17 de jun de 2011

ENSINO DE LINGUAGENS: ESTAMOS PREPARADOS?

Tivemos um ensino essencialmente gramaticalista ao longo da história. Nomenclaturas e funções estáticas dos elementos nos foram repassados como sendo únicos, importantes e descontextualizados por longo período, aspecto que dificultou o aprendizado de muita gente e, até mesmo, fez muitos alunos desistirem de seus estudos.

Hoje, a tendência dos principais vestibulares do país, talvez incentivados pelo modelo do ENEM, é de cobrar ao aluno participante uma postura de leitor assíduo e antenado com o que acontece a sua volta. A prova de Língua Portuguesa virou prova de Linguagens, englobando os diversos tipos que ela pode abranger, utilizando-se a gramática como um recurso capaz de interferir na compreensão textual e produção escrita. No entanto, como se trata de momento transitório, nem sempre isso tem sido transmitido aos futuros universitários de modo adequado ou não tem sido incorporado naturalmente por eles.

Entendo haver distorção em ambos os extremos. Se, de um lado, estão aqueles que continuam a pregar o ensino gramatical “seco” como condição fundamental e imprescindível ao aprendizado da língua, de outro, estão especialistas que esqueceram totalmente a relevância em abordar aspectos da estrutura que não podem ser desmerecidos. O fato é que tanto uma coisa como outra devem ser consideradas no ensino atual.

encontrar o equilíbrio para uma orientação adequada aos alunos deve ser uma preocupação constante dos professores que atuam na área de linguagens. A estrutura gramatical é o pilar de qualquer língua que se estude e os elementos dessa sistematização são cruciais à sua formatação. Saber, por exemplo, que haver não se flexiona quando significa existir é importante tanto para se responder a uma questão objetiva bem como para se construir um texto. Isso não pode ser desconsiderado jamais, é um conhecimento que precede o uso da linguagem numa situação comunicativa escrita ou falada.
Por outro lado, saber pura e simplesmente qual é o sujeito da sentença ou a nomenclatura de um termo (adjunto adverbial, adjunto adnominal) não interessa muito, se isso não interferir no sentido que o fragmento analisado expressa. No enunciado “O professor explicou a atividade”, não haverá interferência de sentido, caso não saibamos que termo representa o sujeito. O que vale aqui é saber quem fez o quê, independentemente da classificação gramatical. Compreender o enunciado é muito mais importante do que denominar seus elementos.

Assuntos como variação lingüística, denotação (texto não-literário) e conotação (texto literário), funções da linguagem, tipologia e gêneros textuais tenderão – cada vez mais – a aparecer e deverão ser observados com dedicação peculiar, pois exigem dos candidatos a capacidade de compreensão e interpretação, em oposição a tarefas que supervalorizam a nomenclatura gramatical. Dessa forma, cabe aos alunos estudá-los mais do que sempre fizeram e realizar um prova de vestibular que hoje cobra um conhecimento mais crítico em relação ao mundo.

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