29 de jan de 2009

ESTRANHAS CONVERSAS INFORMAIS SEM MUITO NEXO ENTRE CASSILDO, THÉO E ERLEILSON (AUSENTE) EM LOCAL DE IDENTIFICAÇÃO IGNORADA E SEM OBJETIVO APARENTE

2º ATALHO

Théo: É, meu livrinho finalmente vai sair. Chama-se Pequeno Manual Prático de Coisas Inúteis. É um trabalho de uns dez anos. Estou bem feliz por isso. Eu realmente trabalhei nesse projeto.

Cassildo: Que capa massa, meu! É um livro com diagramação pra ninguém botar defeito. Muito bem elaborado, bem acabado. Muito bacana mesmo. Pô, eu fico orgulhoso de ser da geração de vocês. A gente tem de valorizar isso.

Théo:
É verdade. Mas parece que aqui em Currais Novos, os colegas geralmente nos apóiam. Wescley, Iara, Luciana, entre outros, sempre têm essa cumplicidade poética. Ficam felizes em ver os outros conquistarem as coisas.

Cassildo:
O melhor de tudo é que eu estou vendo que esse livro é muito bom. Criativo, sem apelações. E vai ser lançado por uma editora, sem ser através de concurso literário. Os caras se interessaram pelo conteúdo. Isso valoriza bastante. Fico realmente feliz por ti, cara. Muito original.

Théo
: O lançamento vai ser terça-feira, dia 03. Vai ter um coquetel, não sei ainda todos os detalhes. Sei que a gente vai lá, tentar mostrar alguma coisa.

Cassildo:
Muito legal. Você tem que realmente se orgulhar desse trabalho. Passar dez anos construindo um projeto desses demonstra o valor do trabalho. Isso acontece com os grandes escritores, como Ariano Suassuna, que há vinte anos escreve um romance. É claro que ele escreve a mão, como uma resistência ao computador.

Théo:
É. As coisas surgem espontaneamente, então, nunca sabemos quando estaremos inspirados. Não acredito muito nessas coisas que são "fabricadas" rapidamente.

Cassildo:
Concordo. Agora preciso ir. Depois eu passo aqui novamente. Quero saber os detalhes do livro e, é claro, ser contemplado com um exemplar (risos). Um abraço, irmão.

Théo:
Valeu, meu velho!

28 de jan de 2009

ESTRANHAS CONVERSAS INFORMAIS SEM MUITO NEXO ENTRE CASSILDO, THÉO E ERLEILSON NUM LOCAL DE IDENTIFICAÇÃO IGNORADA, SEM OBJETIVO APARENTE

Por Cassildo Souza

1º ATALHO

Cassildo: Negão, a cada dia fico decepcionado com as pessoas. Não posso dizer de todos, mas há bando de gente irresponsável fingindo ser educador. É um negócio impressionante. Não cumprem as obrigações com os funcionários.

Erleilson: O pior é que eles não querem pagar bem e mesmo não pagando bem, ainda assim atrasam. Hoje em dia eu nem me empolgo mais pra ensinar em certos lugares. Vê Santa Cruz, uma cidade menor do que a nossa, o povo lá sempre paga em dia. Tem problema como em todo canto, mas pelo menos respeita o cara. Não é não, Théo?

Théo: É verdade. E o bom é que lá eu nem esperava receber 13º e o mês de janeiro, porque ainda não havia nada formalizado e já estava de férias. Mas recebi. Me ligaram de Santa Cruz dizendo que tinham depositado o dinheiro. Eu fiquei surpreso. Demonstrou respeito e compromisso.

Cassildo: Eu continuo dizendo que a distância entre escola pública e particular é cada vez menor. Os caras que se cuidem. Se todos os profissionais da educação pública tivessem compromisso com sua função de educador, o negócio seria outro. A mim, eles não enganam mais. Eu posso até fingir que estou sendo enganado.

Erleilson: Eu acho que a gente tem de saber filtrar onde é melhor pra trabalhar. O meu tempo de trabalhar de graça já passou faz tempo. Eu quero, por enquanto, permanecer em Santa Cruz, no Estado e na UFRN.

Cassildo: Só sei que não morro mais de fome dessa idade. Não vou me matar por ninguém. O meu compromisso nunca foi com dono de escola. Sempre foi com os meus alunos. São eles o meu alvo, quem quiser que faça diferente. Se o diretor tiver sua clientela como meta principal, aí eu automaticamente passo a ter compromisso com ele. Caso contrário, não tenho nenhuma obrigação de agradá-lo e prejudicar meus alunos.

Théo: Agora, tem outro detalhe: a cobrança que eles fazem. Querem tudo certinho, nos prazos, mas na verdade nem sempre cumprem os seus prazos. Eu entendo que todos devem ter direitos e deveres, porque se não fica muito complicado. Você cobra, mas não faz.

Cassildo
: O mais importante é que a gente cumpra as obrigações e não aprenda com certos "profissionais". Eu não quero ter um monte deles como espelho. Mas é claro que nem todo mundo é assim. A prova é o colégio lá de Santa Cruz. Aqui também tem estabelecimentos sérios.

Erleilson:
Homem, vamos falar no Vasco, que é melhor.

Théo:
É melhor falar no Corínthians, que está voltando à primeira divisão. O Vasco caiu pra segunda.

CRISE DE NARCISISMO

Chega a me impressionar como algumas pessoas atribuem a si próprias os resultados considerados positivos. No contexto de mundo em que vivemos, ninguém se furta o direito de se auto intitular onipotente, infalível, incapaz de cometer erros. Isso pode ser observado, com especial atenção, na grande mídia, tanto por parte de alguns artistas como por pessoas comuns que participam dos chamados “reality shows”.

Parece que isso é a nova ordem mundial. As pessoas têm confundido muito, recentemente, marketing com narcisismo, consideram que marketing pessoal é entender-se o melhor na sua área de atuação, como se os outros não fossem importantes ou não existisse trabalho em equipe, mas apenas o mérito individual. Individualismo é um termo bastante praticado nessas épocas e não o vejo com bons olhos. A situação em que o mundo se encontra explica a minha repugnância a tal comportamento.

Preocupa-me muito o fato de que os chamados “ídolos” sejam tidos como verdadeiros espelhos e, em sua maioria, transmitam a idéia de irreverência que pode ser encarada como uma característica comum e até mesmo necessária para que se consiga ter sucesso em alguma coisa. O problema é que de repente o que era certo virou errado e vice-versa. Algumas pessoas, para se dizerem modernas, acabam adotando maneiras questionáveis de ser viver, não por alguma ideologia, mas para serem diferentes. E, pior de tudo: equivocadamente diferentes.

Devemos prestar mais atenção nas gerações que se avizinham para que elas não caiam no mesmo erro. Não podemos achar comum um adolescente que se considere melhor do que os outros somente porque seu pai possui um bom emprego e se esforça para mantê-lo numa escola de qualidade. Ou porque mora em um apartamento situado em área nobre e por isso entende que é dotado de uma superioridade inabalável. No contexto desse mundo, a parceria constitui-se numa das maneiras mais originais de salvar o que ainda resta de caráter no planeta Terra.

27 de jan de 2009

REUNIÃO PEDAGÓGICA DO CEDAP 2009

A reunião pedagógica do CEDAP para o ano letivo 2009 aconteceu dia 24-01-2009 (sábado), na Granja de Cuíca, em Santa Cruz, sob a Coordenação do Diretor Reinaldo Santos. Mesmo não fazendo parte da equipe de professores da escola (atuarei somente no Isolado de Língua Portuguesa) fui convidado e, com imensa honra, participei das atividades previstas na pauta da reunião. Foi um encontro marcante, com muitos depoimentos a respeito da educação, reflexões maduras e não-utópicas sobre o que se espera em 2009. Senti-me muito lisonjeado em ter ido lá, onde estiveram praticamente todos os docentes da escola.
Sem contar Jorian (Física) e Luciana (Língua Portuguesa), que se integram ao time este ano, estiveram presentes: Admilson (Geografia), Carla (Química), Duirges (Inglês), Eliandro (Física), Lourdes (Biologia), Théo (Literatura) e sua esposa Larissa, além dos outros profissionais: Andréa (Secretaria), Elineuza (Apoio) e D. Joana (Secretaria).
Tenho a plena certeza de que é um dos melhores elencos de professores que o CEDAP já possuiu e isso, certamente, deverá fazer a diferença no processo de ensino-aprendizagem.
Por isso, não poderia deixar de registrar esse momento tão especial.
Voltamos eu, Luciana e Duirges de forma antecipada, após as 14h30.
O ano letivo CEDAP começou ontem, 26-01-2009, para a 3ª série.

Cassildo, 27-01-2009.

26 de jan de 2009

O QUE SERIA ESCREVER?

Nada complementa mais o ser humano, em minha ótica, do que escrever expressando aquilo que se sente. Considero não ser privilégio dos poetas, mas de qualquer pessoa que sinta a necessidade de exteriorizar seus êxtases, suas cóleras, suas revoltas, enfim, suas sensações. Não me furto de fazê-lo, por mais que eu não seja um grande escritor. Aliás, talvez eu nem seja escritor de coisa nenhuma, nem grande nem pequeno, pois entendo que isso deva ser não uma condição, mas um estado, um momento. Todos têm seu momento-poesia.

Baseado nisso, há muito deixei de ser um poeta ou escritor frustrado para ser uma pessoa comum. Admiradora de quem faz da arte de escrever também um refúgio. Eu tenho utilizado muito esse espaço que serve de alento aos corações feridos. Mas também posso utilizá-lo para expressar as alegrias que determinados momentos nos proporcionam. Se fazendo isso, não serei considerado um poeta (na acepção convencional que adotamos), também não serei colocado tão distante deles assim. De vez em quando, estou poeta e é isso que importa.

Corro o risco de não ter ninguém para apreciar as minhas poesias. Também não importa mais. Quem disse que é preciso haver quem as aprecie? O fato de funcionar como solução para resolver as contrariedades diárias já se constitui numa de suas funções. Além disso, eu mesmo posso fingir que sou outra pessoa e começar a admirá-las. Farei um jogo comigo mesmo. É que, bem ou mal, eu escrevo, isso é uma constatação. Se a poesia é espontânea, ninguém pode ser culpado de não atingir um nível de excelência como escritor. Mas poderá sentar na cadeira dos réus, caso se esquive de exprimir aquilo que seu coração comunica e que necessita ser extraído de qualquer maneira.

Cassildo, 26 de janeiro de 2009.

REFORMA ORTOGRÁFICA

Tenho insistido bastante nesse assunto, como podem observar. O fato é que quando começaram a surgir as notícias de que o Acordo Ortográfico fora aprovado, preocupei-me, como professor de Língua Portuguesa (como o fez outros, caso de Théo Alves), em atualizar-me e tentar instruir da melhor maneira possível.
Como ele passou a vigorar a partir de 1º de janeiro último, republico dez estrofes em sextilhas (modalidade dos repentistas) que trata das principais mudanças:


O acordo ortográfico
Já passou a vigorar
Se vai ser bom ou ruim
É certo atualizar
Entender as novas regras
Para se adaptar.

VOO não tem mais acento
Sua família também
DELINQUENTE é sem o trema
A pronúncia se mantém
Dáblio, Cá e ipsílon (W, K, Y)
Para o Alfabeto vêm.

PELO não traz mais sinal
POLO e PARA também não
Independente do caso
Verbo ou preposição
O mesmo ocorre com PERA
Nessa nova convenção.

CREEM, LEEM, DEEM, VEEM
Perderão o circunflexo
Não se altera o sentido
Tudo é menos complexo
O que vale é entender
Se as palavras têm nexo.

E nos ditongos abertos
Após detalhado estudo
Como PLATEIA e HEROICO
Não haverá mais o agudo
Somente paroxítonas
Regra não abrange tudo.

“U”ou “I” se forem tônicos
Com ditongo antecedente
Palavra será grafada
Hoje diferentemente
Como o caso de FEIURA
Sem acento, certamente.

Nos nomes que são compostos
Como ULTRASSONOGRAFIA
Se o segundo elemento
Com “S” ou “R” inicia
Não se grafará o hífen
Como antes se previa.

Mas se o primeiro elemento
É terminado com “R”
O hífen será grafado
Para que você não erre
Como em INTER-RELAÇÃO
E a discussão se encerre.

Outras mudanças serão
Igualmente incorporadas
Palavras do tipo HÚMIDO
E HERVA serão grafadas
Sem o “H”, que é mudo
regras aqui já mudadas.

É a padronização
Da língua que nós falamos
Contudo, Língua é Povo
Somos nós que alteramos
Vamos ver se isso “cola”
Ansiosos aguardamos.

À procura dos sentidos (Cassildo Souza)

Vou em busca do mundo
Pois ainda não o vi,
Não sei que cor ele é.
Vou em paz,trilhando a pé,
Sentindo o chão.
Vou ouvindo o seu som
Natural, em qualquer tom.
Vou falar aos seus lugares
Pronunciar suas trilhas
Vou inalar seu aroma
Indefinido, mas familiar
Talvez por eu já conhecê-lo,
Mesmo que não lembre
Mesmo que não sonhe
Embora adormecido.

23 de jan de 2009

BARACK OBAMA: FATO HISTÓRICO E EXPECTATIVA

Por Cassildo Gomes Rodrigues de Souza


20 de janeiro de 2009. Após vencer a disputa presidencial com o Republicano John Maccain, em novembro passado, finalmente o primeiro negro da história chega ao posto mais elevado da política americana. A posse de Barack Obama parou o mundo por alguns minutos e gerou uma expectativa que pouco se observou em relação aos outros Presidentes. Além de sua origem, certamente a crise que aflige o mundo foi um fator que valorizou por demais esse momento solene.

Passadas as pompas, é hora de voltarmos à realidade. Obama não terá descanso caso queira concretizar os seus compromissos de campanha. Quando um Presidente assume os Estados Unidos, passa a dever satisfação não somente ao povo de seu país, mas ao mundo inteiro, que tem como base a economia daquela nação. É a partir do que acontece na América do Norte, que os demais continentes caminham. Dado que o governo Bush fosse, no mínimo, questionável, Infelizmente o mundo não tem caminhado corretamente.

A responsabilidade que parece perseguir o novo personagem da política mundial explica-se muito também pela sua origem. Obama faz parte de uma classe historicamente marcada pela discriminação, pelos direitos não respeitados. O mundo todo está em sua volta, e não nos enganemos que, qualquer passo errado, todos poderão cair sobre ele. É como se, por ser de origem desfavorecida, ele tivesse obrigação de acertar maior do que os outros, caso contrário não haverá uma segunda chance. Esse é um aspecto importante a ser observado e do qual no Presidente recém-empossado não pode se descuidar.

Entramos inevitavelmente em uma nova era. Independentemente do que aconteça nos próximos quatro anos, o fato de Obama ter assumido a Presidência americana por si só é histórico. Daqui a vinte ou trinta anos, estará registrado nos livros didáticos o dia em que um negro parou o mundo. Mas isso poderá ser maculado, caso também esteja estampado nos anais da história que ele não cumpriu as promessas de mundo melhor tão exploradas em sua concorrida campanha. Por isso, os atos novo Chefe de Estado Americano serão vigiados por todos: por aqueles que esperam seu sucesso e pelos que torcem pelo seu fracasso.

20 de jan de 2009

CLUBE DA ESQUINA II (Milton Nascimento/Lô Borges/Márcio Borges)

"Por que se chamava moço
Também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, aço, aço....

Por que se chamava homem
Também se chamava sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases
lacrimogênios
Ficam calmos, calmos

E lá se vai mais um dia

E basta contar compasso
e basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração
Na curva de um rio, rio...

E o Rio de asfalto e gente
Entorna pelas ladeiras
Entope o meio fio
Esquina mais de um milhão
Quero ver então a gente,
gente, gente..."

19 de jan de 2009

ALGUNS VÍCIOS DE LINGUAGEM QUE COMETEMOS NO DIA-A-DIA

Os vícios de linguagem são de diversas naturezas e podem começar na linguagem falada, estendendo-se à linguagem escrita. É importante afirmar que não se deve adotar uma postura muito rigorosa, pois numa conversa informal, não há necessidade de demonstrar o conhecimento lingüístico típico do registro escrito. Tais vícios são imperdoáveis quando se inserirem num em determinadas situações que exigem a utilização específica da norma culta. Numa conversa entre amigos, porém, o rigor absoluto pode significar arrogância ou prepotência. Vejamos os casos:

I - Ambigüidade ou duplo sentido
Fenômeno que dá margem a mais de uma interpretação:

1. O julgamento do professor ocorrerá amanhã.
2. A cachorra da minha sogra não sai de casa.

Na primeira oração, não sabe se o professor será julgador (componente de júri popular, por exemplo) ou se ele será julgado; na segunda, não se sabe se a referência é sobre a cadela pertencente à sogra ou se, de forma pejorativa, chama-se à sogra de "cachorra".

II - Barbarismo
Grafia ou pronúncia inadequada ao padrão culto da língua.

rúbrica, previlégio, reinvindicação, necrópsia.

A palavra correta é rubrica e não rúbrica (não há acento, a palavra é paroxítona); a palavra certa é privilégio e não previlégio; reivindicação só possui um "n"; necropsia é a forma adequada, não existe necrópsia (diferentemente, ambas as formas biópsia e biopsia estão corretas; possuem dupla prosódia).

III - Cacófato
Indica uma formação sonora desagradável, com palavrões ou repartição excessiva de uma estrutura fonética.

1. Já está pronto o álbum da Maria. Não percebemos como estava a boca dela.
2. Conforme afirma o FMI, a queda não foi tão grave assim.
3. Ele me jogou na cara que sempre me ajudou.

Na primeira e terceiras orações, a audição é desagradável, pelas formações bum - da Maria e me jo - gou, e na segunda oração, existe o excesso do fonema /f/.

IV - Solecismo
Falha de natureza sintática.

1. Mudou muitas coisas esses anos.
2. Obedecia ela no passado, agora é diferente.

Na oração n.º 1, há um erro de concordância verbal. A forma mudou deveria ser mudaram, para concordar com o sujeito muitas coisas; Na segunda oração, o verbo obedecer exige objeto indireto, portanto, deveria ser complementado com o pronome-objeto lhe. Além disso, o pronome ela, por ser sujeito, não pode complementar verbo.

V - Redundância ou Pleonasmo Vicioso
Repetição desnecessária, tendo em vista palavras já citadas ou subentendidas.

Em minha opinião pessoal, acho que vou manter o mesmo grupo.
Sem comentários.
Um forte abraço.
Cassildo Souza.

16 de jan de 2009

QUESTÕES DO CEFET/RN CONFUNDEM CANDIDATOS

A prova do CEFET/RN, realizada no último domingo, 11-01-2009, para Técnico de Nível subseqüente trouxe questões muito ambíguas e uma delas, no meu ponto de vista, está com o gabarito equivocado. Vejamos:

2 – CEFET/RN – TÉC. SUBSEQÜENTE 2009 – Em relação ao primeiro parágrafo do texto, é correto afirmar:
a) O pronome elas foi utilizado duas vezes para que a legibilidade do texto não ficasse comprometida.
b) A utilização do pronome elas, nas duas orações, é desnecessária, uma vez que não coopera, de forma essencial, para a compreensão do texto.
c) A terceira oração é redundante, uma vez que tem o mesmo sentido da segunda.
d) o pronome elas refere-se, em termos estruturais, obrigatoriamente a línguas.

Há dupla possibilidade de resposta. As alternativas “A” e “C” estão descartadas. Tanto a letra “B” quanto a letra “D” estão igualmente corretas. Podemos afirmar que a utilização do pronome elas é desnecessária; por outro lado, podemos também dizer que elas refere-se obrigatoriamente a línguas, em termos estruturais. Não há como desmentir nenhuma dessas duas alternativas, nem se pode, também, dizer que uma sobrepõe-se à outra. Fica registrado aqui o meu pensamento, o qual é passível de contestações.

Outra questão que deve ter feito muitas pessoas errarem, mesmo que estivesse convictas da resposta, foi a n.º 13. Vejamos:

13 – CEFET/RN – TÉC. SUBSEQÜENTE 2009. No período “As pessoas educadas acham esquisito quando um personagem de novelas regionalistas chama uma mulher de conduta duvidosa de ‘teúda’ e ‘manteúda’”, a palavra em negrito pode ser substituída, sem prejuízo de sentido para o texto, por
a) Ilógico
b) Inadequado
c) Anormal
d) Imoral

A resposta no gabarito divulgado pelo NUPS do CEFET/RN é “B – inadequado”. Porém, no contexto em que aparece, a palavra esquisito ficaria, em termos semânticos, mais próxima de anormal. O fato é que inadequado não é sinônimo de esquisito, neste contexto. Anormal significa incomum, diferente do normal, estranho, portanto, não se confunde com inadequado. Como é uma questão interpretativa, há uma resistência maior de as bancas reverem. Fica caracterizado, contudo, que a resposta atribuída à questão é, no mínimo, merecedora de análise e reavaliação por parte dos responsáveis pela elaboração da prova.

Na próxima postagem, publicarei outras questões do CEFET/RN, para os alunos entenderem melhor a sua resolução.

Um abraço.

11 de jan de 2009

ANTES E DEPOIS DA REFORMA ORTOGRÁFICA

As mudanças na ortografia e acentuação da Língua Portuguesa, mesmo que pareçam mínimas, poderão causar estranheza nos primeiros meses de adaptação. Publicarei trechos escritos nas duas versões, para termos idéia (ou ideia?) de como as mudanças serão encaradas pelos usuários da língua.

Trecho 1

A idéia de que podemos ser sobrenaturais não me parece um vôo interessante. Alguns, como eu, crêem que todas as pessoas têm uma capacidade que se observa mais. A ninguém é dado o direito de estar acima do bem e do mal. Todo mundo pára, nem que seja por uma hora. (versão antiga)


A ideia(1) de que podemos ser sobrenaturais não me parece um voo (2) interessante. Alguns, como eu, creem (3) que todas as pessoas têm uma capacidade que se observa mais. A ninguém é dado o direito de estar acima do bem e do mal. Todo mundo para (4), nem que seja por uma hora. (versão após a reforma)

(1) Saem os acentos dos ditongos abertos ÉI e ÓI das paroxítonas, como o caso de idéia;
(2) Os acentos nos hiatos com vogais repetidas (oo) são eliminados;
(3) As formas verbais CRÊEM, LÊEM e semelhantes perderão os acentos circunflexos;
(4) A forma verbal PÁRA (3ª pessoa do singular) perde o acento diferencial.

Trecho 2

Ser heróico é ser muito diferente do que acham. Heróicos são os trabalhadores que acordam extremamente cedo para enfrentar um dia de trabalho estressante, sem tempo de lêem pelo menos o que está escrito no jornal. O pior é que muitos deles, em seu ambiente laboral, não dispõem de uma infra-estrutura mínima para desenvolver suas atividades, aqui ou no Pólo Norte. (versão antiga).

Ser heroico (1) é muito diferente do que as pessoas pensam. Heroicos são os trabalhadores que acordam extremamente cedo para enfrentar um dia de trabalho estressante, sem leem (2) pelo menos o que está escrito no jornal. O pior é que muitos deles, em seu ambiente laboral, não dispõem de uma infraestrutura (3) mínima para desenvolver suas atividades, aqui ou no Polo (4) Norte (versão após a reforma).

(1) Saem os acentos dos ditongos abertos ÉI e ÓI das paroxítonas, como o caso de heróico;
(2) As formas verbais CRÊEM, LÊEM e semelhantes perderão os acentos circunflexos;
(3) Quando os prefixos terminarem em vogal diferente da que inicia o radical, não será utilizado o hífen, como o caso de Infra-estrutura, que passará a grafar-se Infraestrutura;
(4) Desaparece o acento diferencial da palavra PÓLO, que era empregado em oposição a POLO (preposição em desuso).

São muitas regras, mas elas sozinhas não resolverão. Mais do que nunca a leitura será fundamental para este período de adaptação. Decorar uma série de convenções não deverá ajudar muito, como sempre. Esta familiarização com as novas formas de escrever acontecerá gradativamente, e até 2012 o usuário da língua terá para atualizar-se.

10 de jan de 2009

Cada indivíduo é responsável por sua conduta

Atribuir à sociedade como um todo a culpa por certos comportamentos errôneos não parece, em minha maneira de pensar, uma atitude sensata. Costumamos ouvir por aí coisas do tipo “O Brasil não tem mais jeito”, “O povo brasileiro é corrupto por natureza”, “Todas as pessoas são egoístas” e frases afins. Essa é uma visão já cristalizada no pensamento de boa parte de nosso povo.

Entretanto, se há equívocos, se existem erros, se modos ilícitos são verificados, eles sempre terão partido de um indivíduo. Mesmo que depois essas práticas se propaguem, somente serão contaminados por elas aqueles que assim o desejarem. Uma corporação que, por exemplo, está sob investigação criminal em decorrência da ação de alguns de seus componentes, não estará necessariamente corrompida em sua totalidade. Aliás, a meu juízo, isso é quase impossível de acontecer.

É preciso compreender que nem todo mundo se deixa influenciar por ações fraudulentas. De repente o que alguém acha interessante pode ser considerado totalmente inviável por outra pessoa e não acredito que seja justo um ser humano ser responsabilizado apenas por fazer parte de um grupo “contaminado”, mesmo sem ele, o cidadão, ter exercido qualquer coisa que comprometa a sua idoneidade moral.

Todos sabemos que um indivíduo é constituído suficientemente para pagar por suas falcatruas. Por isso, não concordo que haja julgamento geral. É preciso que saibamos separar o bom do ruim, o honesto do corrupto, o bom-caráter do mau-caráter, o dissimulado do verdadeiro. Todos têm consciência do que seja certo ou errado e devem carregar sozinhos o fardo de terem sido desleais, incorretos e vulgares, sem manchar a imagem daqueles que, por vias do destino, constituem certas facções que não apresentam, totalitariamente, uma conduta legal.

3 de jan de 2009

ÀQUELES QUE NÃO CONSEGUIRAM



Hoje eu vou justificar ainda mais a minha fama de estranho, de esquisito. Numa época em que todos tendem a direcionar-se para os vestibulandos aprovados no processo deste ano, vou esquecê-los um pouco, na premissa de que eles terão tempo de sobra para que eu os parabenize. Direciono-me, assim, para aqueles operários que não lograram êxito em sua caminhada. Àqueles que, mesmo tendo uma conduta irrepreensível, foram sugados pelo monstro que é o sistema adotado em nosso país para o acesso às universidades.

É muito cômodo criticar as pessoas quando elas não conseguem aquilo que entendemos ser fundamental para o sucesso. Um exemplo marcante é o jovem de 17, 18 anos que vê-se imbuído de uma tarefa árdua que é a preparação para os processos de seleção dessa natureza. Se o resultado for positivo, ele vai ao céu; ao inferno, se o resultado for negativo. E, de antemão, já me oponho a essa avaliação. Se o modelo de selecionar esses jovens é falho e por enquanto não pode ser modificado, a nossa maneira de olhar quem não conseguiu o passaporte deve ser revista.

O que tenho dito a essas pessoas que ficaram para uma segunda oportunidade? Digo-lhes para levantar a cabeça, para se orgulhar da busca incessante, do esforço, da tentativa. Aconselho-os a entender que elas não serão consideradas menores ou menos importantes por causa de um sonho que não foi concretizado (ainda). Vejo-as exatamente como as via antes do resultado final. Jamais colocarei em xeque o nível e o caráter das pessoas, pois aqueles que vi chorar estão em minha lembrança como heróis de uma guerra, cuja batalha inicial foi desfavorável, mas que o tempo fará a virada necessária à vitória.

Tenho todos os meus alunos guardados como pérolas, as quais não são facilmente encontradas. Por isso é que o melhor ainda está por vir. As pérolas ficam guardadas para serem exploradas no momento certo, quando os frutos dessa raridade serão obtidos, independentemente da época, do local, da forma. Eu estarei esperando na curva do caminho o sucesso de vocês que, por ora, ainda não veio, apenas porque será grandioso quando se confirmar.

Como diria Guilherme Arantes, em sua música, "Amanhã, mesmo que uns não queiram será de outros que esperam ver o dia raiar".

Um forte abraço e contem comigo. Sempre!

Seu amigo, Cassildo.

2 de jan de 2009

TRANSIÇÕES (CASSILDO SOUZA)

Confesso que tenho um pouco de medo das transições. Todos nós, de certa forma, o temos. É que o ser humano, ainda que seja adaptável, parece desconhecer essa condição e, quando percebe, já se encontra num outro estágio, numa outra instância de atuação. O mais relevante é procurar entender alguns fatores: primeiro, se a mudança proposta depende de nós; segundo, se a mudança proposta ou imposta (em caso de não depender de nós) é para melhor ou pior.

Nem sempre temos o poder de decidir as mudanças. Nem sempre podemos prorrogá-las ou antecipa-las. Mas há uma coisa que sempre será possível e que depende exclusivamente de nós. A análise. A auto-avaliação. Sem dúvidas, é oportuno vivermos com a luz do senso crítico ligada constantemente; termos consciência das fraquezas e forças, das virtudes e dos defeitos, dentro da premissa de que ninguém é imperfeito em totalidade, nem tampouco o contrário. O fato é que essa análise é um pilar de nossa decepção ou sucesso em decorrência de uma mudança qualquer.

Auto-análise ou auto-avaliação não é tão simples como queremos pregar. É muito fácil terminar o ano dizendo que se deseja um ano seguinte melhor do que foi o anterior, apenas por uma convenção tradicionalista. É muito cômodo dizer-se às pessoas que se espera tudo de bom, prosperidade, união, compreensão, afeto, amor. Difícil é praticar. É muito árduo colocar as teorias em prática. Aliás, é muito doloroso estabelecer as teorias, daí a prática ser igualmente “reacionária”.

Quando se chega a um novo período, uma nova era, devemos olhar para o que ficou mal resolvido, malsucedido, mal encaminhado com uma visão sincera de que nem sempre fazemos o melhor por uma questão óbvia de não possuirmos o dote da perfeição. No entanto, aproximar-se da perfeição também compreende auto-analisar-se, auto-avaliar-se, enfim, ter uma visão panorâmica das qualidades boas e ruins. E isso que se deve esperar ao entrarmos na sala de 2009, para que possamos sair pela porta da frente, tendo percorrido todos os seus compartimentos sem traumas e incompreensões.

É HOJE!

COMPERVE DIVULGA(A PARTIR DO MEIO-DIA PELO RÁDIO E ÀS 13 HORAS NO SITE) O RESULTADO FINAL DO VESTIBULAR/2009-UFRN. ESTAREMOS ATENTOS E ESPERANÇOSOS DE QUE NOSSOS ALUNOS TENHAM OBTIDO ÊXITO, PREMIANDO UM ANO DE BATALHA ÁRDUA E DE MUITA DISCIPLINA.

VAMOS ESPERAR!

UM ABRAÇO A TODOS!