28 de mai de 2009

FUGA INEXORÁVEL (Cassildo Souza)

Vai,
Nunca mais terás o meu incômodo
Se possível, perdoa os males que te fiz
Se não, eu me conformarei.
As angústias que te fiz passar
Foram inúmeras, incontáveis.
Esquece de minha presença negativa
Caminha sem lembrar que existi
Não queria estar no seu lugar
Tendo sofrido tanto em mãos cruéis
Como foram as minhas mãos contigo
Inclina-se para coisas boas
Aposenta as recordações sobre mim
Diz o que quiseres,
Critica, bate, massacra conforme teu direito
Sai para longe, para um lugar de paz
Se é assim que me vês,
Eu respeito, tolero, compreendo.
Eu ficarei aqui, sem rumo, sem direção,
Sem caminho ou solução,
Apenas lamentando que essa seja
Tua forma de me ver.

ACENTO INDICATIVO DE CRASE II

Há muito tempo, neste mesmo blog, publiquei algumas dicas de crase. A aula de ontem, para o Concurso de Agente Penitenciário Estadual/RN, na Central de Cursos, inspirou-me a trazer nova discussão sobre o conteúdo, que constitui um dos mais complexos, envolvendo muitos outros assuntos da língua portuguesa. Afinal, o que é crase?

No segmento A casa amarela era o nosso recinto, percebe-se que a pronúncia dos dois "as" ocorre como se eles fossem apenas um. Fonologicamente, houve uma contração, natural do aparelho fonador. A esse fenômeno dá-se o nome de crase.

O acento grave ou acento indicativo da crase (`), dentro desse raciocínio, representa a contração entre a (preposição) + a (artigo ou primeira letra dos pronomes demonstrativos aquele, aquela e aquilo), sendo o primeiro vocábulo (preposição) originário da regência verbal ou nominal, e o segundo, pertencente a uma palavra seguinte por ele determinada.

Nessa perspectiva, se, com uma palavra masculina exige-se a contração ao, com um vocábulo feminino exige-se, em tese, à. Vejamos:
Chegou à secretaria trazendo uma pilha de documentos.
(Chegou a - preposição) + (a secretaria - artigo feminino singular)

Oposição no masculino:
Chegou ao escritório trazendo uma pilha de documentos.
(Chegou a - preposição) + (o escritório - artigo masculino singular)

Sempre que um à puder ser substituído por aquele, aquela, aquilo, cada desses três vocábulos deverá ser craseado. Tomemos como exemplo as orações anteriores:

Chegou àquele escritório trazendo uma pilha de documentos.
(Chegou a - preposição) + (aquele escritório - pronome demonstrativo iniciado com a).

Neste caso, não está em jogo se os pronomes são masculinos ou femininos; a contração é feita com letra a inicial de cada um deles.

Esses são os casos clássicos do acento indicativo de crase. Nas próximas postagens, vamos discutir os casos especiais, como a utilização diante de terra e casa, locuções adverbiais femininas, casos de ambigüidade, entre outros.

27 de mai de 2009

NUNCA VOU APOSTAR NA MEDIOCRIDADE

Em meu pequeno tempo de prática de ensino em cursos prepatórios para concursos e vestibulares, já adquiri uma convicção com a qual quero permanecer daqui para frente. Nunca apostarei apostar na MEDIOCRIDADE! Repito, agora com todas as palavras em letras maiúsculas: NUNCA APOSTAREI NA MEDIOCRIDADE.

Àqueles que cobram de mim uma postura mais "maleável", no sentido de fazer da sala de aula um circo, uma roda de samba, com cerveja e mulheres semi-nuas ou a praça central, devo dizer uma coisa: SINTO MUITO. Não é essa a minha postura, como creio não deva ser a postura de nenhum profissional que se julgue EDUCADOR. Que uma aula não possa ser cansativa demais, eu até concordo. Mas não é sempre que é possível atrair satisfatoriamente a atenção do aluno, porque existem determinados conteúdos que não permitem esse "prazer". Há de ser compreendido que a DISCIPLINA é um aspecto fundamental e ela não se confunde jamais com situações pitorescas que fazem a clientela pensar que tudo está indo muito bem. Será mesmo? Será que se está aprendendo de verdade?

O que podem cobrar de mim, e a isto estou de coração aberto, são as questões alusivas à forma de uma melhor compreensão por parte do aluno, a responsabilidade em cumprir minhas obrigações e minha pontualidade. Podem cobrar de mim atualização, qualificação, exame de provas e propostas de redação, a minha inquietude com os temas que podem ser solicitados, dentre outras coisas do gênero. Isso, sim, constitui objeto importante para se constituir o processo de apreensão dos conteúdos pré-vestibulares. Nunca trocarei o conteúdo pelas brincadeiras. O principal não pode ser substituído pelo acessório em nenhuma situação, se não os nomes seriam inversos: PRINCIPAL seria ACESSÓRIO e vice-versa.

Estou sempre aberto a questionamentos. Nem o mais competente Doutor em Letras pode se achar no direito de não ser colocado em xeque. Imaginem eu, um professor de cursinho com experiência que não chega a três anos. Mas, ao profissional cabe o poder de discernimento entre aquilo que é fútil e o que compõe necessidade, até para poder dar exemplos e esperar do seu aluno a mesma coisa. Tenho esperança de que os pré-vestibulandos cada vez mais terão consciência da importância que deve dar a suas aulas e da capacidade de distinção entre todos esses aspectos discutidos, sob pena de passarem mais um ano olhando para os mesmos professores (enquanto seus colegas estão nos caminhos da Academia) o que seria mais uma apologia à MEDIOCRIDADE.

19 de mai de 2009

A GRATIFICANTE E DIFÍCIL TAREFA DO ENSINO DE LÍNGUAS

Em meio a tantas nuances no processo de ministrar aulas em cursinhos pré-vestibulares e turmas para concursos, tenho extraído algumas coisas positivas dessa trajetória. Mesmo encarando alguns comentários pejorativos a respeito de minha maneira de ensinar, creio que tenho mais admiradores do que críticos. Sei que faço parte de uma turma que tem de se desdobrar para poder conseguir ser bem-compreendido no seu processo. A disciplina Língua Portuguesa causa aversão a alguns alunos desde os primeiros anos escolares e muitas vezes essa mentalidade acompanha-os pelo restante da trajetória estudantil. Por isso, cabe ao profissional da área entender que nem tudo deve ser creditado a ele e sim, muitas vezes, a uma situação histórica que torna a tarefa muito mais complexa.

O meu desejo é ver que as instituições de ensino regular dispensem importância cada vez maior à área de linguagens. Isso possibilitará ao aluno uma melhor compreensão da real necessidade de valorizar a língua. Hoje, mais do que nunca, vivemos numa ilha, rodeados de informações de todos os tipos e por todos os lados. Quem não visualiza a língua como um elemento deflagrador do processo educativo e profissional tende a cair nas armadilhas do mercado de trabalho futuramente. Em tudo o que se enfrenta hoje em dia, a começar por uma entrevista de trabalho, a capacidade de organizar linguisticamente as informações se constitui num fator de fundamental importância para obter-se o sucesso. Na tentativa de dar um percentual mínimo de colaboração nesse sentido, sinto-me honrado em poder explorar a capacidade de meus alunos.

Quando se ensina Língua Portuguesa, ou qualquer outra, a intenção nunca deve ser o código lingüístico pura e simplesmente. A finalidade principal é tentar fazer o aluno ver o mundo de maneira madura, crítica e consciente. Talvez esteja aí o maior desafio, pois não é uma tarefa das mais simples. E por não ser das mais simples é que se apresenta como algo motivador, desafiador. As críticas destrutivas virão, como aliás, já têm vindo constantemente. Mas a convicção de se realizar um trabalho consistente não deve fugir da filosofia do professor. Isso deve ser muito bem analisado, pois se o docente apóia-se em teorias e fatos concretos para desempenhar suas atividades, deve estar consciente da qualidade do próprio trabalho.

Essa convicção, nunca definitiva, é o que parece mover o meu espírito. Nunca serei hipócrita em dizer que fico neutro às críticas muitas vezes sem base que me são direcionadas. E entendo que temos de receber críticas, mesmo porque o elogio desproporcional traz consigo um ar de onipotência, da qual quero sempre abdicar. Contudo, a certeza de que estou no caminho certo, por viver mergulhado em propostas de redação e questões de Língua Portuguesa, procurando saber a respeito do que cobram as instituições que realizam esses exames, tornam-me um escravo daquilo que aprecio fazer. E sempre estarei aberto a mudanças, desde que sejam viáveis ao desenvolvimento de um trabalho sério, sem “alegorias carnavalescas”, sem a mentalidade de um “espetáculo circense”. Quero ser um aliado permanente dos meus alunos, mesmo dos que não me vêem com bons olhos, para que, numa época vindoura, possam considerar de alguma valia os ensinamentos que procuro transmitir, de uma maneira simples, objetiva e clara.

15 de mai de 2009

QUESTÕES COMENTADAS

Publico a seguir questões comentadas por mim, direcionadas a concursos e vestibulares, dentro de conteúdo gramatical da Língua Portuguesa:
01. É sujeito indeterminado o que está contido na oração:
a) “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia” (Nelson Motta/Lulu Santos, em Como uma onda).
b) ”Amanhã, será um lindo dia, da mais louca alegria que se possa imaginar” (G. Arantes, em Amanhã).
c) Eles estudaram muito, para passar no concurso.
d) Cantaram todos os sucessos os integrantes do Grupo Roupa Nova.
e) Necessita-se de uma reforma urgente em nosso país.

RESPOSTA: “E”. Na letra A, o sujeito é claro, Nada do que foi, concordando com o verbo será;na letra B, não existe sujeito, pois Amanhã é adjunto adverbial de tempo; na letra C, o sujeito é simples e claro, Ele; e na letra D, o sujeito está posposto ao verbo, que é os integrantes do grupo Roupa Nova. Na letra E, temos verbo não transitivo direto acompanhado de SE, o que caracteriza a indeterminação do sujeito: não se identifica quem necessita de uma reforma urgente em nosso país.

02. Assinale a alternativa em que o sujeito é inexistente:
a) Em terra de cego, quem tem um olho vê muitíssimo bem.
b) Há trinta anos estou aqui.
c) Existem algumas pendências judiciais.
d) O dia amanheceu de repente.
e) Eu adormeci sem fechar a porta.

RESPOSTA: “B”. Quando o verbo haver (ou qualquer uma de suas flexões) indicar existência ou temporalidade passada, significando “faz” (também indicador de tempo), o sujeito sempre será inexistente. Na letra A, o sujeito está simples e claro: quem tem um olho; na letra C, o verbo existem está no plural e, portanto, indica que o sujeito é algumas pendências judiciais; na letra, apesar de termos uma circunstância da natureza, está claro que quem amanhece é O dia: sujeito simples e claro; na letra E, também o sujeito é simples e claro, termo eu.

03. Leia o período:

"Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu."
Considerando a possibilidade de várias organizações sintáticas para os períodos compostos, assinale a alternativa em que não há alteração de sentido em relação ao período anteriormente indicado:
a) Meu pai disse-me, à porta do Ateneu, que lá eu encontraria o mundo.
b) À porta do Ateneu, meu pai disse-me que lá eu teria de encontrar o mundo.
c) Disse-me meu pai, à porta do Ateneu, que somente lá eu encontraria o mundo.
d) Quando chegamos à porta do Ateneu, meu pai disse-me que lá eu precisaria descobrir o mundo.
e) Ao chegarmos à porta do Ateneu, meu pai orientou-me para que lá eu encontrasse o mundo.

RESPOSTA: “A”. Essa questão é mais simples do que parece. Tem-se de conservar apenas o conteúdo da mensagem original, sem acrescentar ou omitir nenhuma informação. Em nenhum momento, o pai disse ao filho que ele teria de encontrar o mundo, com caráter de obrigatoriedade verificado na letra B; nem tampouco, como na letra C, deu exclusividade ao Ateneu como porta para encontrar o mundo; também não está na mensagem o caráter de necessidade empregado na letra D. A letra E também está inabilitada pelo fato de expressar uma orientação. Isso não está presente na mensagem. Apenas há uma previsão que o pai realiza sobre a mudança de vida do filho.

04. (Adaptada de EPCAR) “Como ontem estava chovendo, tive a infeliz idéia, ao sair à rua, de calçar um velho par de galochas.”
No período acima, as orações grifadas indicam, respectivamente:
a) causa, tempo e complemento de um nome;
b) comparação, tempo e complemento verbal não preposicionado;
c) causa, condição e complemento verbal preposicionado;
d) conseqüência, tempo e complemento de um nome;
e) comparação, condição e complemento de um nome.

RESPOSTA: “A”. Mesmo não havendo referência explícita, essa questão é de período composto. As orações destacadas ocupam funções sintáticas, como se fossem apenas termos e não sentenças. A primeira indica causa, motivo, razão para as ações contidas nas frases seguintes; a segunda oração poderia ser substituída por quando saí à rua, portanto, indica tempo;e a terceira oração completa o sentido da palavra abstrata idéia (idéia de quê?). Na composição, letra A é a correta alternativa.
Espero que estas questões possam elucidar algumas dúvidas que existem em relação à sintaxe de nossa língua, que precisam ser esclarecidas de maneira mais crítica e discursiva.
Um grande abraço.
Cassildo.

7 de mai de 2009

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE "VIAGEM" E "VIAJEM"

Esta é uma dúvida comum a muita gente que usa a linguagem escrita.
A diferença é que VIAGEM é o substantivo: A viagem. Somente ela é escrita com “G”. A outra forma, VIAJEM, é a conjugação do verbo VIAJAR, que em todos os tempos e modos deve ser escrito com “J”. Por exemplo: Espero que eles VIAJEM. VIAJEI com uma linda mulher. E assim por diante. Portanto, nenhuma forma originada de VIAJAR deve ser escrita com “G. Todas são com “J”. Somente o substantivo é com "G".

Um abraço a todos.

6 de mai de 2009

OBJETIVIDADE E SUBJETIVIDADE

Nas minhas aulas da Central de Cursos, percebi que esse tema deve ser mais difundido. São aspectos muito abstratos. O fato é que quando se tem um OBJETO, todos podem observá-lo. Os textos que tratam questões mais concretas tendem a ser mais objetivos, porque aquilo que se constitui como concreto é observável por todos. Vejamos um exemplo:

Barack Obama assumiu o cargo de Presidente dos EUA em 20 de janeiro, substituindo George W. Bush.

O trecho acima é OBJETIVO porque não depende da opinião de ninguém. É uma constatação, algo comprovável, observável. Portanto, as impressões do SUJEITO são deixadas de lado.
Agora, vejamos o seguinte fragmento:

Barack Obama não será um bom Presidente. Todos os americamos são iguais. Eu não me engano, não.

Percebemos claramente que as impressões do SUJEITO, as opiniões pessoais são enfatizadas, sem argumentos que façam todos enxergarem da mesma forma. É totalmente SUBJETIVO, nem todos pensam assim.
Então, a diferença entre os dois tipos de abordagens, as quais se estendem aos textos, está justamente aí. Na objetividade, predomina o que é observado; na subjetividade, as impressões do observador.
Um grande abraço.

5 de mai de 2009

QUANDO NÃO SE INDICA PSEUDÔNIMO PARA O ARTIGO...

Tenho recebido algumas dúvidas sobre a assinatura ou não de ARTIGO DE OPINIÃO em provas de concursos e vestibulares.
Esclareço que, caso não venha pseudônimo indicado, o candidato NÃO DEVE ASSINAR O TEXTO, sob hipótese alguma, mesmo que isso não esteja claro, sob pena de zerar a redação. Abordo tópicos como esse nesta mesma página, de título "O QUE FAZ ZERAR UMA REDAÇÃO". A COMPERVE, quando não exige a assinatura do ARTIGO, deixa expresso que o candidato está proibido fazê-lo. É oportuno sempre ler as instruções no que tece ao título e à assinatura.
Um abraço a todos.
Continuem postando suas dúvidas ou enviando redação para duvidasnoar@hotmail.com .