5 de mar de 2015

EU SOU UM CARA FELIZ!


Eu - mal iniciou o ano letivo - fiquei pensando nesta primeira semana onde eu estaria caso não estivesse numa escola, ao lado dos vários colegas, recebendo os alunos novos e veteranos, testemunhando a movimentação habitual de um ambiente que me convida insistentemente até mesmo nas férias. Estaria numa sala trancada, burocratizando algum documento? Estaria gerenciando alguma loja de eletrodomésticos ou de confecções projetando e tentando atingir metas? Num banco, contando cédulas? Na praça de táxi ou de mototáxi transportando a população? Construindo casas? 

Não sei.Fiquei matutando sobre isso e me bateu uma sensação estranha: uma sensação de pensar que nenhuma daquelas funções alheias a que eu ocupo combina com minhas habilidades. É como se eu - por algum motivo indefinido - deixando de ser professor, ficasse sem ter o que fazer, vagando em busca de uma função apenas para sobreviver materialmente. Sim, "apenas materialmente", porque como professor eu não trabalho somente para sobreviver materialmente. Eu atuo para sobreviver espiritualmente, ainda que por muitas vezes eu tenha questionado meu próprio desempenho para tal missão. faz parte do pacote.

Evidentemente, eu não encontrei a resposta. Simplesmente porque não preciso encontrar a resposta. A que interessa saber o que eu seria, se eu já sou o que eu sempre quis ser? Quantas vezes não recebi conselhos para mudar de profissão, para "sair dessa vida", como se estar em sala de aula fosse equivalente a estar cometendo um crime semelhante ao narcotráfico. Coisas da sociedade hipócrita brasileira. "Você é muito inteligente, procure outra coisa". "Seu potencial é tão grande, você tem certeza que quer isso para você?" E outras frases que, não sendo levadas em consideração, confirmam a minha sina - no melhor sentido da palavra - para conviver constantemente com alunos de quase todas as idades: dos 10, 11 anos até a idade adulta, em turmas para concursos.

Problemas. Estresses. Broncas. Qual profissão não os tem? Mas o fato é que todos os anos tenho podido analisar o processo por completo e verificar um saldo espetacularmente positivo que me confirma - à beira dos 37 anos - ter feito a escolha adequada. Os ambientes da escola, ainda mais sendo a EETB - Escola Estadual Tristão de Barros, atraem-me, chamam-me a continuar lá, ensinando, aprendendo, convivendo, atingindo objetivos e tentando explicar outros não alcançados. Isto é a minha cara, meu significado. O resto é especulação!

Eu sou um cara feliz!


Cassildo Gomes Rodrigues de Souza

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