17 de jun de 2014

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE TEXTOS DISSERTATIVOS


01. O que é um texto dissertativo-argumentativo?

É um texto que tem como base principal a opinião expressa através de argumentos. Os gêneros dessa natureza são os preferidos dos vestibulares. Compreende a DISSERTAÇÃO-ARGUMENTATIVA (que é uma abordagem mais geral), o ARTIGO DE OPINIÃO e A CARTA ARGUMENTATIVA. Os dois últimos passaram a ser bastante utilizados nos processos seletivos e são abordagens mais específicas. Desde 1998, o texto escolhido pelo ENEM é a DISSERTAÇÃO ARGUMENTATIVA EM PROSA (ou TEXTO ARGUMENTATIVO, ou, ainda, TEXTO DISSERTATIVO ARGUMENTATIVO).

02. Qual a diferença entre artigo de opinião e carta argumentativa?
A diferença entre eles, além da estrutural, está na função comunicativa de cada um. Enquanto um artigo é feito pensando-se em vários leitores, sem um direcionamento específico, a carta-argumentativa é produzida com um destinatário certo, conhecido. Por isso, as manifestações da linguagem são diferentes para cada um. A carta constitui uma espécie de diálogo entre emissor e receptor.

03. Quantos parágrafos deve conter um texto de natureza dissertativa?

A maioria dos alunos acha que um texto de cunho dissertativo só deva ter três parágrafos, o que não está totalmente correto. Pode conter a partir de três, compondo a estrutura introdução, desenvolvimento e conclusão, mas se considerarmos que o desenvolvimento poderá apresentar mais de um parágrafo, esse número varia. Tudo depende da maneira como o candidato organiza suas idéias na introdução. 

04. Que temas provavelmente cairão na redação do ENEM e vestibulares 2014?

A variedade de temas é muito grande. Algumas universidades tendem a cobrar mais alguns assuntos do que outros. Geralmente, aqueles que interessam à sociedade são os preferidos pelas bancas, incluindo-se a do ENEM. O importante é estar informado sobre tudo e preparado para seja qual for o tema escolhido. A FUVEST, por exemplo, escolhe temas bastante abstratos como o consumismo. Nos tópicos deste blog (lado direito) há uma lista de assuntos que podem ser objeto dos processos seletivos.

05. Que construções devem ser evitadas no desenvolvimento do texto?

Um dos aspectos avaliados pelos vestibulares é a originalidade do texto. Portanto, devem-se evitar expressões já conhecidas como “Desde os primórdios da humanidade”, “venho por meio desta”, “portanto, concluímos que”. Lembre-se de que o texto é seu e, logo, as palavras devem ser suas.

06. Qual a importância do título nas redações de vestibular?

Depende muito da banca. Tem-se observado que a falta do título numa DISSERTAÇÃO não influi na avaliação, mas no caso do ARTIGO, o título faz parte da formatação. Se o vestibular exigir o título, coloque-o, pois, nesse caso, a banca considera-o importante para a estrutura do texto. E não confunda TEMA com TÍTULO: enquanto aquele diz respeito, grosso modo, ao assunto, este é atribuído pelo aluno e funciona como um tipo de manchete para o que será tratado. O Enem cobra título em suas propostas de redação, ficando a critério do candidato a sua atribuição.

07. O que faz zerar a redação no ENEM e vestibulares?

Fugir ao tema ou ao gênero / tipologia textual, ou ainda se apresentar totalmente incompreensível. Por exemplo, se é solicitada uma dissertação argumentativa e o candidato produz uma narração, o texto não será considerado. Outro erro que faz eliminar o candidato é assinar a DISSERTAÇÃO. A partir do ENEM / 2013, dada a repercussão de alguns textos contendo trechos inviáveis, como hino do Palmeiras e receita de miojo (2012), foi acrescentado um item que anula a redação contendo trechos deliberadamente desconexos com o tema proposto. Ainda no caso do Enem, será considerado "insuficiente" o texto que contiver menos de 8 linhas.

08. Qual a estratégia mais eficiente para se melhorar em redação?

É uma pretensão dizer que alguém já esgotou as dúvidas em redação. Trata-se de um processo contínuo, em que a leitura é fator preponderante. Mas essa leitura precisa ser acompanhada de uma prática e deve ser realizada com consciência, pois o mau leitor dificilmente conseguirá ser um bom redator. Tudo precisa começar na escola, desde os primeiros anos de estudo.

09. Que tipos de texto devem ser lidos?

A variedade de gêneros ajuda muito, mas o conteúdo precisa ser consistente, precisa haver informações úteis e estrutura bem organizada. Podem-se ler os gêneros jornalísticos ou  literários, as charges, os quadrinhos, as tirinhas, etc. O importante é o contato constante com as palavras e com formas não-verbais.

10. É errado empregar exemplos para ilustrar os argumentos?

Não é errado, mas se os exemplos ilustram, eles hão de ser considerados acessórios e não principais. Não deve haver exagero. Encher o texto de exemplos, sem nenhuma relação contextual, prejudica mais do que ajuda na redação. O exagero não pode ser a marca registrada, deve haver equilíbrio, como tudo que se faz em nossa vida. 

11. O que fazer, caso erre uma palavra e queira corrigi-la?

A maioria das universidades orienta que seja riscada a palavra errada e colocada entre parênteses. Em seguida, o aluno deve escrever o vocábulo corrigido. Mas é bom deixar claro que isso não faz tanta diferença na hora de se avaliar o texto. 

12. Mitos que precisam ser desfeitos

Alguns candidatos se preocupam mais do que o normal quanto à formatação do texto. Por exemplo, o fato de se esquecer a data numa carta argumentativa ou o título no artigo não prejudica tanto como se pensa, o texto é analisado como um todo e casos desse tipo não influenciam na opinião do aluno. Rasuras ou erros não reincidentes não têm penalização na prova do ENEM.

Para a banca, o importante é haver compreensão e todos sabem da dificuldade que é escrever sob pressão. Não é como pegar a proposta, levar para casa e depois de uns dias entregá-la. Tudo deve ocorrer naquela hora e isso, é claro, não é uma situação corriqueira.

A expressão "no registro culto da língua" faz os vestibulandos pensarem que devem utilizar as palavras mais complexas do dicionário. Outro pensamento equivocado. Apenas se orienta que o candidato não cometa erros gramaticais e evite coloquialismos. A escolha das palavras é altamente subjetiva, é de autonomia de quem escreve o texto, desde que adequada à situação comunicativa. 

13. O que é pseudônimo?

Quase todo mundo ouve esse nome, mas alguns ainda não conseguem saber o que significa. Trata-se de um nome fictício, que as bancas indicam para os candidatos assinarem o seu texto: Artigo de Opinião ou Carta-argumentativa. Esse nome serve para compor a formatação do gênero textual indicado e, principalmente, para que o aluno não seja identificado, já que o processo seletivo vestibular é bastante sério. O aluno que esquecer o pseudônimo é penalizado, mas não zera a redação. No entanto, àquele que puser o nome original será atribuída a nota zero.Geralmente o pseudônimo é formado por dois substantivos, um próprio e outro comum. Por exemplo: Gil Potiguar, Juraci Poti, Fernando Rio, etc. No caso da redação do ENEM, não há assinatura nem mesmo com pseudônimo. É bom ficar atento a esse detalhe.

14. O que é texto em prosa?

De uns tempos para cá, os vestibulares resolveram indicar nas propostas de redação que se deve escrevê-la na linguagem habitual, com a estrutura a que estamos acostumados, ou seja, com parágrafos e linhas até o final da folha ou, simplesmente, TEXTO EM PROSA. Como as pessoas, à maioria das vezes, não sabem diferenciar PROSA e VERSO, acabam confundindo-se e escrevendo a redação em estrofes. Saiba que essa orientação mais atrapalha do que ajuda, mas serve para exigir que, caso o candidato escreva o texto em ESTROFES, com rimas e versos, estará eliminado do processo seletivo. Então, para não complicar, basta compreender que o texto deve ser escrito sem rimas, sem a estrutura de um poema. Não vamos zerar a redação só por causa desse detalhe.

16 de jun de 2014

ÍNTERIM


Fico brigando comigo mesmo, certas horas, perguntando-me se vale mesmo a pena entrar em tantos méritos, discutir certas questões. Na maioria das vezes, a intencionalidade do questionador é distorcida, até invertida, como se aquilo que teoricamente justifica as indagações fosse motivo para escândalo. Escandalizados geralmente ficam aqueles que temem agir adequadamente e preferencialmente em torno do coletivo.

Devo-me recolher para certos temas. O corporativismo deliberado, complacente com o que não contribui para o crescimento geral, é o que impera nos dias atuais. É muito mais fácil defender aquilo que não convém, por estar ligado a indivíduos da convivência, do que - independentemente de quem se trate - fazer aquilo que a razão determinaria como mais viável para um grupo. Essa norma não me disponho a seguir, mas - a partir de agora - também me isentarei de "reprovar" seus discípulos. 

Afinal, eu não tenho nada a ver com isso, não é mesmo? Tem-se que ajustar-se a certas normas, para viver bem: contraditoriamente, não àquelas normas que privilegiam um grupo social; mas a certos códigos, ilegítimos, que dizem respeito às idiossincrasias de certos indivíduos. Deixe que eles ajam como quiserem, afinal são donos de si, alguns até "donos da verdade", e eu não ousaria questioná-los mais do que já o fiz. Limitarei-me a posicionar-me sobre assuntos que envolvem linguagens.

Até quando a trégua? Não sei. Minha natureza é muito dinâmica, sou mesmo imprevisível, mas nunca hipócrita.

PROVA EDITAL N.º 06/2014-REITORIA/IFRN (FUNCERN) 15.06.2014 (Língua Portuguesa)


01. RESPOSTA:"A". Os trechos "A culpa é de quem? Da sociedade, que cultua certos detalhes..." (3.º   parágrafo) e "Quanto mais sadia uma sociedade, mais sadias as pessoas." (último parágrafo) mostram que o autor defende o combate a certos valores que a sociedade alimenta.


02. RESPOSTA:"B". Fica evidente, no texto, que o foco são os valores da sociedade. Desfocaliza-se o papel de pais e escola, grupos normalmente responsabilizados pelos desmandos sociais. O segmento "Não se culpe, indagando onde você errou como professor ou pai. Pergunte-se pelos valores da sociedade em que vive." comprova esse desfoque. 

03. RESPOSTA:"A". Apesar de abordar com preocupação os problemas, o autor tem esperança de que a sociedade possa mudar tais valores, apresentando condições para essa superação. O trecho final deixa isso claro: "Quanto mais sadia uma sociedade, mais sadias as pessoas. Mas, para isso, são necessários valores e o fim da exclusão social."

04. RESPOSTA:"D". Necessário perceber que existe aqui o texto do autor e texto de terceiros (marcado por aspas). Ao flexionar-se o pronome "ele", todos os verbos e outros termos que o retomam são flexionados. Então, "...eles caem", "eles", "inteligentes", "os", "uns adultos precoces", "lhes". No entanto, os termos que se refere a "família" (singular), continuarão no singular, já que o termo não está sendo flexionado: "pergunta", "confundiu", "considerou", "deixou". Questão que envolve termos da oração e concordância verbo-nominal. 

05. RESPOSTA:"C". Nos 3 últimos períodos, o sujeito é elíptico (não citado), sendo possível percebê-lo apenas pelos verbos "mergulha", "passa", "tem". Coesão por elipse, quando um termo já citado ("a criança ou o adolescente) é retirado, mas pela construção anterior é possível identificá-lo. Neste caso específico, os 3 últimos períodos são compreendidos por causa da construção do primeiro.


06. RESPOSTA:"A". O segundo segmento indica CAUSA, já que estabelece motivos pelos os quais as drogas são utilizadas. O segmento n.º 03 indica uma CONCLUSÃO a respeito do que se disse anteriormente, podendo-se até trocar o ponto-final por uma conjunção equivalente, como "portanto", "por isso", "logo". Questão que alia conhecimento gramatical (articuladores sintáticos) à semântica (sentido que se produz por essa articulação). 

07. RESPOSTA:"D". Tanto a conjunção "contudo" quanto o adjunto adverbial "num mundo regido pela competitividade" apresentam-se de forma intercalada. Se assim estão, ficam - OBRIGATORIAMENTE - entre vírgulas (ou travessões). Usam-se, portanto, vírgulas antes e depois dos termos, nessas condições. 

08. RESPOSTA:"A". A forma verbal "há" está na 3.ª pessoa do singular de "haver", e - com ideia de "existir"- sempre ficará no singular. No entanto, ao substituir-se "haver" por "existir", passa-se a admitir a flexão, concordando-se com o termo seguinte ("pais"). A forma verbal correta seria "existem".

09. RESPOSTA:"B". Questão que envolve as funções do "SE". Então, vamos observar. A alternativa "A" afirma que o segundo elemento é partícula apassivadora, no entanto se trata de parte integrante do verbo "tornar-se", como em "compadecer-se", "suicidar-se", "referir-se"; a alternativa "C" afirma que terceiro elemento é partícula expletiva (termo de realce, dispensável), mas se trata de partícula apassivadora (VTD + SE, podendo-se transformar em "O sonho é congelado"); a opção "D" acerta em afirmar que o pronome é oblíquo, mas a voz é "reflexiva" e não "passiva". Na "B", a voz é reflexiva, pois o "se" representa, como pronome oblíquo, tanto sujeito (realiza a ação de "dar") quando objeto indireto ("a quem" se dá a importância, neste caso, a si próprio). 

10. RESPOSTA:"B". Claramente o sentido do verbo "congelar" não é literal, de dicionário. Há uma metáfora e, portanto, o sentido é "figurado" (de figuras de linguagem), tecnicamente sentido CONOTATIVO. 


11. RESPOSTA: "A". Verbos com regências diferentes: enquanto "Considerou-o" é VTD (considerou "o quê?") - sendo "o" classificado como OD - a forma "dar-lhe atenção, colo, carinho" tem dupla regência, sendo classificado como VTDI (dar "o quê?" (atenção, colo, carinho), "a quem?" (lhe = a alguém)). Questão que envolve sintaxe da oração e do período.

12. RESPOSTA:"C". Questão clara de SINONÍMIA. "perplexa" significa, no contexto, "atônita"; "precoce", por sua vez, entende-se como "prematuro". Simples de acertar.

13. RESPOSTA:"D". Para se compreender CRASE, há de se compreender, preliminarmente, regência verbo-nominal. No período do enunciado, há um VTI (corresponder "a quê?") que, por trazer a preposição "a", exige o acento de crase ao juntar-se ao artigo "a" de "expectativa". O mesmo ocorrerá em "dirigiu-se a" cuja preposição, também se juntando ao artigo "a" de filha, exige o emprego do acento grave.

14. RESPOSTA:"A".  Questão de correspondência oficial. Na situação exposta, a finalidade do documento deve ser a de "solicitar providência para a realização de atividade acadêmica". A presente questão condiciona a resposta da questão seguinte, como veremos.

15. RESPOSTA:"B". A diferença entre Ofício e Memorando está exatamente no fato de que o primeiro é emitido externamente, entre instituições diferentes; já o segundo, mais ou menos com as mesmas características do primeiro, é utilizado internamente, entre seções de uma mesma instituição: DIRETORIA ACADÊMICA DE INDÚSTRIA e a aquela que providenciaria os trâmites burocráticos, provavelmente a DIRETORIA ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA ou algo do tipo. 

15 de jun de 2014

O ENEM será decidido - contra ou a favor - neste período da Copa do Mundo.


8 de jun de 2014

A CULPA É DE TODOS!


Vivemos num país em onde:
- funcionários públicos enrolam o serviço;
- alunos desrespeitam os professores;
- professores não sabem escrever;
- as pessoas resolvem tudo na violência física;
- confundem-se protestos com vandalismo;
- "o meu partido é sempre o mais correto";
- a corrupção é incentivada desde a escola, com as "colas";
- pessoas vão para as igrejas e, ao saírem, esquecem-se de tudo que elas mesmas pregam como correto;
- vota-se por beleza, amizade ou parentesco;
- médicos dão atestados falsos;
- menores de idade "deitam" e "rolam";
- pessoas não querem estudar, preferindo as "baladas" aos ensinamentos;
- pais não cuidam de seus filhos, entregando-os à própria sorte;
- reunião escolar é considerada uma "besteira";
- Imprensa é tendenciosa;
- um ano normal só inicia depois do carnaval, e um ano atípico só inicia depois da copa.

Depois ainda dizemos que tudo o que ocorre é culpa EXCLUSIVA dos políticos. Eles têm muita culpa, sim, de várias coisas, mas as citadas acima - em sua maioria - dependem exclusivamente do chamado "cidadão comum". Perdoem-me a generalização, mas - infelizmente - a realidade é mais dura do que parece.

TORCEREI, SIM, PELA SELEÇÃO BRASILEIRA!




O fato de o Brasil estar mal fora dos gramados (na saúde, educação, segurança, saneamento básico, infraestrutura) não significa - em meu entender - motivo para torcer contra a Seleção Brasileira. Quem torcerá contra e alega isso, já torceria contra do mesmo jeito ou se trata de pessoas que não gostam de futebol. São as mesmas que no dia das Eleições não se manifestarão contrariamente aos verdadeiros culpados por essa bagunça e os manterão lá, por mais uma copa do mundo. 

Separar as coisas é necessário. Torcer é espontâneo e não quer dizer, jamais, que por causa disso nos esqueceremos dos desmandos do Brasil. Eles sempre existiram com Copa ou sem Copa, lembram?

Apoio todas as manifestações (vejam bem: MANIFESTAÇÕES, não baderna) em prol de uma nação melhor, mas NUNCA crucificaria os esportistas - muitos deles de origem extremamente humilde e que, como numa loteria, realizaram seus sonhos - por causa dos descasos de 514 anos.

Torcerei, sim, pelo Brasil, porque sempre fiz isso, independentemente de onde o evento seja realizado.