase que passou em branco o Quilombo de Palmares , saga de Zumbi,
Aprendemos mais (a) Guerra do Paraguai ,
Chacina , assassinato, nódoa que não sai .
Enquanto isso, Repórter Esso, Martin Luther King
E o rei, Cassius Clay
Eu ví as lutas todas, round por round, nocaute por nocaute
Muhammad Ali ...
Por aqui... era enrustido ...hipocrisia pura - a lenda do povo cordial
Ainda bem que tudo mudou ( e ) tinha que mudar
Meu país – o último da fila da abolição, o primeiro da classe em miscigenação...
Hoje eu consigo entender porque estrangeiros me fazem, sempre, estranhas perguntas :
Where are you from ? - Are you an Afghan ? – Are you from Pakistan ?
E sinto na pele o que querem dizer …
Deve ser a minha herança indígena no sangue , na cara , na pele vermelha
Dourada de sol , o sol do Brasil ,
Onde as mulheres são lindas e tardam a envelhecer...
Eu preciso fazer um tributo a você, a todos os amigos de todas as cores
Que me quiseram bem , que me fizeram ser o que sou
E desprezar a discriminação
Ídolos da minha mocidade foram, são e serão...
Ray Charles , Chuck Berry , Little Richard
Otis Reding ,Jimmy Hendrix , Bob Marley
Stevie Wonder , Marvin Gaye , Sly & the Family Stone ,
Kool and The Gang ..
E por aqui , também , Jorge Ben – ou melhor , Benjor
Milton , Tim Maia , Baden e Gil .

ARANTES, Guilherme. Tributo (Cena de Cinema). in Lótus: SomLivre/Coaxo de Sapo: SP/BA, 2007.

22 de out de 2008

COMO EU QUERIA (CASSILDO SOUZA)

Como eu queria romper esse silêncio
Essa cratera que há entre nós!
Como eu queria dizer a verdade
De uma vez por todas sem maiores traumas!
Como eu queria entender os porquês
Compreender os senãos, desvendar o talvez!
Como eu queria mesmo ser culpado
Para fazer jus a esse injusto castigo!
Como eu queria apagar o passado
E fazer de conta que tudo é de novo!
Como eu queria ser menos sensível,
Menos frágil, intangível!
Como eu queria não ter ingressado
Nessa dimensão sem saber o que era!
Como eu queria ter dito o que quis
Sem nenhum medo, ser bem mais real!
Como eu queria ter visto o sol
Mesmo que já se pusesse!
Como eu queria que tudo que houve
Fosse como eu queria!

MODELOS DE ARTIGO DE OPINIÃO E CARTA ARGUMENTATIVA



MODELO DE ARTIGO DE OPINIÃO



MODELO DE CARTA ARGUMENTATIVA

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE TEXTOS DISSERTATIVOS

O que é um texto dissertativo-argumentativo?

É um texto que tem como base principal a opinião expressa através de argumentos. Os gêneros dessa natureza são os preferidos dos vestibulares. Compreende a DISSERTAÇÃO-ARGUMENTATIVA (que é uma abordagem mais geral), o ARTIGO DE OPINIÃO e A CARTA ARGUMENTATIVA. Os dois últimos passaram a ser bastante utilizados nos processos seletivos e são abordagens mais específicas.Desde 1998, o texto escolhido pelo ENEM é a DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA EM PROSA (ou TEXTO ARGUMENTATIVO, ou, ainda, TEXTO DISSERTATIVO ARGUMENTATIVO).

Qual a diferença entre artigo de opinião e carta argumentativa?

A diferença entre eles, além da estrutural, está na função comunicativa de cada um. Enquanto um artigo é feito pensando-se em vários leitores, sem um direcionamento específico, a carta-argumentativa é produzida com um destinatário certo, conhecido. Por isso, as manifestações da linguagem são diferentes para cada um. A carta constitui uma espécie de diálogo entre emissor e receptor.

Quantos parágrafos deve conter um texto de natureza dissertativa?

A maioria dos alunos acha que um texto de cunho dissertativo só deva ter três parágrafos, o que é erro. Pode ter a partir de três, compondo a estrutura introdução, desenvolvimento e conclusão, mas se considerarmos que o desenvolvimento poderá apresentar mais de um parágrafo, esse número varia. Tudo depende da maneira como o candidato organiza suas idéias na introdução.

Que temas provavelmente cairão na redação do ENEM / 2010 e vestibulares / 2011?

A variedade de temas é muito grande. Algumas universidades tendem a cobrar mais alguns assuntos do que outros. Geralmente, aqueles que interessam à sociedade são os preferidos pelas bancas, especialmente UFRN, UFCG e UFPB. O importante é estar informado sobre tudo e preparado para seja qual for o tema escolhido. A FUVEST, por exemplo, escolhe temas bastante abstratos como a amizade. Nos tópicos deste blog (lado direito) há uma lista de assuntos que podem ser objeto do vestibular / 2011.

Que construções devem ser evitadas no desenvolvimento do texto?

Um dos aspectos avaliados pelos vestibulares é a originalidade do texto. Portanto, devem-se evitar expressões já conhecidas como “Desde os primórdios da humanidade”, “venho por meio desta”, “portanto, concluímos que”. Lembre-se de que o texto é seu e, logo, as palavras devem ser suas.

Qual a importância do título nas redações de vestibular?

Depende muito da banca. Tem-se observado que a falta do título numa DISSERTAÇÃO não influi na avaliação, mas no caso do ARTIGO, o título faz parte da formatação. Se o vestibular exigir o título, coloque-o, pois, nesse caso, a banca considera-o importante para a estrutura do texto. E não confunda TEMA com TÍTULO: enquanto aquele diz, respeito grosso modo, ao assunto, este é atribuído pelo aluno e funciona como um tipo de manchete para o que será tratado.

O que faz zerar a redação no concurso vestibular?

Fugir do tema ou do gênero textual, ou ainda se apresentar totalmente incompreensível. Por exemplo, se é solicitada uma carta argumentativa e o candidato produz um artigo de opinião, a redação não será considerada. Outro erro que faz eliminar o candidato é assinar a DISSERTAÇÃO com nome próprio.

Qual a estratégia mais eficiente para se melhorar em redação?

É quase pretensão dizer que alguém já esgotou as dúvidas em redação. Trata-se de um processo contínuo, em que a leitura é um fator preponderante. Mas essa leitura precisa ser acompanhada de uma prática e deve ser realizada com consciência, pois o mau leitor dificilmente conseguirá ser um bom redator. Tudo precisa começar na escola, desde os primeiros anos de estudo.

Que tipos de texto devem ser lidos?

A variedade de gêneros ajuda muito, mas o conteúdo precisa ser consistente, precisa haver informações úteis e estrutura bem organizada. Podem-se ler textos jornalísticos, literários, charges, quadrinhos, tirinhas, etc. O importante é o contato constante com as palavras.

É errado utilizar exemplos para ilustrar os argumentos?

Não é errado, mas se os exemplos ilustram, eles hão de ser considerados acessórios e não principais. Não deve haver exagero. Encher o texto de exemplos, sem nenhuma relação contextual, prejudica mais do que ajuda na redação. O exagero não pode ser a marca registrada, deve haver equilíbrio, como tudo que se faz em nossa vida.

O que fazer, caso erre uma palavra e queira corrigi-la?

A maioria das universidades orienta que seja riscada a palavra errada e colocada entre parênteses. Em seguida, o aluno deve escrever o vocábulo corrigido. Mas é bom deixar claro que isso não faz tanta diferença assim na hora de se avaliar o texto.

Alguns mitos que precisam ser desfeitos

Alguns candidatos se preocupam mais do que o normal quanto à formatação do texto. Por exemplo, o fato de se esquecer a data numa carta argumentativa ou o título no artigo não prejudica tanto como se pensa, o texto é analisado como um todo e casos desse tipo não influenciam na opinião do aluno.

Outro fator que não deve ser superestimado é a rasura ou letra feia. Para a banca, o importante é haver compreensão e todos sabem da dificuldade que é escrever sob pressão. Não é como pegar a proposta, levar para casa e depois de uns dias entregá-la. Tudo tem de ser naquela hora e isso, é claro, não é uma situação corriqueira.

A expressão "no registro culto da língua" faz os vestibulandos pensarem que devem utilizar as palavras mais complexas do dicionário. Outro pensamento equivocado. Apenas se orienta que o candidato não cometa erros gramaticais e evite coloquialismos. A escolha das palavras é altamente subjetiva, é de autonomia de quem escreve o texto.

Dúvidas respondidas pelo professor de Língua Portuguesa e Redação, Cassildo Souza, autor do blog.

20 de out de 2008

ARTIGO DE OPINIÃO

Esse estranho mundo virtual

Por Cassildo Souza

Uma das coisas que mais me incomodam hoje em dia (e acredito que a muitas outras pessoas, também) é o fato de estarmos constantemente sendo vigiados. Ser reservado, no Terceiro Milênio, pouco depende de nossa vontade, pois em todos os locais parecem existir espiões, ocultos nos sites de relacionamentos e mensagens instantâneas, por via da Internet. É um dos pontos negativos da era digital.
Na conjuntura atual, não podemos garantir quando a nossa conversa está sendo desenvolvida com sigilo. Com a idade virtual, ficou muito mais vulnerável estabelecer contato. Tudo é tranqüilamente registrado, sem que possamos perceber ou impedir. Hackers invadem sistemas dos computadores, deliberadamente, no intuito de controlarem o que está sendo veiculado, muito mais com intenções criminosas do que por simples curiosidade. A vida pessoal pode, em alguns acasos, tornar-se pública para um número indefinido de usuários.
Já ouvimos falar inúmeras vezes em amantes que, desenganados com o fim de um namoro, publicaram fotos não-autorizadas na rede e acabaram por difamar a imagem de determinada pessoa que nada pôde fazer para evitar um constrangimento sem limites. Em tais situações, a vítima dessa prática só vem a saber do acontecido por último, quando toda uma comunidade já teve acesso a sua vida "privada". E não são poucos os casos dessa natureza.
Mas coisas muito piores podem ocorrer. Em compras pela Internet, por exemplo, o usuário está sujeito a ter o seu cartão de crédito clonado e depois responder na Justiça por atos que não tenha cometido, passando por todo um processo até provar que foi vítima de um golpe. Dificilmente se consegue localizar o criminoso, o qual continua a agir, "quebrando sigilos" pessoais e causando "dor de cabeça" a muita gente.
Não quero aqui, jamais, negar aos benefícios que a tecnologia nos proporciona. Mas é fato que o preço que se paga é caro, se levarmos em conta os aspectos discutidos acima. A era digital deve ser objeto facilitador das nossas vidas, deve nos ajudar a resolver problemas cotidianos, como por exemplo o envio de um arquivo para o professor de uma universidade ou a comunicação instantânea entre parentes que não se encontram há muito tempo. O que vemos hoje é uma liberdade que ultrapassa os limites, permitindo que nossas forças e fraquezas estejam expostas, sem nenhum escudo.

16 de out de 2008

ENTRE TANTAS OUTRAS COISAS, SER PROFESSOR....

Por Cassildo Souza


Dia 15 de outubro. Dia do Professor. Essa data deveria representar um marco no avanço de nosso país, levando em conta que é a educação o elemento norteador do desenvolvimento de qualquer Estado. Mas não quero aqui falar sobre esses traumas. Prefiro refletir sobre outras coisas, sem aquele discurso político-social, luta de classes e coisas afins. O que é ser professor, na acepção mais abrangente da palavra?

Ser professor não é status, é "chamado", é dom, é vocação. Não está ligado, necessariamente, à quantidade de títulos que uma pessoa conquistou ao longo da vida acadêmica. Isso, infelizmente, nem sempre garante ao profissional a aptidão necessária para uma função tão nobre. Ser professor é ver as necessidades do aluno, transcendendo conteúdos programáticos e estáticos que nos tentam inculcar, muitas vezes esquecendo-se das situações cotidianas, extremamente dinâmicas e que requerem capacidade de ser flexível, dadas as particularidades de cada estudante.

Ser professor é ser o exemplo, o espelho, o modelo. E, de novo, ultrapassam-se as barreiras dos conteúdos específicos de determinada disciplina. O exemplo parte da vida pessoal, das opiniões expressas, da maneira como se reage, enfim, das práticas diárias que servem de referência para seus alunos. Se um docente não cumpre seus horários e não é pontual em suas atividades, não pode cobrar a mesma postura de seus discípulos. Quem se aventura nos caminhos do ensino deve refletir sobre essas questões e buscar, ao longo da trajetória, atingir esse nível que considero ser a excelência.

Ser professor é ser crítico, é não se deixar levar pelas impressões pessoais ao analisar um problema. É ser cidadão consciente, para que se possa exigir a consciência estudantil. É ter a hombridade de reconhecer o erro, considerando que a ninguém foi dado o direito de não errar. É ter a humildade de ouvir, de dar aos alunos a oportunidade de compartilhar suas experiências que, em várias ocasiões, chegam a surpreender. É, finalmente, ser imparcial.

Mas ser professor, além de tudo isso, também não pode acontecer satisfatoriamente sem a qualificação técnica. Agora, sim, falo dos conteúdos. Nesse caso, temos de considerar o equilíbrio, a regularidade dos inúmeros predicados necessários para exercer esse "chamado". Não adianta ser compreensivo, afetivo, conciliador, se não houver o conhecimento sobre aquilo que será ensinado. Por outro lado, não adianta ter preparação acadêmica se não houver o lado humano, em primeiro lugar, se não existir o devido respeito às peculiaridades do público-alvo. Ou seja, ser professor é ser complexo e procurar entender as complexidades dos diferentes mundos instalados nas cabeças dos discentes.

Procuro um dia enquadrar-me nos pré-requisitos. Não desejo que vejam em mim um pregador daquilo que não cumprirei. Os espelhos estão por toda a parte e servem também a nós, professores menos experientes, que tendem a "escorregar" mais do que aqueles que já traçam esse caminho há mais tempo. A estrada não é fácil, e nem poderia ser. Mas o desejo de ver um mundo melhor deve começar por aí. Afinal, nossos descendentes dependerão de tudo o que plantarmos agora e, sinceramente, não gostaria de ver um filho meu sendo orientado por alguém que não faz de seu magistério uma atividade digna.

13 de out de 2008

Hoje, amanhã e sempre (Cassildo Souza)

Hoje, Amanhã e Sempre

Hoje é tempo para amar
Amanhar para sorrir
Hoje é tempo de acertar
Amanhã, de corrigir.

Hoje é mais do que real
Hoje é tudo que se pode
Amanhã é o ideal
Amanhã é casual.

Amanhã, espero tudo
Hoje tenho que agir
Amanhã posso ser mudo
Hoje, não posso fugir.

Amanhã é todo sonho
Hoje é dia de ação
Amanhã eu só suponho
Hoje é realização.

Hoje é mais do que repleto
Abstrato é amanhã
Incertezas por completo
Hoje é símbolo do concreto.

Mas, hoje é pra se cair
Amanhã se reerguer
Hoje é de compreender
Amanhã de ressurgir.

Hoje é pra se construir
Amanhã se renovar
Hoje é hora de rugir
Amanhã de se acalmar.

E pra sempre assim será
O dilema haverá
O amanhã é a teoria
Do que o hoje encontrará.

Civilização (Cassildo Souza)

Aparentes ilusões
Alimentam nossas vidas
Sofridas, bem vividas, engrandecidas
Numa simples folha seca, que vai ao chão.
Somos muitos em pouco espaço
No compasso dessa rotação,
Lunáticos, terrenos, serenos ou não
Somos um complexo, o universo,
Somos a criação, a solução, a confusão
Somos os atores, inventores,
Sem temores, com amores, com ou sem escuridão.
Somos tantos, em vários cantos.
Na esquina da mais temível calada
Estamos firmes, errôneos, certeiros,
Corriqueiros, flutuantes marinheiros
Em busca da total perfeição.

8 de out de 2008

PROPOSTA DE REDAÇÃO I


Contradições de um mundo “moderno”

Por Cassildo Souza

O Brasil e o mundo têm assistido a inúmeros desastres ambientais nos últimos meses. Na verdade, há algum tempo, a saúde da natureza preocupa no Planeta Terra, que depende dela para sobreviver. Vez por outra, são noticiados casos de mortes de animais, derretimento de geleiras e focos de incêndios nas matas.
O que fazer para conter esses fenômenos inexplicáveis? Ou serão explicáveis? Sim. O homem abandonou o que tem de mais precioso, que são a fauna, a flora, os mananciais, para viver de virtualidades, comprometendo a Terra com os gases poluentes que as indústrias emitem sob o pretexto do progresso. Progredir significa caminhar para frente, avançar, criar meios de sustentação sem agredir o habitat. Isso não está sendo feito atualmente, é uma verdadeira contradição.
Enquanto o homem procura conforto agindo de maneira impensada, a natureza responde e o mundo padece. Não acontecem por acaso, por exemplo, os incêndios nas matas de vários países. Na verdade, o superaquecimento provocado pelo efeito estufa acaba por contribuir para que o equilíbrio ambiental esteja completamente ameaçado, o que, numa espécie de “dominó”, acaba atingindo os seres humanos, ou seja, o efeito colateral é sempre bem maior.
Precisamos mudar a nossa mentalidade enquanto ainda resta esperança. Mas o discurso só passa a ter sentido com a prática efetiva, com a consciência cidadã. Colocar lixo nas ruas é uma coisa que já poderia deixar de acontecer, mas essa mudança precisa partir de nós, com ações concretas e com o pensamento de que no futuro nossos descendentes poderão não sobreviver às bobagens que estamos cometendo agora. Assim, esperamos que, pelo menos, diminua a “ferida” que cresce assustadoramente em nosso ecossistema, pois isso é o que mais se opõe à palavra “progresso”.


Com base no artigo acima, escreva um artigo de opinião abordando a destruição contínua da natureza pelo homem, que não se conscientizou ainda do perigo que o Planeta corre por causa de atos de irresponsabilidade que agridem o meio ambiente. Assine-o com o pseudônimo Súplica da Natura.



INSTRUÇÕES:


Þ Escreva seu texto respeitando os seguintes espaços mínimos: 2 cm de margem direita; 3 cm esquerda; 5 cm de margem inferior; 3 cm de margem superior;
Þ Evite, ao máximo, rasuras;
Þ Serão analisados os seguintes aspectos: emprego adequado da norma culta; análise correta e coerente do tema proposto; aspectos coesivos;

6 de out de 2008

SERENO (CASSILDO SOUZA)

Amplo, sem me desmedir
Entro sem me atingir
Fáceis de se diluir
São pensamentos que vagueiam.

Templos, que vierem a mim
Campos em que eu ande sem fim
Antes de tudo, distanciar do fim
Em trilhas que me norteiam.

Vasto como um ser em êxtase
Coisas sem importância deixam-se
Ações que me venham, mexam-se
Pois as superficialidades fecham-se.

Misto de experiências vividas
Misturas das varias minhas vidas
Loucuras temporárias descabidas
No final boas coisas exercidas.

Conclusão: variação de meu sistema
Me vindo com certeza ou dilema,
Estando em risco ou situação amena,
Quero ver e cruzar a via serena.

TEMPOS OPOSTOS (CASSILDO SOUZA)

Você me despiu
Do frio que me cobriu
Do arrepio que me tragou
Me enrolou, aqueceu meu viver
O meu ego se mudou.

Você me partiu
Quando fingiu que não ouviu
O grito que penetrou
Me apunhalou, sem querer
Muitas marcas me acertou.

E o mundo todo viu
O universo inteiro assistiu
Ao tiro que arrasou
Estourou, a estremecer
E, de vez, me transformou.

O DRAMA DO ERRO (CASSILDO SOUZA)

O trauma do erro tem me perseguido
O que será mesmo que é certo?
É certo o errado que pregam,
É errado o que querem ter como certo?
Ao certo, ninguém sabe a resposta
Errado é pensar que há definição
Certo mesmo, é que há uma vida
Cheia de erros, acertos, indecisões
Errado mesmo é pensar que os amores
Estão escondidos dentro de uma escuridão.
O limite extremo entre o equívoco e a correção
É bem mais estreito do que erradamente se pensa
Há bem mais efeito no certo,
Mas muito mais fácil é errar
E conciliar as bordas desses dois gumes
É arriscar-se ao corte na faca
Traiçoeira do erro da imprevisível vida.

2 de out de 2008

ORTOGRAFIA VERSADA (CASSILDO SOUZA)

O acordo ortográfico
Já passou a vigorar
Se vai ser bom ou ruim
É certo atualizar
Entender as novas regras
Para se adaptar.

VOO não tem mais acento
Sua família também
DELINQUENTE é sem o trema
A pronúncia se mantém
Dáblio, Cá e ipsílon (W, K, Y)
Para o Alfabeto vêm.

PELO não traz mais sinal
POLO e PARA também não
Independente do caso
Verbo ou preposição
O mesmo ocorre com PERA
Nessa nova convenção.

CREEM, LEEM, DEEM, VEEM
Perderão o circunflexo
Não se altera o sentido
Tudo é menos complexo
O que vale é entender
Se as palavras têm nexo.

E nos ditongos abertos
Após detalhado estudo
Como PLATEIA e HEROICO
Não haverá mais o agudo
Somente paroxítonas
Regra não abrange tudo.

“U”ou “I” se forem tônicos
Com ditongo antecedente
Palavra será grafada
Hoje diferentemente
Como o caso de FEIURA
Sem acento, certamente.

Nos nomes que são compostos
Como ULTRASSONOGRAFIA
Se o segundo elemento
Com “S” ou “R” inicia
Não se grafará o hífen
Como antes se previa.

Mas se o primeiro elemento
É terminado com “R”
O hífen será grafado
Para que você não erre
Como em INTER-RELAÇÃO
E a discussão se encerre.

Outras mudanças serão
Igualmente incorporadas
Palavras do tipo HÚMIDO
E HERVA serão grafadas
Sem o “H”, que é mudo
regras aqui já mudadas.

É a padronização
Da língua que nós falamos
Contudo, Língua é Povo
Somos nós que alteramos
Vamos ver se isso “cola”
Ansiosos aguardamos.