21 de jul de 2014

O DEBATE DO FUTEBOL PODERIA SER LEVADO A OUTRAS ÁREAS


Cassildo Souza

Em um ano de Copa no Brasil, seria impossível imaginar que - independentemente do resultado - as pessoas não estivessem ainda discutindo questões relativas ao evento em si ou aos resultados da seleção com mais títulos na história do Torneio. Fico impressionado como nós, brasileiros, nos quais me incluo deliberadamente, temos disposição, interesse e capacidade de discutir sobre tais assuntos. Bom seria que tivéssemos essa mesma aptidão para discutirmos as áreas que interessam ao desenvolvimento da nação: saúde, transporte público, infraestrutura urbana, habitação, segurança e, especialmente, a educação.

Poderíamos aproveitar que nossas ideias estão aguçadas e travar um debate sobre segmentos que são fundamentais a nosso crescimento. Quando alguém posta algo sobre a educação numa rede social, logo surgem alguns comentários de uns "gatos pingados" sobre aquilo, mas a discussão se encerra rapidamente, como uma indicação de que temos coisas mais importantes a fazer. Quando publicam algo sobre quem será o novo técnico da seleção brasileira, os comentários e discussões parecem intermináveis. Repito, estou de certa forma incluído nisso. Adoro futebol. Mas tal fenômeno reflete um pouco da importância que damos ao crescimento geral da nação.

Precisamos conservar, sim, a cultura esportiva (em nosso caso, cultura futebolística, ainda que nem todos gostem). Foi bom termos realizado um evento que superasse as expectativas. Mas não podemos nos esquecer daquilo que realmente interfere para diminuir os índices de evasão escolar, do que ajuda a melhorar a infraestrutura urbana, a saúde, a habitação, a segurança pública. Devemos levar a outras áreas a nossa capacidade discursiva empregada para debater o futuro da seleção. Precisamos debater mais do que isso: o futuro do país. Precisamos debater com tanta consciência, a ponto de não cometermos equívocos na hora de convocar - em outubro - as peças que decidirão nossos anseios, sob pena de levarmos - fora de campo - uma goleada no estilo 7x1, como já tem ocorrido historicamente.  

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