24 de jan de 2012

CRACK: PARA VENCÊ-LO, É PRECISO UM MUTIRÃO

Cassildo Gomes Rodrigues de Souza

De acordo com a revista Veja, levantamento feito em 4.430 cidades brasileiras (de um total de 5.565), pela Confederação Nacional dos Municípios, aponta o consumo de crack em 91% das localidades estudadas, resultado assustador e preocupante em relação a uma droga que tomou conta do Brasil e a qual não será fácil enfrentar. Hão de se unir os segmentos da sociedade civil, instituições religiosas, órgãos educacionais, os Poderes, a população em geral. Os órgãos de imprensa, em especial, deverão ter mais compromisso com a temática, visto que tais dados não são cotidianamente divulgados, ou para não apavorar a população ou mesmo para esconder uma realidade cruel.

Não podemos tentar encontrar soluções esdrúxulas ou sem nexo no mundo real. O preço do crack é muito pequeno em relação a outras drogas do gênero. Por quaisquer cinco reais, estará uma criança tragando uma substância que, em poucas semanas, deixará o organismo dependente. Para se ter uma idéia, a velocidade que a droga apresenta na dominação do viciado, outro fator preponderante para o seu alto consumo, chega a ser duas vezes maior do que a da cocaína. Esses são dois apenas aspectos, embora decisivos, para explicar o motivo da proliferação tão rápida do entorpecente no Brasil e a consequentemente dificuldade em se combatê-lo.

Não há uma solução, nem um responsável pelo crescimento do consumo ou por sua diminuição. A começar por nossas famílias, a maioria sem uma base sólida, o combate ao crack deve ser conscientizado, passando até mesmo pela orientação religiosa. A educação, que começa em casa – mas que deve sistematicamente ocupar os bancos escolares -, sempre será subjacente a qualquer outra alternativa. No entanto, os já viciados precisariam de uma estrutura de que o nosso país ainda não dispõe para poder se internar e realizar o tratamento necessário. Aqui no Brasil, o que vemos, inversamente, é misturarem dependentes e traficantes ou deixarem-nos à mercê da sorte e da impunidade, respectivamente; os primeiros não são adequadamente tratados; já os segundos não são punidos como deveriam e mantêm-se disseminando seus produtos por todos os lugares. Deve haver, respectivamente, conscientização, terapia e punição.

Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário têm sua parcela de responsabilidade na tentativa de atenuar a realidade cruel que atinge mais de 90% de nossas cidades. Aquele deverá criar políticas concretas de enfrentamento ao problema, diminuindo os discursos e aumentando as ações, numa resposta positiva à população, além de articular suas polícias no sentido de conter a invasão das fronteiras, afinal, é por onde o tráfico internacional ocorre em sua maior parte; o Parlamento, que elabora as leis, deverá endurecer as punições aos traficantes e legislar sobre o apoio que se deve dar aos drogados; a Justiça – corriqueiramente morosa por uma série de razões – precisa ser urgentemente estruturada de maneira que julgue com tempestividade traficantes de alta periculosidade, a fim de tirá-los de circulação. A ação tem de ser conjunta entre os três Pilares.

À mídia brasileira cabe ser mais comprometida com as questões sociais. Não é possível que só tenhamos assuntos de corrupção ou de entretenimento barato para serem veiculados, salvo raríssimas exceções. Nós, brasileiros, temos o direito de conhecer dados estatísticos assustadores, mas que constituem a nossa real situação; temos o direito de sabermos mais sobre as drogas lícitas e ilícitas, suas causas e seus efeitos, num período em que tanto defendem a legalização da maconha. É salutar que os jornais impressos, veiculados internet, revistas de grande circulação, programas televisivos e radiofônicos abram mais espaços a discussões que procurem nortear caminhos em oposição a esse crescimento desenfreado de consumo ao crack. Isso, certamente, trará uma contribuição enorme a todos nós.

Pelo que podemos presumir, o combate a essa droga avassaladora só surtirá algum efeito, caso haja a integração de toda a sociedade. Há uma necessidade premente de ações unificadas, que defendam uma causa comum, na tentativa de interferir positivamente acerca desse quadro lamentável, porém reversível. Deixemos de culpar uns aos outros e façamos cada um a nossa parte, porque – só assim – poderemos vislumbrar um futuro menos sombrio para as crianças e jovens do Brasil, que – em verdade – são todos nossos.

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