8 de jul de 2011

ATÉ QUANDO ADOLESCENTES ABANDONARÃO AS ESCOLAS PARA TRABALHAR?

Várias pesquisas realizadas dão conta de que no Ensino Médio o abandono escolar é aspecto marcante e, ao mesmo, motivo de preocupação, tendo o fator trabalho um crédito importante em relação a essas desistências. Nesse período, o aluno não tem mais o auxílio do bolsa-família, o que o conduz, freqüentemente, a trabalhar para ajudar no sustento da família.

Hoje, ao encerrar uma das turmas de Ensino Médio (regime semestral), um aluno veio me agradecer pelo período que terminava e dizia, às lágrimas, que talvez tivesse de mudar de escola, para estudar no turno noturno. O motivo: "tenho de trabalhar, se não o bicho pega, minha família depende muito de mim". Meus olhos, discretamente, também lacrimejaram por tamanha injustiça que acompanha esses jovens, impedindo-os, quase sempre, de realizarem seus sonhos.

Esse é um caso dentre milhares que estão espalhados pelo País. A política educacional, seja de Governo "X", "Y" ou "Z" não tem permitido - ao longo dos anos - uma oportunização de acesso ao conhecimento básico que possibilite pelo menos que os adolescentes possam concorrer ao processo de ingresso ao ensino superior. É que o Páis paga por não considerar importantes as discussões concretas sobre o processo educacional, sem falácias ou promessas mirabolantes.

Fiquei perguntando-me, até quando vamos conviver com isso. Meninos e meninas que não sabem do futuro, não sabem nem mesmo se concluirão o ensino médio, porque precisam trabalhar e auxiliar a renda de suas famílias. Rapazes que nem completaram dezesseis anos e que já estão abandonando seus ideais, moças que não podem vislumbrar um futuro de luz por causa da irresponsabilidade histórica de nossas autoridades. Dessa forma, não adianta a mídia veicular notícias "mágicas" sobre melhoria do ensino. Quem vivencia sabe, e olha que trabalho numa escola muito boa. Imagine nas piores, o que acontece. O Brasil não avançará com esse modelo arcaico de inclusão.

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