24 de jun de 2012

"TEM MUITA GENTE" X "MUITA GENTE TEM"


Os verbos TER e HAVER têm sido, geralmente, confundidos, especialmente para indicar existência. Podemos empregá-los em iguais situações? É adequado - conforme o padrão culto - o uso de frases como "Tem muita gente procurando por você."? 

Em primeiro lugar, estabeleçamos que HAVER é impessoal e, portanto, indicando existência, deve ficar no singular. Não há sujeito na oração. Assim, as conhecidas estruturas "Há muita gente procurando por você.", "Sei que havia muitas coisa a se resolver." estão escritas segundo as normais oficiais de nosso idioma. 

O problema é quando - em especial no Brasil - tentamos construir as citadas frases subtituindo HAVER por TER, como "Sei que tem muitas coisas a se resolver.". Gramaticalmente e, para quem vai produzir uma redação no vestibular, é preciso ter certo cuidado com essa estruturação. O verbo "ter" não pode ser empregado de maneira impessoal, como procedemos em relação a HAVER. Neste caso, uma outra opção seria o verbo EXISTIR que, ainda assim, não seria impessoal; teria de concordar com o termo seguinte, o sujeito: ""Existe muita gente procurando por você." / "Existem muitas pessoas procurando por você.".

O verbo TER - quando pessoal - diferente do que vimos acima, indica posse e não existência. Assim, a expressão "Muita gente tem que..." está produzida consoante o padrão culto, ao contrário de "Tem muita gente que...". No segundo caso, dê-se sempre preferência aos verbos HAVER ou EXISTIR, se a situação comunicativa se constituir como formal.

É válido ressaltar, no entanto, que na linguagem popular, o emprego do TER  com sentido de EXISTIR/HAVER é válido e aceito normalmente, inclusive nos países como Moçambique, São Tomé & Príncipe, Angola, além do Brasil. As situações de comunicação é que devem indicar se está ou não correto o seu uso. Logo, ficará no singular, independentemente do termo seguinte, semelhante a HAVER.

Agora, deixemos claro que - como verbos auxiliares - TER e HAVER correspondem. Observemos frases do tipo "Eu HAVIA chegado em casa mais cedo.", equivalente a "Eu TINHA chegado em casa mais cedo.". Nos dois casos, respeitam-se as regras de nossa língua.

Boa escrita!

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