19 de ago de 2009

LEI ANTIFUMO - UM PASSO PARA O AVANÇO

Cassildo Souza
Aprovada em São Paulo, a lei que proíbe as pessoas fumarem em locais fechados de uso coletivo poderia ensaiar mais uma polêmica no cenário das discussões do Brasil, como no caso da "Lei Seca". No entanto, o que se observa nos primeiros dias de sua atuação, diferente daquele outro dispositivo, são pessoas que, no geral, a receberam satisfatoriamente. Seria uma denúncia de a população estar conscientizando-se?
Todos são livres para fazerem o que quiser com suas vidas, inclusive morrer com o pulmão manchado. No entanto, a Lei visa a um favorecimento coletivo, pois não há nada mais deplorável do que ficar recebendo fumaça dos outros. Mesmo em locais abertos, para quem não é fumante ativo, representa um incômodo terrível aquele cheiro sufocante do resíduo que volta depois de uma tragada. Ninguém é obrigado a passar por isso. Nesse aspecto, vislumbro um passo adiante na luta contra os efeitos desse passatempo nada convidativo.
Sem querer, acabam-se beneficiando também os contrários à norma, que, felizmente, são minoria. Se o hábito de fumar é restringido, gradativamente vai-se criando um controle, uma freqüência menor. Por conseqüência, alguns podem repensar se essa atitude favorece a sua saúde e, de repente, até tentar livrar-se espontânea e completamente. Nesse sentido, a Lei, que possui caráter altamente social e coletivo, acaba também atingindo objetivos individuais ainda que não seja a sua inicial preocupação e, por isso, merece ser congratulada.
Medidas como essa são de uma importância enorme, num país onde a saúde é tema corriqueiro. Se podemos mudar hábitos para não contrairmos a dengue e a gripe suína, por que devemos continuar num erro que só pode levar senão à morte, a doenças muito graves? Não é à toa que, segundo o site http://www.leiantifumo.sp.gov.br/ (portal criado pelo Governo de São Paulo para tecer informações), 88% das pessoas são adeptas da Lei. É claro que é preciso cuidado para não desrespeitar a individualidade alheia, mas a consciência coletiva parece ser um aliado na tentativa de tornar os ambientes fechados e coletivos cada vez mais agradáveis e cada vez menos responsáveis pela propagação de doenças. Isso é avanço, e avançar nunca será ilícito.

Um comentário:

isa disse...

Perfeito , nem tem o que questionar haha