31 de ago de 2012

A DIVERSIDADE DA CLIENTELA ESTUDANTIL E SUA INTERFERÊNCIA NO PROCESSO EDUCACIONAL


Alguns estudos pedagógicos tendem a apontar - pelo menos na cabeça de quem os distorce - que a escola é sempre a grande vilã do sistema educacional. Embora em muitas situações isso se confirme, deve ser creditado exclusivamente a nós, educadores, a falta de sucesso com a clientela estudantil desta era, totalmente complexa e cheia de diversidades?

Concordo que estamos atrasados demasiadamente em relação ao que deveríamos cumprir. No entanto, o tipo de estudante que temos hoje deve ser analisado com maior critério. A condição social em que meninos e meninas vivem, jogados à própria sorte - ou à mercê de migalhas oferecidas pelo governo para se manterem na escola - sem perspectivas, expostos a ambientes completamente desfavoráveis, parece ser um aspecto que muitos analistas desconsideram quando apontam a instituição escolar como grande responsável pelo fracasso educacional.

As consequências dessa condição social afetam as crianças e adolescentes, às vezes de maneira irreversível. Quando chegam às escolas, esses meninos já têm em sua "bagagem" hábitos que necessitam ser desfeitos. A escola então acumula atribuições: além de cumprir as suas funções de ajudar na formação de cidadãos conscientes, acaba tendo o ônus de ser - em parte - a responsável por disciplinar seus alunos como se fosse a família, atribuição a meu ver insubstituível e por isso impossível de ser conquistada com exclusividade pela instituição educacional.

Antes de se indicar a escola como algoz da educação, incluindo os profissionais em sua maioria comprometidos, seria razoável que as análises se focassem na formação inicial, a de casa, aquela que depende de uma série de fatores para ser efetivada. Por mais que professores, supervisores e gestores estejam imbuídos em contribuir com o sucesso de seus alunos, a clientela - pelas peculiaridades que apresenta - tem interferência direta nos resultados finais a serem obtidos.

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