
Alheio às apelações comerciais ou midiáticas que se vêem nesta data, compreendo o momento como propício à reflexão sobre o que essa classe social historicamente marcada por martírios de diversas naturezas já enfrentou. Muitos direitos antes reprimidos se converteram em realidade, e as sociedades é que ganharam grandes aliadas na construção de sua identidade. Hoje, sabemos, sem a presença ativa da mulher nos mais variados segmentos, a civilização humana provavelmente se encontraria em pior situação.
Exemplos como não votar, não escolher o seu companheiro, não poder trabalhar só ilustram o quanto as vitórias foram significativas ao longo desse tempo. Sou testemunha viva de que as mulheres são especialmente competentes em suas atribuições, já que em minha trajetória profissional sempre estive mais próximo delas do que de homens. Além de mães, irmãs, esposas, tias, avós, filhas, hoje elas são - não apenas professoras e secretárias - mas também delegadas, taxistas, magistradas, contadoras, advogadas, engenheiras, frentistas, prefeitas, parlamentares, empresárias, cantoras, médicas, enfermeiras, reitoras universitárias. Hoje elas são governadoras e presidentas, para interromper a infinita lista de atribuições que lhes são confiadas.
É dia, sim, de comemorar. Ainda temos injustiças, é verdade, elas em média ganham menos do que nós. Ainda é necessário existir a Lei "Maria da Penha" para se coibir a violência contra si, o que também não deixa de ser uma conquista. São vistas como sinônimo de exposição sensual e de satisfação física por alguns. Mas, se conseguiram superar traumas maiores, se estão assumindo compromissos da mais alta complexidade, essa diferença se compensará brevemente. A vocês, apresento meus agradecimentos e vislumbro um futuro em que o Dia da Mulher será bem mais que uma simbologia barata e comercial.