21 de abr de 2011

A ESCOLA NÃO PODE ASSUMIR O PAPEL DA FAMÍLIA

É tradição aqui no Brasil atribuírem à escola a culpa pelas mazelas que ocorrem na sociedade - como se nós, professores, tivéssemos o poder de dominar a tudo e a todos - desconsiderando-se que a primeira educação a ser recebida por um indivíduo é a doméstica e que esta é condição para tudo o que ele perceber durante a trajetória educacional.

Não quero - nem jamais faria isso - desresponsabilizar a escola de sua obrigação constitucional. Inclusive, sei que existem muitas falhas no sistema educacional de nosso país. Há professores que não cumprem seus deveres, diretores ausentes, supervidores "de cadeira". No entanto, não existindo acompanhamento por parte da família em relação a seus entes que se encontram nos bancos escolares, nenhuma boa vontade, por maior que seja, trará resultados concretos mesmo a longo prazo.

Infelizmente, há pais que comemoram o fato de seus filhos saírem para "estudar", pois naquelas poucas horas não terão que agüentar os caprichos dos meninos. É bem mais fácil encaminhá-los até o estabelecimento do que travar um diálogo sério e motivador com eles. E, assim, professores, funcionários, colegas de sala, direção tentam assumir um papel que somente os pais poderiam exercer. É crescente falta de compromisso que os tutores legais demonstram, encontrando no ambiente estudantil o "despejo" temporário para seus filhos.

Quando esses jovens chegam à escola desmotivados, não encontram sentido para justificar as horas que ficarão sentados ouvindo regras, fórmulas, conceitos, tentando compreender uma contextualização formulada pelo professor. Por mais que a instituição abra suas portas, como é obrigação fazê-lo, algumas vezes não poderá resolver o problema disciplinar, por exemplo, nível de aprendizado, realização das tarefas sugeridas.

O ideal é que a sociedade civil procure saber aquilo que compete à escola e o que compete à família. É necessário que os dois segmentos andem conjuntamente e todos precisam compreender que - sozinhos - educadores não poderão receber o ônus porventura atribuído em decorrência dos resultados da aprendizagem, da formação do indivíduo ou de qualquer outra natureza. Creditemos à escola o que lhe for devido, pois se seu papel já é complexo, acumular funções - então - só aumentaria o caos educacional.

Um comentário:

Ivin disse...

Realmente a instiuição "Família" repassa à instiuição escolar toda a responsabilidade de preparar um cidadão, isentando-se de sua função como educadora de bons modos,caratér e outros principios determinantes para a formação de um indivíduo.