30 de mar de 2012

CONTRATEMPOS FORAM FEITOS PARA SEREM SUPERADOS

Sou um crítico das situações críticas (com o perdão da redundância). Ao mesmo tempo, sou daqueles que defendem a existência desses fatos para que tenhamos mais chance de enfrentarmos desafios, de usarmos toda a nossa habilidade quando o momento merece. O bom mesmo seria não precisarmos passar por esses entraves, mas - se é a vida - precisamos superá-los para prosseguirmos a estrada.

Tenho procurado não me irritar tanto com coisas que - após certo tempo de reflexão - chamarei de bestiais. Sempre fui uma "bombinha", como certa aluna me classificou esses dias, após uma aula em que tomei decisão brusca. Parece que ela conseguiu fazer a leitura perfeita de mim, com uma diferença de que esse adjetivo se adequaria mais ao meu passado. É claro que ninguém perde a essência, mas - se antes eu esbravejava - hoje procuro resolver a situação, pôr um fim naquilo que incomoda e não se faz viável. Mas resolver nem sempre significa agradar a todos, o que pode acabar gerando outro contratempo.

Contratempos foram feitos para serem superados. Estamos sujeitos a enfrentá-los no dia-a-dia; quando somos professores, então, a probabilidade aumenta consideravelmente. No entanto, parece que sem eles, algo ficaria morno, chato, sem graça. Nessas horas, o ser humano pode criar formas alternativas de vencer os desafios postos pela vida em seu caminho. É o momento de se empregar todas as experiências até então vividas, no sentido de tentar suplentar certas crises. Na sala de aula, em casa, na rua, sempre seremos cobaias dos acontecimentos. Fugir é conveniente; ter personalidade e encarar os problemas é mais aconselhável.

Não há receitas. Vamos passando por certos tombos, em seus variadíssimos níveis, e as soluções vão surgindo proporcionalmente, até que possamos tomar as melhores decisões. Não quero problemas sérios em minha vida, mas também não quero viver sem ter que me superar a cada dia, a cada novo fato. Quero poder buscar novas maneiras de lidar com os mesmos problemas; no campo pessoal ou profissional, isso é necessário, inclusive, para a sobrevivência da espécie, quando afirmou um dia certo filósofo.


29 de mar de 2012

ALGUNS DOS ERROS MAIS COMUNS EM REDAÇÕES ARGUMENTATIVAS


  • ·        Foco da proposta: é preciso concentrar-se na pergunta-chave que será respondida ao longo do texto;
  • ·        EXPOSIÇÃO dos dados estatísticos em detrimento da ARGUMENTAÇÃO. Dados podem ser usados na INTRODUÇÃO, para apresentar o tema, ou no desenvolvimento, para ILUSTRAR, mas não deve predominar a título de ARGUMENTOS;
  • ·        Não posicionar-se claramente, deixando a resolução para as autoridades ou para as pessoas envolvidas;
  • ·        Idéias extremadas, ser radicalmente contra ou radicalmente a favor, especialmente com temas polêmicos como aborto, legalização da maconha, gravidez, união de homossexuais;
  • ·        Fuga ao gênero textual sugerido. Fazer manifesto ou propaganda sobre determinado tema;
  • ·        Não empregar pseudônimo ou empregá-lo diferente do que foi indicado. Candidato pode ser eliminado, dependendo da banca;
  • ·        Expressões da fala em texto argumentativo como “já pensou?”, “gente, acorde!”, “bem”, “acertou em cheio”, “imagina só”;
  • ·        Introdução apresentando explicitamente o tema; o parágrafo introdutório deve apresentar o tema, dando pistas do que será tratado, ao leitor;
  • ·         “Ter” usado como “Haver”; “Tem muita gente que trabalha duro.” O certo é “Há muita gente que trabalha/Existe muita gente que trabalha duro.”
  • ·        Não abordar a posição contraposta à defendida; todo tema polêmico apresenta dupla versão;
  • ·        Chegar à conclusão sem ter desenvolvido ou aprofundado o tema;
  • ·        Uso de ONDE sem indicação de lugar.

PROPOSTA DE REDAÇÃO N.º 01/2012

A proposta a seguir rendeu muitas discussões, contrastes de opinião, mas - principalmente - demonstrou que a sociedade precisa debater mais esse tipo de assunto. Não somente porque os vestibulares podem cobrar do candidato, mas também por se tratar de uma temática inevitável em nossos dias. Foi aplicada em 05.03.2012, nas 03 turmas de pré-vestibular da CENTRAL DE CURSOS - CURRAIS NOVOS, com a adesão de 174 alunos, o que também exigiu muita disposição para corrigi-las. Disponibilizo-a para meus leitores.


(Clique para ampliar a imagem ou copie para o Word)

27 de mar de 2012

O CAMINHO DA SINTAXE NOS TERMOS DA ORAÇÃO

(CASSILDO SOUZA)

São termos da oração

O sujeito e o predicado

Sem eles não há conversa

Nada fica combinado

Eles são essenciais

Vamos deixar registrado.

O sujeito é o referente

Personagem principal

Todos falam sobre ele

É a palavra cabal

O predicado indica

Se o sujeito é bom ou mau.

Oração tem de ter verbo

Dela período se forma

Ele é simples ou composto

Temos de entender a norma

E cuidar na concordância

Se não ela se deforma.

O objeto direto

Complementa o sentido

Para que o verbo seja

Totalmente entendido

Pois na língua é condição

Poder ser compreendido.

A pessoa que conhece

Conhece algo ou alguém

Tem de colocar “o quê”

Tem de informar o “quem”

É o tal do objeto

Direto que nos convém.

O objeto indireto

Traz uma preposição:

Precisar de alguma coisa

Pertencer a uma seção

Interessar a alguém

Visar a uma ação.

Também são complementados

Alguns nomes abstratos

Complementos nominais

Como colheres e pratos

É caso de certeza

Que se insere nesses fatos.

Os adjuntos são dois:

Há os adverbiais

De tempo, modo, lugar

E os adnominais

Que marcam substantivos

É uma função a mais.

Vocativo é o chamado

Vem em qualquer posição

Começo. meio ou fim

E há a separação

É parecido com o aposto

Não pode haver confusão.

É que o aposto explica

O termo que veio antes

Muitas vezes com a vírgula

São detalhes importantes

Temos que ser conscientes

Escritores ou falantes.

Existe o predicativo

Que qualifica o sujeito

E também o objeto

Nos dois com o mesmo efeito

É somente observar

Para analisar direito.

O agente da passiva

É um termo diferente

Ele pratica a ação

Com sujeito paciente

Pois quando há voz passiva

Sujeito não é agente.

Isso foi período simples

Composto será à frente

É preciso ter cuidado

E organizar na mente

Cada verbo, uma oração

Estrutura diferente.

21 de mar de 2012

ENEM + UFRN = ?

Após ser noticiado, esta semana, que para o vestibular 2013, a UFRN pretende destinar 50% das vagas para serem selecionadas pela nota do ENEM, fiquei com uma pulga atrás da orelha, certa preocupação, visto que - apesar de a idéia do exame ser ótima - estruturalmente tem demonstrado falhas e, além disso, no meu entender o vestibular da UFRN tem um nível melhor, especialmente pelas provas discursivas aplicadas conforme as áreas escolhidas pelos candidatos.

As explicações para que a UFRN já adote metade das vagas no vestibular / 2013 (portanto, realizado ao final de 2012) e, integralmente, em 2014 me surpreendem pela fragilidade dos argumentos: diz a reitora Ângela Cruz "não podemos continuar sendo uma ilha na região" (nordeste). Se o motivo de selecionar alunos para o ensino superior for apenas este, desconheço a UFRN. Ser uma ilha na região não causaria nenhum problema caso fosse verificada a melhor qualidade do processo seletivo em relação às demais instituições.

Sabemos que o governo brasileiro tem, há algum tempo, "assediado" as universidades federais para a padronização do vestibular, inclusive com oferecimento de recursos financeiros em troca da adesão ao ENEM. A concepção de um exame criado para aferição de aprendizado modificou-se para se transformar numa grande seleção ao nível superior, mas o que não tem sido considerado é que as realidades de ensino num país continental como o Brasil são discrepantes, o que - em minha humilde visão - acaba por inviabilizar o exame tido como válido para todas as situações.

Em relação, especificamente, ao vestibular realizado pela UFRN/COMPERVE, as matérias discursivas têm sido preponderantes ao resultado final e à consequente classificação final dos candidatos. Sem as provas subjetivas, no entanto, sabendo-se que no ENEM são 180 questões exaustivas e todas objetivas, acaba havendo muito mais uma loteria ou uma prova de maratona do que propriamente uma premiação ao mérito do conhecimento. No caso da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, provavelmente a escolha dos candidatos melhores tende a acontecer de maneira mais justa.

Não me posiciono contra o ENEM; como já citei aqui, a proposta é boa, mas em nosso caso, temos um vestibular melhor, mais bem elaborado para a nossa realidade. Conteúdos que enfatizam o nosso Estado, especialmente em geografia e história, não serão abordados quando a seleção for pelo ENEM. Não dá para aceitar a explicação simplória de que vamos nos adequar ao Exame para não sermos mais "uma ilha na região". Teríamos de nos adequar ao que fosse, desde que a prioridade estivesse na qualidade da seleção, na boa estrutura do processo e na praticidade e facilidade oferecidas aos candidatos. Não se constituindo assim, a equação ENEM + UFRN não tende a ser solucionada com clareza.

12 de mar de 2012

ALINHANDO OS OPOSTOS (Cassildo Souza)

Trajetória-ilusão

O início-conclusão

Da estranha sensação.

O redondo aplainado

O espinho perfumado

Desse escuro-clarão.

E o direto-inverso

Quanto seco no molhado

Quanto cheio no vazio.

E o bondoso-perverso

Quanta emoção racional

Quanta cheia no estio.

E vida-morte sempre

O sofrer prazerosamente

Inicia o final.

A reta-torta se cansa

E o estático se lança

Nesse enigma-sinal.

11 de mar de 2012

VÍRGULA FACULTATIVA. E O SENTIDO?


“Vamos identificar todos os alunos, que se inscreveram” ou “todos os alunos que se inscreveram?”

Dúvidas sempre existirão nessas questões. Quando pôr a vírgula com pronome relativo, nas orações subordinadas adjetivas?

Algumas gramáticas abordam o assunto muito superficialmente, na seção de período composto, apenas afirmando que a vírgula é facultativa. O que elas não esclarecem é que o fato de empregar ou não a vírgula requer considerar sentidos diferentes. As recomendações gramaticais nos orientam – também – que no caso de ser posta a vírgula, a oração resultante será ADJETIVA EXPLICATIVA em oposição à ADJETIVA RESTRITIVA (quando não há vírgula). Mas o que essas duas orações têm de diferente?

Em Vamos identificar todos os alunos que se inscreveram, o caráter de restrição acontece porque, sem a vírgula, deve ser interpretado que só serão identificados aqueles alunos que se inscreveram, não se incluindo aqui, portanto, outros alunos que não tenham feito inscrição, mas cuja existência deve ser considerada. Daí a oração adjetiva ser denominada de RESTRITIVA, já que se limita o elemento qualificado (apenas os alunos “que se inscreveram”).

Agora observe a oração: Vamos identificar todos os alunos, que se inscreveram. A colocação da vírgula, no presente caso, deve ser entendida, primeiro, que todos os alunos em questão serão identificados e, segundo, que todos eles se inscreveram. A segunda parte da sentença é a explicação, a qual se configura pelo emprego da vírgula, justificando a nomenclatura ADJETIVA EXPLICATIVA.

Vejamos, assim, que apenas a “presença” da vírgula modifica o sentido dos períodos e é preciso ter cuidado em caso de exames, concursos e vestibulares, concebendo que – a despeito de ser conteúdo de natureza sintática – é a semântica o elemento a ser explorado aí, por se constituir no objeto principal em casos dessa natureza. Mesmo procedimento deverá adotado com outros pronomes relativos: "ONDE", "QUANTO", "QUEM", "CUJO". A sintaxe atua em favor do sentido, não sendo assim, o seu estudo tornar-se-ia irrelevante.