14 de fev de 2012

ESCRITA À MODA ANTIGA


Todo ser humano é contraditório, seja em relação às próprias ações, seja em referência ao mundo. Eu venho alimentando meus paradoxos, principalmente porque aderi a quase todas as redes sociais e, adversamente - numa tipo de resistência ao sistema - continuo rascunhando meus textos, como se quisesse demonstrar valorização ao modo artesanal da escrita.

Faço-o por prazer e, ao mesmo tempo, visando a dar exemplo a meus alunos, especialmente os de preparação ao vestibular e ingresso no IFRN, para quem a produção textual é tão importante quanto a água é para nosso corpo. Acho especialmente satisfatório ver as letras saírem naturalmente da caneta, com todas as imperfeições que a escrita manual nos revela.

Sei que o mundo moderno nos impõe certas praticidades, as ações são pragmáticas em sua essência. Como ouço em muitas situações, por que perder tempo escrevendo a lápis, se é possível digitar a mensagem desejada sem maiores complexidades? Respondo: quem foi que disse que acho complexo escrever? Considero-o uma arte, embora antes o classifique como artesanato e, assim, toca-me poder "imitar" os escultores que - ao construírem suas imagens - retiram as imperfeições, mudam aquilo que não ficou bom, ou que não atende às necessidades do seu autor.

Não posso deixar de lembrar-lhes, caros leitores, que - apesar da modernidade tecnológico-virtual - os exames continuam a cobrar de seus candidatos a produção artesanal, confirmando a autenticidade dessa forma de expressão. Desse modo, sinto-me bem à vontade para continuar "opondo-me ao sistema", visto que tanto estou satisfazendo meus "caprichos" como também estou alinhado a um campo em que as mãos e os dedos, essenciais com a caneta ou com as teclas, funcionam como instrumento artesanal requisitados nos certames mais atuais possíveis.

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