2 de dez de 2012

CONTRASTES: MARCAS DE NOSSO TEMPO OU MARCA DA HUMANIDADE?

Talvez nunca tenhamos observado, na civilização, uma ocorrência tão marcante de eventos que se opõem entre si (alguns fatos até mesmo se contradizem), o que me leva a refletir sobre dada matéria por achar-me atraído pelas razões (ou a falta delas) que possam explicar tais ocorrências: no aspecto social, nos fenômenos meteorológicos, na enorme quantidade de informações disponíveis, as quais às vezes favorece a falta de qualidade. Há muitos paradoxos sendo observados.

Começo pelo contraste observado nas condições sociais de nosso povo brasileiro. Existem muitos casos em que pessoas não possuem uma casa para morar, mas possuem um carro do ano na garagem alugada; outras não dispõem de recursos para alimentar adequadamente seus filhos, no entanto têm a seu dispor internet wirefire e celulares de última geração. Alguns que não ganham dinheiro para comprar uma revista informativa na semana, conseguem - milagrosamente - finanças para irem às baladas mais frequentadas e - por consequência - mais caras. Esse é o contraste típico da contradição.

O contraste observado nas ocorrências climáticas é - deveras - muito intrigante, não de hoje, mas tendo sido verificado com maior incidência nos últimos tempos. Vivemos escassez de chuva enorme nos estados do Nordeste Brasileiro e tempestades assustadoras nos EUA. Em algumas regiões, o inverno parece não findar mais, estragando casas, causando mortes, destruindo plantações; já em outros pontos, o sol tem-se "aproximado" da Terra, e a água (a falta dela) constitui um problema complexo em muitas cidades. Paradoxos inexplicáveis e cada vez mais recorrentes nas últimas eras.

Dualidade interessante e hilária ao mesmo tempo tem acontecido na área da informação. Impressionantemente, com inúmeras fontes de saber, de pesquisas, com quantidade e qualidade (basta filtrar), muitas pessoas ainda não se deram conta desse manancial existente nas redes virtuais e às vezes reduzem tamanha preciosidade das tecnologias a horas de lazer e entretenimento, desperdiçando um mundo rico em conhecimento. Aquilo que deveria representar um marco na revolução do saber - paradoxalmente - vem deixando algumas pessoas até mesmo menos dispostas a aprender algo concreto.

Já que parece ser cansativo pensar, defendo que o contraste seja (já) parte do ser humano, da evolução, do planeta. Não é preciso haver necessariamente uma contradição, mas a própria existência presume paradoxos. Conhecemos o escuro por sabermos como é o claro; precisa haver conhecimento porque se é ignorante; o quente e o frio assim são definidos porque tais sensações baseiam-se uma na outra para serem identificadas. O mundo é, de fato, um contraste, talvez resultado das ironias da natureza repreendendo as ações contraditórias que maculam toda a humanidade.

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