28 de jul de 2013

OS CIDADÃOS TAMBÉM SÃO RESPONSÁVEIS PELA IMAGEM DE SUA NAÇÃO



Cassildo Souza

                                                  
Nos últimos tempos, tenho me desiludido de vez com o país, entendendo que este é formado de pessoas – não necessariamente bem intencionadas – as quais vêm contribuindo para que não achemos muita coisa de interessante por aqui. Tenho refletido bastante sobre o que pode ser bom aqui no Brasil. A eterna imagem do carnaval e do futebol como aspectos simbólicos de afirmação já não cola há algum tempo. Em outras instâncias essenciais ao desenvolvimento de uma nação, será que temos grandes exemplos de retidão? Temos pessoas que querem qualificar-se, educar-se, melhorar? Temos políticos sérios? Temos meios de comunicação isentos? Essas questões me perseguem ultimamente.

Começo respondendo à própria pergunta reflexiva do segmento anterior: temos, sim, alguns exemplos de retidão, temos pessoas que querem qualificar-se, educar-se, melhorar; se existem políticos sérios e meios de comunicação isentos, no mínimo percentual que seja, já tenho minhas dúvidas. O fato é que, mesmo admitindo que nem tudo está perdido, o que sobra de negativo tende a ser muito mais avassalador do que as raras exceções de conduta idônea que vamos observando ao longo dos tempos. Infelizmente, tais posturas duvidosas vêm não somente das autoridades políticas, mas de cidadãos comuns, de profissionais do serviço público e dos meios de comunicação. Envergonhamo-nos pela nossa reputação internacional, e ao mesmo tempo não contribuímos para que ela seja positiva.

Costumamos cobrar as mudanças de cima para baixo: o governo e o parlamento, em nossa concepção, devem ser exemplares – premissa com a qual concordo plenamente, mas ponderando que não somente esses níveis devem primar pela correção. Parece existir uma teoria segundo a qual se quem está no poder representativo age com honestidade, tudo se resolve. Sabemos que isso passa longe de ser verdadeiro. Não podemos individualizar as práticas. Temos que exigir, sim, honestidade dos políticos que nos representam, porque se estão lá, é para fazer valer o poder que lhes concedemos, além do mais recebem seus vencimentos do nosso bolso. No entanto, também não estamos – enquanto povo – livres de procedermos de mesma forma, para legitimarmos as nossas reivindicações. É contraditório dizermos que corrupção é crime, se ao fazermos uma transação comercial levamos vantagem sobre o nosso parceiro, de forma consciente.

Outros fatos me intrigam nesses questionamentos. Por que alguns grandes empresários, sonegadores de impostos e exploradores da mão de obra de milhares de trabalhadores, são geralmente esquecidos nas reivindicações por mudança? E os meios de comunicação, por que são eximidos dessa ética que tanto nos falta, para que sejamos uma nação no mínimo justa? Não podemos deixar de focar aqueles que nos representam pelo voto, mas também não podemos achar que os outros segmentos podem agir da forma que bem entenderem. É certo que, conforme presumimos, tudo é uma cadeia em que muitas vezes tais segmentos se entrelaçam com base num objetivo desonestamente comum. Os interesses pessoais são alimentados por trocas de favores que envolvem políticos, funcionários públicos, grandes redes de comunicação, grandes empresários de diversos setores. 

Não há mudança sem conscientização, mas ela precisa iniciar da consciência tranqüila, não apenas por puritanismo, mas porque todos são beneficiados quando todos se ajudam. Muitas vezes os louros chegam a ser até mais interessantes do que as migalhas que certos atos ilícitos proporcionam. Sabemos que, na rede de corrupção, também impera a lei do mais forte. Uma minoria fica com a parte do leão, e a minoria não passa de cobaias, pensando sempre nas “facilidades”, no descumprimento a uma obrigação, num resultado que além de irrisório contribui para um atraso grande no desenvolvimento. Atraso que começa pela nossa imagem diante dos outros países, pelas chacotas que fazem do Brasil quando se analisam nossa educação, saúde e segurança, especialmente. Somos responsáveis pela imagem do país onde vivemos e antes de sairmos às ruas para protestarmos – ato também garantido pelo Estado Democrático de Direito – pensemos nessas complexas questões.

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