21 de jan de 2013

Quando o erro de digitação torna-se erro ortográfico


Trabalhando como professor de língua portuguesa para concursos e vestibulares há cerca de 6 anos, é pouco provável que nós cometamos erros primários de ortografia na hora de escrever um texto (o que sempre pode ocorrer, independentemente de quem seja o redator). No entanto, comigo e com outros escritores, isso ocorre mais do que se possa esperar. Nem sempre é por falta de domínio ao padrão ortográfico, mas – muitas vezes – pela digitação de uma letra de forma equivocada, o que ocorre cotidianamente. 

Vamos aos casos práticos. Quem observar um teclado de computador (em seus inúmeros modelos), perceberá que a letra “s” é vizinha do “z” e do “x”. A combinação de palavras escritas inadequadamente que isso pode provocar é gigantesca. Ao escrever “bazar”, alguém pode – evidentemente sem querer – tocar no “s” e acabar grafando “basar”, o que será motivo de questionamento para um leitor mais “antenado” ou “chato” no sentido de apontar o erro alheio. A palavra “espontâneo” é inúmeras vezes redigida como “expontâneo”,   e não sabemos se o seu redator quis produzi-la assim ou se pode ter sido vítima de um erro de digitação.

Outros casos práticos de erro ortográfico (ou de digitação) se verificam corriqueiramente: os vocábulos “expor”, “estender”, “expectativa”, “expectador” (que espera), “espectador” (que assiste, vê) são constantemente grafados trocando-se “s” por “z” ou “s” por “x” ou, ainda, “x” por “z”. Em sua maior parte, diríamos que como há dificuldade para muitas pessoas em representar graficamente as palavras (grosso modo, pois isso não é bem assim), o erro terá sido de ortografia. No entanto, eu mesmo, ao digitar meus textos, já cometi essas gafes por – na rapidez de meus dedos – bater numa tecla indevida e a palavra ficar totalmente comprometida. Várias certidões de nascimento trouxeram o nome “Luiz”, quando deveria ser “Luís”, “Teresinha” quando deveria ser “Terezinha”, e assim por diante.  

Casos envolvendo as letras “m” e “n” são muito comuns também, já que estão “coladas”,  no teclado. Conheço um amigo, cujo nome “William” teria normalmente um “m” ao final, que se chama Willian (Willian Pinheiro). É claro que isso não muda a maneira como se pronuncia o vocábulo, mas a primeiro momento parece estranho, como seria estranho considerarmos as palavras “albun”, “un", “conpra”. 

Ou seja, nem sempre há erro ortográfico pela convicção de quem redigiu; em muitos casos, a palavra ficou inadequada pela não observância na hora de escrevê-la no seu computador, Iphone, tablet ou o que quer que seja, neste mundo tão veloz e exigente.

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