30 de abr de 2009

A NOSSA DIFICULDADE NÃO CHEGA A UM DÉCIMO DA DIFICULDADE DO OUTRO

Quem nunca enfrentou dificuldades? Quem nunca se viu tomado por incertezas e questionamentos, quando passando por coisas que não gostaria de passar? Todos temos, em algum tempo, que viver circunstâncias antagônicas, nem que seja para podermos tirar alguma lição e tornamo-nos mais preparados para a vida.
Particularmente, tenho uma facilidade enorme de me complicar com questões que teoricamente são fáceis de solucionar. Tenho uma tendência a posicionar-me de maneira desesperada quando na verdade determinado momento difícil é apenas uma pedrinha na caminhada integral da vida. É aí que precisamos, de forma bastante serena, analisar o quanto somos privilegiados em relação a outras pessoas que estão numa situação bem mais séria.
Quando tivermos de reclamar por algo que não esteja de acordo com as nossas expectativas, lembremo-nos de quantos seres humanos, no mundo, estão passando fome; quantos estão mergulhados nas drogas; quantos estão envolvidos em casos de desonestidade, envergonhando aqueles que os têm como referência; quantos estão acometidos por enfermidades gravíssimas, sem possibilidade de reversão; quantos estão juridicamente impedidos, inaptos a exercer sua cidadania. Somos realmente seres de muita sorte, não?
O conceito das coisas depende muito do parâmetro. Quando estabelecemos um parâmetro muito alto, criando expectativas quase inatingíveis, ficamos também muito exigentes. Não admitimos um nível mais baixo para o que determinamos como meta. No entanto, há coisas que não dependem de nós e o melhor mesmo é poder aceitar com naturalidade as ocorrências, digamos, não previstas. Assim, passamos a entender o quanto somos agraciados por termos amigos, profissão, respeito e reconhecimento. O resto, a poeira do tempo trata de resolver na sua incomparável razão.

29 de abr de 2009

CARTA-ARGUMENTATIVA

Como muita gente sente dificuldade em formatar uma carta-argumentativa, indico o link abaixo, de postagem publicada aqui, neste blog, de como proceder para escrever um texto dessa natureza:

http://centraldasletras.blogspot.com/2008/09/particularidades-da-carta-argumentativa.html

Lembro aos meus poucos apreciadores que este espaço tem todas as postagens registradas desde o seu início. Na parte direita é possível explorar todas as postagens por mês. Muitas delas são a respeito de modelos de textos de natureza argumentativa.
Quero que explorem ao máximo. Fico extremamente lisonjeado que procurem informações a respeito de nossa língua. Esse veículo foi criado para tal prática.
Um abraço a todos.
Cassildo.

27 de abr de 2009

QUESTÕES RESOLVIDAS - PERÍODO COMPOSTO

01. Leia o período:

"Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu."
Considerando a possibilidade de várias organizações sintáticas para os períodos compostos, assinale a alternativa em que não há alteração de sentido em relação ao período anteriormente indicado:
a) Meu pai disse-me, à porta do Ateneu, que lá eu encontraria o mundo.
b) À porta do Ateneu, meu pai disse-me que lá eu teria de encontrar o mundo.
c) Disse-me meu pai, à porta do Ateneu, que somente lá eu encontraria o mundo.
d) Quando chegamos à porta do Ateneu, meu pai disse-me que lá eu precisaria descobrir o mundo.
e) Ao chegarmos à porta do Ateneu, meu pai orientou-me para que lá eu encontrasse o mundo.

RESPOSTA: “A”. Essa questão é mais simples do que parece. Tem-se de conservar apenas o conteúdo da mensagem original, sem acrescentar ou omitir nenhuma informação. Em nenhum momento, o pai disse ao filho que ele teria de encontrar o mundo, com caráter de obrigatoriedade verificado na letra B; nem tampouco, como na letra C, deu exclusividade ao Ateneu como porta para encontrar o mundo; também não está na mensagem o caráter de necessidade empregado na letra D. A letra E também está inabilitada pelo fato de expressar uma orientação. Isso não está presente na mensagem. Apenas há uma previsão que o pai realiza sobre a mudança de vida do filho.

02. (Adaptada de EPCAR) “Como ontem estava chovendo, tive a infeliz idéia, ao sair à rua, de calçar um velho par de galochas.”
No período acima, as orações grifadas indicam, respectivamente:
a) causa, tempo e complemento de um nome;
b) comparação, tempo e complemento verbal não preposicionado;
c) causa, condição e complemento verbal preposicionado;
d) conseqüência, tempo e complemento de um nome;
e) comparação, condição e complemento de um nome.

RESPOSTA: “A”. Mesmo não havendo referência explícita, essa questão é de período composto. As orações destacadas ocupam funções sintáticas, como se fossem apenas termos e não sentenças. A primeira indica causa, motivo ou razão para as ações contidas nas frases seguintes; a segunda oração poderia ser substituída por quando saí à rua, portanto indica tempo;e a terceira oração completa o sentido da palavra abstrata idéia (idéia "de quê?"). Na composição, letra A é a correta alternativa.

03. Assinale a alternativa em que o articulador sintático destacado possa ser substituído ADEQUADAMENTE pela expressão indicada nos parênteses.
a) "Poderiam, PORTANTO, bloquear" (entretanto)
b) "AINDA ASSIM, a ruptura" (Dessa maneira)
c) "E esperar que nenhum membro" (a fim de)
d) "MAS o secretário de Estado" (No entanto)

RESPOSTA: D. É necessário de reconhecer o uso das conjunções (conectivos), aqui chamadas de articulares sintáticos. Na letra “A”, portanto indica conclusão e entretanto, oposição; na letra “B”, ainda assim expressa concessão e dessa maneira, conclusão. E na letra “C”, a conjunção e expressa adição, enquanto a fim de indica finalidade. Resta, então, a letra “D”, em que tanto mas como no entanto são elementos indicadores adversidade.

NOVO ENEM: PRENÚNCIO DE UMA NOVA ERA

Anunciada pelo Ministro da Educação, a mudança no sistema de seleção para as universidades, mais conhecido como vestibular, é uma realidade. A proposta de unificar o exame e modificar a natureza dos conteúdos, baseando-se no atual modelo do ENEM, para um recrutamento mais justo e democrático, foi recebida de forma satisfatória por mais de 90% das instituições públicas consultadas, apesar da necessidade de um planejamento sereno e responsável.
Toda mudança, é óbvio, requer uma adaptação ao processo. Em relação a isso, o Brasil continua o mesmo. A proposta inicial era de que todos os aderentes (48 das 52 instituições que participaram do encontro no Ministério) já adotassem as mudanças para este ano. Isto poderia inviabilizar a seleção em certas instituições, como a UFRN, a qual modificou o vestibular há apenas dois anos. Depois de algumas ponderações, ficou acertado que cada universidade terá autonomia para decidir quando e como inicia o novo processo. Elas adaptar-se-ão conforme suas necessidades e realidades, não havendo um modelo pré-definido ou imposição do Governo Federal.
Com o novo sistema, um aluno poderá, realizando um único processo seletivo, concorrer a vagas para mais uma instituição. Isso é um dos pontos positivos. Alguém que realiza, por exemplo, cinco processos seletivos em lugares diferentes vive um verdadeiro massacre mental, um desgaste que nem todos têm condições de superar. O outro ponto-chave é que os alunos terão mais liberdade de raciocínio, pois não precisarão, necessariamente, decorar fórmulas ou conceitos para fazer uma boa prova. Aspecto que tem sido discutido ao longo das décadas nas escolas e órgãos de ensino superior. Assim, para se ter uma vaga idéia, uma questão de Língua Portuguesa (Linguagens e Códigos) priorizará a capacidade interpretativa e gramatical, mas não do ponto de vista técnico e sim, do raciocínio, pela depreensão, hipótese, inferência. Não será necessário decorar o que é VERBO TRANSITIVO DIRETO. Ao aluno caberá apenas entender que determinado vocábulo é indispensável numa sentença por atribuir sentido ao elemento anterior, independentemente de saber-se o nome desse elemento. Continua sendo imprescindível dominar o conteúdo. Ou seja, os melhores continuarão a ser os escolhidos.
Temos de registrar que a UFRN já aborda as questões, em sua maioria, de maneira mais discursiva. A prova de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira é um exemplo claro. O aluno que se limita a decorar nomes de elementos gramaticais, que não lê integralmente as obras ou, lendo-as, não faz as devidas conexões com as temáticas sociais, é sempre um candidato ao fracasso. Isso, em minha maneira de enxergar, é um avanço na medida em que precisamos realmente é raciocinar e não fazer do vestibular um motivo para conhecer técnicas de memorização. A decoreba é deixada de lado, não sendo suficiente para promover no aluno os recursos que ele precisa para ser bem-sucedido. A adaptação, nesse sentido, não deverá provocar maiores traumas.
No entanto, como em tudo na vida, o aspecto negativo dessa nova proposta também existe. Essa pressa de querer que todas as universidades façam o ajuste desde agora revela um problema crônico em nosso país, que é a falta de planejamento. Reitero que mudança exige cautela, análise cuidadosa e aperfeiçoamento dos profissionais da educação, para que ao invés de virar um problema, transforme-se em solução, em melhoria na qualidade das seleções. É um momento de transição ao qual nos devemos acostumar, sem aquela resistência ao novo, típica, desnecessária e inexplicável. Mas tudo deve ser da maneira correta, sem excessos e sensacionalismos baratos.
Observadas tais questões, vejo nesse processo o início de uma nova era. Se trabalharmos corretamente, se nos dispusermos a encarar esse sistema como um crescimento do ponto de vista educacional, certamente os frutos saudáveis virão em maior escala. É evidente que precisamos encontrar meios para fazermos dessa nova empreitada um salto de qualidade na seleção de pessoas mais preparadas e com perspectivas futuras muito positivas, sendo o raciocínio, agora, o elemento definidor da qualidade dos escolhidos.

20 de abr de 2009

ACENTUAÇÃO GRÁFICA II

Vimos as acentuações das palavras proparoxítonas, na última vez em que abordamos esse tema. Agora, teremos a oportunidade de abordar a acentuação dos monossílabos tônicos.

Em primeiro lugar, o que seria um monossílabo tônico?
É aquele vocábulo formado por uma só sílaba e que apresenta uma tonicidade mais intensa do que o normal, opondo-se aos monossílados átonos. Vejamos os exemplos:

1. Monossílabos tônicos: mim, ti, só, dão, etc.
Este presente é para mim. As nossas alegrias nos dão esperanças para o futuro.
Percebemos uma ênfase maior nos vocábulos acima destacados.

2. Monossílabos átonos: me, do, de, e, etc.
Bia deu-me o presente de aniversário.

Percebemos, na pronúncia da frase n.º 2, que os vocábulos destacados não apresentam uma tonicidade acentuada.

Tratadas as questões referentes à tonicidade, vamos ao que interessa. Como vocês devem ter observado, nem todos os monossílabos tônicos são acentuados. Pois é. Somente os terminados em a, e, o, seguidos ou não de "s", como pá, Sé, , mês, seguindo o raciocínio da questão fonética. É mais fácil observar o grau de tonicidade das palavras quando elas vêm num fragmento, ou seja, não isoladamente, como nos exemplos acima. Isso acontece muito com palavras que possuem a mesma escrita e que alternam entre acentuar-se graficamente ou não.
Verifiquemos a seguir:
Tenho muito dó (pronúncia: do - tônico) daqueles que vivem na pobreza.

É preciso entender as particularidades do (du - átono) universo.

Portanto, jamais se acentuam ti, si, tu, nu, na, entre outros.
Um abraço. Até a próxima postagem.

14 de abr de 2009

ACENTUAÇÃO GRÁFICA I

A maioria das pessoas apresenta dificuldade no que tece à acentuação gráfica das palavras. De início, devo dizer-lhes que acentuação significa aumento, crescimento. Se uma empresa teve vendas acentuadas, é porque vendeu muito. Essa idéia segue a fonética de qualquer linguagem falada. Em qualquer palavra sempre existirá uma sílabada acentuada, ou seja, cuja pronúncia apresenta-se mais forte do que as demais. O acento gráfico serve, exatamente, para definir qual sílaba é a tônica, quando isso não pode ser feito naturalmente.
Em primeiro lugar, faz-se necessário revermos a classificação tônica dos vocábulos:
OXÍTONA - Palavra que tem a última sílaba como tônica, mais clara, mais nítida: coração (ção); desenhar (nhar); xodó (do).
PAROXÍTONA - Palavra que tem a penúltima sílaba como tônica: margem (mar); tempestade (ta); mártir (mar).
PROPAROXÍTONA - Palavra que apresenta como tônica a antepenúltima sílada. São todas acentuadas: oxítona(xi); vítima(vi); fantástico (tas).
Vejamos os exemplos com identificação da sílaba tônica:

As más influências (ên)pode levar uma pessoa a cometer loucuras.

Se o acento não fosse colocado, a palavra seria pronunciada diferentemente. A sílaba tônica não seria "ên" e a palavra ficaria com outro significado.

Se tu influencias teu filho, faz isso conscientemente. Como não existe acento, a sílaba tônica é "ci", ou seja, típica da forma verbal.

Agora, podemos analisar alguns casos de acentuação. Neste primeiro tópico, abordaremos as palavras PROPAROXÍTONAS. Conforme já citei, todas elas devem ser acentuadas, se não a pronúncia é modificada:
A palavra máximo () não pode deixar de ser acentuada, pois, sem acento gráfico, seria pronunciada maximo (xi). Qualquer outra palavra proparoxítona possui as mesmas características. Assim, todas são acentuadas graficamente.
Assim, é necessário verificar como seria a pronúncia de determinada palavra, caso não existisse o acento. Temos de levar em consideração sempre o aspecto fonético, ou seja, a sonoridade da palavra.
Na próxima postagem sobre acentuação gráfica, abordaremos as oxítonas.

TEORIA INCOERENTE AOS MOLDES ATUAIS

Na visão de Cassildo Souza
A tese que defendo não está muito identificada com os preceitos atuais. Num mundo em que todos, quase todos, só pensam em si próprios, trilho o caminho oposto e, sem nenhum problema, afirmo que quando desejamos o sucesso dos outros, já estamos alcançando o próprio sucesso.
Nada é mais gratificante do que poder dar testemunhos positivos de nossos colegas. Não há nada mais engrandecedor do que reconhecer o mérito de nossos semelhantes, como se fosse um reconhecimento a nós mesmos, já que somos parte da mesma evolução. O pensamento da humanidade deve ser sempre em relação ao grupo, ao conjunto, pois nada funciona satisfatoriamente se alguma peça, dentre milhares, não desempenhar o seu papel da maneira que deve ser.
Na minha área, eu tenho o prazer de dizer que profissional A é muito bom e que profissional B é tão bom quanto A. Por exemplo, falar sobre o profissionalismo de Théo, Elba, Aparecida, Cloacir, Simão, Josilete, Mário Lourenço (sobre os quais tenho um certo conhecimento e, de certa forma, torno-me suspeito) me deixa muito à vontade, pois só tenho testemunhos positivos a seu favor. Evidentemente que outros profissionais também das letras, em outras épocas, como D. Engrácia, Lucilene, Eva Matos, D. Isaura, Joabel Rodrigues, D. Antônio Quintino, dentre outros que não tive a oportunidade de conhecer, são dignos de serem lembrados como pessoas sérias em suas funções, conscientes da obrigação social que tomos nós temos e que, por isso, conservam uma imagem inabalável na história. Haveremos sempre de dar o devido valor a essas pessoas.
Apesar de restringir-me, nesta ocasião a personagens das letras e da educação, meu raciocínio estende-se a todas as outras vertentes do conhecimento. Ter um professor comprometido é importante, como ter um engenheiro competente, um médico abnegado, uma secretária exemplar. O mérito sempre deve ser um elemento que nos chame a atenção, para que observemos as qualidades que fazem do ser humano um elo intermediador em múltiplos aspectos. Um multiplicador do crescimento e, por isso, digno de todo o reconhecimento, pompas e homenagens.
Entendo, assim, que ninguém pode refutar o direito de valorizar os artefatos produzidos pelos seres de sua coexistência. Não é pequeno jamais elogiar a quem merece. Mesquinho é, sim, não perceber a importância que alguém demonstra no desenvolvimento de suas tarefas. Agir com tal falta de humildade é sinônimo de uma fraqueza própria que, por sua vez, precisa ser mascarada por críticas destrutivas sem direção e infundadas.

8 de abr de 2009

O QUE FAZ ZERAR UMA REDAÇÃO


Tenho recebido muitas dúvidas, na rua, no trabalho, nas aulas, sobre o que faz zerar um redação. De antemão, digo que existem muitas lendas a esse respeito. Um texto, para valer nota 0,00, precisa estar totalmente incoerente, não abordar o tema sugerido ou ser totalmente incompreensível. Toda redação é analisada no seu total, e alguns casos de eliminação já estão expressos na proposta de redação. Eis alguns deles:

1 - Se a proposta pedir para não assinar o artigo de opinião, será atribuído zero ao aluno que assiná-la;
2 - Se a proposta indicar um pseudônimo e o aluno desobecer-lhe, assinando-a com seu próprio nome, também será eliminado na prova de redação;
3 - No caso do texto dissertativo-argumentativo, não se assina nem com pseudônimo bem com nome próprio. Caso isso aconteça, o aluno terá nota zero atribuída ao seu texto;
4 - Alguns processos seletivos vêem o título como algo essencial e, se na proposta, estiver caracterizada a sua obrigatoriedade, o aluno tem que pôr o título, sob pena de eliminação.
Outros casos que impliquem na eliminação do candidato serão expressos na proposta de redação. Ninguém vai zerar um texto porque tem "esta" ou "aquela" opinião ou porque esqueceu uma data e/ou vocativo na carta-argumentativa. Nem tampouco porque escreveu o pseudônimo do artigo na parte de baixo do texto. Rasuras também não implicam em eliminação.

Portanto, tranquilizem-se que a prova de redação não é mais um "monstro", um "bicho-de-sete-cabeças", como muitos o tratam. É apenas praticar, conhecer os temas e procurar reescrever os textos anteriores.
Um grande abraço a todos os que confiam no meu trabalho!

Cassildo.

PERSPECTIVAS SOBRE A CRISE ECONÔMICA MUNDIAL

Cassildo Souza
Sou leigo na matéria economia. No entanto, não acho que seja preciso tornar-se especialista no assunto para perceber que o modelo capitalista está longe de ser ideal no combate às desigualdades sociais. Infelizmente, para a maioria das pessoas isso só fica claro quando ocorre uma crise de dimensões gigantescas, como a que estamos presenciando.
No modelo globalizado, tudo é muito vulnerável pelo fato de não se valorizar uma autonomia nacional. Tudo é de todos, no sentido comercial do processo, e, conseqüentemente, nada é de ninguém. Não é possível, para uma nação, segurar capital por muito tempo, já que não se tem uma previsão fidedigna do que possa acontecer daqui a cinco minutos. Tudo é muito instantâneo e abrangente e, dessa forma, acaba inviabilizando a adoção de políticas econômicas mais internas, mais autônomas, mais independentes.
Se o sistema capitalista, dentro dessa globalização, fosse realmente benéfico à maioria, não teríamos tantas desigualdades, a renda não seria tão mal distribuída. Todos sabemos, desde os primeiros anos escolares, que esse modelo econômico só privilegia o acúmulo de riquezas pela classe dominante em detrimento dos que vivem na miséria. Ou será que os 2/3 da população mundial, os quais vivem em situação totalmente precária, representam o progresso da economia? 830 milhões de pessoas passarem fome significa crescimento global?
A diferença quando se tem uma crise é que todos ficam no mesmo barco: países ricos e países pobres. E então a situação torna-se hilária, porque de repente começam a dialogar. Fala-se agora em valorização da economia interna, coisa que até bem pouco tempo atrás estava fora de cogitação. Esse assunto opõe-se à idéia de globalização, à idéia de abertura dos mercados. Quando “a maré não está para peixe”, todos passam a falar em “darem-se aos mãos”, para salvar o Planeta. O ditado popular “a dor é quem obriga a gemer” fica plenamente justificado e todos correm de um lado a outro para apagar o fogo.
Neste “tiroteio” todo, o mundo tenta, atualmente, recuperar-se de mais um tombo sofrido, com uma lição a se tomar. A palavra demissão está desgastada e tem sido a única alternativa de milhares de empresas nacionais e multinacionais que jamais imaginaram um golpe tão profundo. Que venha agora a reflexão, com serenidade, de qual modelo realmente interessa às nações. Porque enquanto se atinge somente aos países subdesenvolvidos ou aos que vivem em extrema pobreza, tudo parece estar bem; mas quando as vítimas passam a se constituir em gigantes como EUA e China, esse modelo cruel de economia apresenta-se como bastante frágil, inclusive para aqueles que nunca quiseram saber de mudanças.

ALÇA DE MIRA (CASSILDO SOUZA)

O que queremos alçar?
Um voo tão arriscado,
quase certo de insucesso,
Nesse processo "excesso"
Vivemos muito marcados.

As feridas sempre vêm
Machucando nossa carne
Que arde, treme e esquenta
O pacto não foi profundo
Impacto foi muito forte
O norte não veio mais.

O mais não foi um bom porte
Por sorte já não vem mais
Aquela onda pesada
Conseqüências desastrosas
Espalhando a nossa brisa.

A parte que nos emana
Foi-se sem se condoer
Aqui, órfãos, estamos
Sem nada que venha a ser.

Já estamos sem perdão
E sem racionalidade
Estamos desconectados
Não alçamos nosso alvo
Erramos o ponto cabal.

1 de abr de 2009

MELHORES REDAÇÕES DO PROJETO DE INCENTIVO À LEITURA 002/2009

Publico aqui, dessa vez com uma maior pontualidade, as cinco melhores redações do PROJETO DE INCENTIVO À LEITURA da CENTRAL DE CURSOS - CURRAIS NOVOS/RN. Parabéns a todos os alunos que participaram e espero que um número cada vez maior de alunos tenha essa atitude.
Um abraço e apreciem a leitura!

VIOLÊNCIA: MUITO ALÉM DO DESEMPREGO

Labor Violado

A cada ano que se passa, a violência, a baixa perspectiva de emprego e, conseqüentemente, as altas taxas de desemprego parecem ser, infelizmente, cada vez mais evidentes no cotidiano dos centros urbanos. Entretanto, tais fatores devem ser analisados de maneira ampla, levando em consideração importantes indicadores sociais, e não de maneira individual. E é sobre esses indicadores que se concentram explicações e soluções não apenas para o desemprego, mas, principalmente, para um aterrorizante problema, sobretudo, urbano: a violência.
Entre 2001 e 2004, foi realizada uma pesquisa no município de São Paulo-SP, que traçou uma interessante proporção numérica entre taxas de desemprego e criminalidade. Segundo a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo, órgão responsável pela pesquisa, durante o período citado, houve diminuição na taxa de empregabilidade por volta de 20%. Já a taxa de pequenos furtos sofreu aumento de cerca de 23%. Tais dados permitem-nos traçar uma relação entre desemprego e carência com criminalidade. Entretanto, a análise não deve ser tão objetiva.
Observando os valores estatísticos, é possível que alguns acreditem em desemprego e violência como “causa e conseqüência” de maneira totalitária. Porém, assim como citado anteriormente, a análise acerca de problemas sociais deve ser ampla e, nesse caso, capaz de perceber que, assim como a falta de perspectiva de emprego e o próprio desemprego estão ligados à violência, os primeiros possuem, por sua vez, suas causas. A criminalidade urbana nada mais é que o resultado de um longo processo, que envolve fatores como, além de desemprego, a ausência de um sistema público de educação, sobretudo, básica, de qualidade, acompanhamento escolar e psicológico quase inexistentes, planejamento familiar e urbano precários, entre deficiências em outros importantes componentes sociais. Investimentos, efetivação e ampliação das já existentes políticas sociais, entre outras medidas dos órgãos federais, poderão fornecer mais subsídios às famílias para a manutenção própria, permitindo qualificação acadêmica sobretudo aos jovens, que teriam as “portas” do mercado de trabalho abertas à sua frente. Além disso, os cidadãos mais bem preparados não apenas academicamente, mas também humanamente, proporcionariam evasão a determinados práticas estimuladoras da criminalidade, exemplificando o uso de entorpecentes, bem como reduziriam efetivamente as taxas de desemprego.
Violência e falta de perspectiva profissional possuem considerável entrelaçamento, atuando como, infelizmente, protagonistas no “teatro” dos centros urbanos. Porém, existe um gigantesco cenário nos bastidores permitindo a continuidade dos mesmos. Soluções? Existem. Vontade e empenho político? Talvez.

Autor: Eric de Medeiros Costa
Nota: 9,50

UM PROBLEMA DA CAUSA

Labor Violado

Na sociedade contemporânea, a violência parece “evoluir” cada vez mais em suas feições, e brutalidades como assaltos, homicídios, estupros, seqüestros, entre outros atos, passam a fazer parte do cotidiano de uma população que vive assolada pelo terrorismo trazido por ela.
Não é de se esperar que com os indicadores sociais e econômicos que o Brasil detém (sendo este último, atualmente, agravado pela situação da crise econômica mundial) a presença da violência seja tão constante na sociedade. Trata-se da situação na qual muitas pessoas estão inseridas: A educação é desvalorizada e conseqüentemente a dificuldade de entrar no mercado de trabalho e atingir uma ascensão social torna-se enorme, obrigando as pessoas a buscarem uma forma de sobrevivência na violência.
Para agravar a situação não é incomum a participação de policiais nos casos de forma anti-ética. Uns parecem absorver em sua forma de trabalho alguns dos princípios autoritaristas do regime militar que nos foi imposto há alguns anos, outros tornam-se aliados dos precursores do crime, e com isso prejudicam de forma estupenda a situação que já está tão caótica.
O problema da violência não surge apenas por uma vontade facilitadora da população ou pelo efeito de fatores externos (como as drogas), ele também é fruto da má estruturação socioeconômica brasileira, que restringe de maneira relevante as oportunidades de pessoas que tentam encontrar, no meio dessa desorganização estrutural, uma forma de viver coerentemente com a lei e com a sociedade. Portanto, enquanto não surgirem mudanças para tentar transformar as causas geradores da violência, a sociedade terá que aprender a se adaptar a ela.

Autor: Hiago Trindade de Lira Silva
Nota: 9,00

CRIMINALIDADE, CONSEQÜÊNCIA DA SOCIEDADE

Labor Violado

Desde a Revolução Industrial, operam-se no mundo grandes transformações na forma de vida e nas atividades desempenhadas pelo homem, que a partir de então passou a buscar oportunidades nos grandes centros urbanos.
Principalmente nos países subdesenvolvidos, como o Brasil, estas mudanças ocorreram de forma vertiginosa sem permitir que tais zonas de concentração populacional desenvolvessem infra-estrutura para abrigar seus habitantes. Surgiram assim, diversos problemas, dentre eles o desemprego. Com a globalização, a “Revolução Tecnológica” e eventuais crises econômicas, como a que o mundo enfrenta atualmente, que potencializam as adversidades econômicas já existentes, é cada dia mais complicada a entrada no mercado de trabalho, sendo, conseqüentemente, cada dia maior o contingente de desempregados em nossa sociedade. A sobrevivência fica assustadoramente complicada àqueles que não conseguem se encaixar no perfil de trabalhador exigido atualmente.
Onde está a solução para os que não encontram emprego? Muitos a encontram na criminalidade. Outros enveredam por esse caminho tortuoso antes mesmo de tentar algo digno, simplesmente por verem a rápida e farta circulação de dinheiro nessas atividades ilegais ou pela frustração diante das barreiras impostas pela sociedade à sua inclusão.
O resultado disso é a assombrosa violência que toma, principalmente, as grandes cidades, aprisionando a população na angústia de conviver com pessoas inescrupulosas formadas pela rigidez e a falta de oportunidades da própria sociedade.
Não podemos fortalecer a segurança apenas com policiais, mas com educação, possibilitando a todos um sustento digno ou ao menos dando subsídio para que lutem por isso. Esse quadro não irá mudar até que todos entendam que as letras são mais fortes que as armas.

Autora: Lílian Santos Soares
Nota: 9,00

UMA NOVA CHANCE
Labor Violado

Todo indivíduo, não importando sua classe social ou raça, possui acesso à escola desde sua infância. Logo, ao sair dali, a maioria dos jovens entram em uma faculdade, ou conseguem o primeiro emprego. Contudo, a situação não é a mesma para todos.
Infelizmente, muitos, por não terem tantas oportunidades, acabam se perdendo no mundo do crime. Freqüentemente, assistimos na televisão a notícias sobre assaltos, seqüestros e assassinatos. Nós, como cidadãos, geramos em nosso interior um sentimento de revolta. Contudo, um traficante nunca estará satisfeito com sua “profissão”. Entretanto, já que o mesmo se viu confrontado pelo desemprego, decidiu que o melhor caminho seria se envolver com as drogas.
Nas favelas, jovens com dezessete anos já possuem dinheiro, jóias, bens e o respeito na comunidade. Porém, é lamentável saber que toda essa fortuna se concretiza sustentada no narcotráfico. E mais triste ainda é saber que, fora daquele local, esse jovem não tem oportunidades de crescer profissionalmente, colocando-se, assim, na obrigação de retornar ao mundo do crime.
Portanto, que essas palavras sirvam como reflexão, não apenas para as autoridades, mas para todos nós. Que, em breve, possamos ver jovens deixando o mundo do tráfico e indo para seus primeiros dias de trabalho, começando uma nova vida. Que possam, enfim, ter uma nova chance.

Autor: Vinícius Bezerra Roseno
Nota: 8,75

O DESEMPREGO FAVORECE A CRIMINALIDADE

Labor Violado

Desde a Revolução Industrial (século XVIII e XIX), o êxodo rural e outros tipos de migrações aumentaram o número de contingentes nas cidades provocando o inchaço urbano, principalmente, nas cidades metropolitanas. Juntamente à urbanização, o processo de favelização tem aumentado gradativamente e com ele o desemprego.
Com a modernização de indústrias e fábricas, a estrutura da economia provocou uma distinção muito grande entre as categorias profissionais. Com o surgimento de novas profissões, novas tecnologias (robôs, máquinas, etc.) e computadores, algumas profissões desapareceram dando lugar ao desemprego (conjuntural e estrutural) considerado um dos principais fatores de boa parte dos problemas sociais. Atualmente, a economia informal vem ganhando espaço na sociedade, onde muitos lutam pela sobrevivência como vendedores ambulantes, catadores de materiais recicláveis e, também, com atividades ilegais comuns nas grandes cidades brasileiras e no mundo subdesenvolvido. Esses meios ilegais prestigiam o mundo do crime dando incentivo a uma população de jovens exclusos da sociedade, os quais dão credibilidade a tais meios.
É nas favelas onde se concentra o maior número de desocupados, porém, a “oferta de empregos” não pára de crescer: são oferecidos “trabalhos” como: motorista para assalto, segurança de refém, “enrolador de bagulho”, “fazedor de trouxinhas”, “entregador de baseado”, dentre outros. Sem perspectivas de vida, muitos desses jovens marginalizados, entram para a criminalidade expondo suas vidas e as de terceiros, às vezes, à fatalidade. De certa forma, não é apenas a sociedade a maior culpada por tudo isso, o Estado, por não estar presente, contribui diretamente com esses problemas sociais, quando deixa de criar políticas geradoras de emprego e passa a investir no aumento do número de policiais nas ruas, os quais nem sempre combatem o crime, pelo contrário, acabam gerando guerras civis, afligindo, ainda mais, a população.
Pode-se tomar como medidas de combate ao crime a criação de projetos sociais que desenvolvam e incentivem jovens e crianças desocupadas a não serem desviadas por caminhos comprometedores.

Autora: Daniella Cristina de Medeiros
Nota: 8,50