5 de jul de 2015

REDES SOCIAIS REVELAM APENAS O QUE AS PESSOAS SÃO, AINDA QUE DISFARCEM



Todos somos marionetes das redes sociais. Eu falei 'somos', o que me inclui, antes de qualquer interpretação errônea sobre eu querer julgar o comportamento alheio. Hoje praticamente ninguém mais vive sem essas ferramentas que se apresentam com dualidade a nosso dispor. Sem negar sua imensurável contribuição para o avanço da informação, o problema é que as temos usado para despejar–lhes todas as nossas faces ocultas - que agora deixam de sê-lo - para revelar que na verdade seres humanos são muito complicados.
Propagação do ódio, rancor, ostentação – coisa típica daqueles que querem provar algo às pessoas -, calúnias, mentiras, discussões fúteis e inúteis: uma radiografia do que ocorre cotidianamente por aqui. Vivemos o auge dessas ferramentas, o que já nos leva a não estranhar tanto esses comportamentos. Na fase inicial desses ambientes virtuais, acreditávamos que as pessoas os empregavam para demonstrar algo que de fato não fossem. Hoje, percebemos a rede como um refúgio que abriga todos os desabafos, o lado questionável e obscuro dos humanos, as imbecilidades dos indivíduos. Legitimam personalidades.
O fato de revelar quem as pessoas realmente são não nos tira a possibilidade de notar uma ousadia maior dos usuários quando estão conectados, visto que é teoricamente mais fácil ser “sincero” estando do outro lado, sem o contato cara a cara com seu interlocutor. Desse modo, ainda que as redes não consigam mascarar o que existe em seus participantes, acabam funcionando – também – como um mecanismo encorajador para se publicar as vontades, as antipatias e as calúnias que não seriam veiculadas em caso de contato presencial. Assim, acaba sendo também um ambiente propício para os covardes. Eles estão por toda a parte, principalmente aqui.
O fato é que não podemos – e não devemos, em meu entender – negar as redes sociais ou desejar o seu fim. Seria um retrocesso, visto que a concepção inicial desse tipo de ambiente é o da socialização, da propagação de ideias relevantes, das opiniões livres de censura e de conhecimento também. Não é concebível culpar a internet pelas mazelas que os seres humanos criaram. Em determinado momento é impossível disfarçar o verdadeiro caráter de quem está por trás de um celular, tablet, computador. Queremos otimizar a rede? Então, comecemos por otimizar as pessoas, tarefa quase impossível nas condições atuais.

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