Cassildo Souza

Cassildo Souza

12/03/2012

ALINHANDO OS OPOSTOS (Cassildo Souza)

Trajetória-ilusão

O início-conclusão

Da estranha sensação.

O redondo aplainado

O espinho perfumado

Desse escuro-clarão.

E o direto-inverso

Quanto seco no molhado

Quanto cheio no vazio.

E o bondoso-perverso

Quanta emoção racional

Quanta cheia no estio.

E vida-morte sempre

O sofrer prazerosamente

Inicia o final.

A reta-torta se cansa

E o estático se lança

Nesse enigma-sinal.

11/03/2012

VÍRGULA FACULTATIVA. E O SENTIDO?


“Vamos identificar todos os alunos, que se inscreveram” ou “todos os alunos que se inscreveram?”

Dúvidas sempre existirão nessas questões. Quando pôr a vírgula com pronome relativo, nas orações subordinadas adjetivas?

Algumas gramáticas abordam o assunto muito superficialmente, na seção de período composto, apenas afirmando que a vírgula é facultativa. O que elas não esclarecem é que o fato de empregar ou não a vírgula requer considerar sentidos diferentes. As recomendações gramaticais nos orientam – também – que no caso de ser posta a vírgula, a oração resultante será ADJETIVA EXPLICATIVA em oposição à ADJETIVA RESTRITIVA (quando não há vírgula). Mas o que essas duas orações têm de diferente?

Em Vamos identificar todos os alunos que se inscreveram, o caráter de restrição acontece porque, sem a vírgula, deve ser interpretado que só serão identificados aqueles alunos que se inscreveram, não se incluindo aqui, portanto, outros alunos que não tenham feito inscrição, mas cuja existência deve ser considerada. Daí a oração adjetiva ser denominada de RESTRITIVA, já que se limita o elemento qualificado (apenas os alunos “que se inscreveram”).

Agora observe a oração: Vamos identificar todos os alunos, que se inscreveram. A colocação da vírgula, no presente caso, deve ser entendida, primeiro, que todos os alunos em questão serão identificados e, segundo, que todos eles se inscreveram. A segunda parte da sentença é a explicação, a qual se configura pelo emprego da vírgula, justificando a nomenclatura ADJETIVA EXPLICATIVA.

Vejamos, assim, que apenas a “presença” da vírgula modifica o sentido dos períodos e é preciso ter cuidado em caso de exames, concursos e vestibulares, concebendo que – a despeito de ser conteúdo de natureza sintática – é a semântica o elemento a ser explorado aí, por se constituir no objeto principal em casos dessa natureza. Mesmo procedimento deverá adotado com outros pronomes relativos: "ONDE", "QUANTO", "QUEM", "CUJO". A sintaxe atua em favor do sentido, não sendo assim, o seu estudo tornar-se-ia irrelevante.

08/03/2012

DIA INTERNACIONAL DA MULHER, QUE SEJA MAIS QUE UM SÍMBOLO


Incomoda-me um pouco querer escrever sobre algo e as ideias não virem em seu primeiro momento. Quem gosta de escrever, ainda que de maneira ingênua, tem uma obrigação consigo próprio para expressar suas sensações, mas - além disso - sente-se no dever de abordar os assuntos que se fazem oportunos, como é o caso, nesta data, do Dia Internacional da Mulher. Fiquei martelando e por aqui me arrisco, já que o momento - embora não seja favorável à escrita - é tendencioso à homenagem.

Alheio às apelações comerciais ou midiáticas que se vêem nesta data, compreendo o momento como propício à reflexão sobre o que essa classe social historicamente marcada por martírios de diversas naturezas já enfrentou. Muitos direitos antes reprimidos se converteram em realidade, e as sociedades é que ganharam grandes aliadas na construção de sua identidade. Hoje, sabemos, sem a presença ativa da mulher nos mais variados segmentos, a civilização humana provavelmente se encontraria em pior situação.

Exemplos como não votar, não escolher o seu companheiro, não poder trabalhar só ilustram o quanto as vitórias foram significativas ao longo desse tempo. Sou testemunha viva de que as mulheres são especialmente competentes em suas atribuições, já que em minha trajetória profissional sempre estive mais próximo delas do que de homens. Além de mães, irmãs, esposas, tias, avós, filhas, hoje elas são - não apenas professoras e secretárias - mas também delegadas, taxistas, magistradas, contadoras, advogadas, engenheiras, frentistas, prefeitas, parlamentares, empresárias, cantoras, médicas, enfermeiras, reitoras universitárias. Hoje elas são governadoras e presidentas, para interromper a infinita lista de atribuições que lhes são confiadas.

É dia, sim, de comemorar. Ainda temos injustiças, é verdade, elas em média ganham menos do que nós. Ainda é necessário existir a Lei "Maria da Penha" para se coibir a violência contra si, o que também não deixa de ser uma conquista. São vistas como sinônimo de exposição sensual e de satisfação física por alguns. Mas, se conseguiram superar traumas maiores, se estão assumindo compromissos da mais alta complexidade, essa diferença se compensará brevemente. A vocês, apresento meus agradecimentos e vislumbro um futuro em que o Dia da Mulher será bem mais que uma simbologia barata e comercial.

04/03/2012

EXPRESSÕES ANGLICANAS USADAS EM PORTUGUÊS

A língua inglesa, inevitavelmente, tomou conta do mundo faz tempo. A proliferação é tão grande que muitas das palavras / siglas que utilizamos não nos conhecidas como fazendo parte daquele idioma. A seguir, relacionamos alguns desses vocábulos / expressões:

CPU = Central Processing Unit (Unidade Central de Processamento);

CD = Compact Disc (Disco Compacto);

DVD = Digital Versatile Disc (Disco Versátil Digital);

E-mail = Eletronic Mail (Correio Eletrônico);

MSN = Messenger (Messenger);

PC = Personal Computer (Computador Pessoal);

RAM = Random Access Memory (Memória de Acesso Aleatório);

ROM = Read Only Memory (Memória apenas de Leitura);

SMART PHONE = Fone Inteligente;

VIP = Very Important Person (Pessoa Muito Importante);

WWW = World Wide Web (Rede / Teia de Alcance Mundial).

03/03/2012

EXERCÍCIOS REFERENTES ÀS PRIMEIRAS AULAS DOS CURSINHOS

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

01. Nos textos a seguir, responda quais são os seus possíveis leitores preferenciais. Justifique a resposta.

O PRIMO DAS SELVAS

Análise do genoma do chimpanzé mostra com precisão onde está seu parentesco com o homem

Patrocinada com uma verba de 25 milhões de dólares do governo americano, uma equipe de 67 pesquisadores de várias nacionalidades dedicou os últimos anos a uma tarefa complexa: analisar e decifrar o código genético do chimpanzé, o parente mais próximo do ser humano na árvore evolucionária. O resultado, divulgado na semana passada, representa um importante passo para responder a uma das questões cruciais da biologia: o que nos faz humanos? Depois de mapeado, o DNA do chimpanzé foi comparado, gene por gene, com o genoma humano. A conclusão foi que as duas espécies compartilham 96% de seu código genético. Como boa parcela dos 4% restantes se encontra em partes do genoma aparentemente sem função, os cientistas acreditam que a diferença se concentra em apenas 1% do material genético – uma diferença dez vezes maior que a existente entre dois seres humanos.

(VEJA, agosto, 2005).

Representantes de 190 países acordaram ontem, na Indonésia, diretrizes para um novo regime político contra o aquecimento global. O chamado “mapa do caminho de Bali”, festejado por diplomatas e visto com ceticismo por ambientalistas, foi aceito no encerramento da 13a Conferência do Clima (COP-13). Frente à resistência por ações concretas, o resultado é histórico.

(Cristina Amorim. O Estado de S. Paulo, 16 de dezembro de 2007)

02. Leia os dois versos iniciais do Hino Nacional Brasileiro:

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante

(Osório Duque Estrada)

a) Baseando-se em duas características próprias do sujeito, explique por que, nesses versos, o termo “de um povo heróico” não está exercendo esta função sintática.

b) Qual é o sujeito de ouviram?

c) Escreva o trecho na ordem direta.

RESPOSTAS:

01. a): O texto teria como leitores preferenciais os cientistas, biólogos, evolucionistas e pesquisadores em geral; b) Este trecho teria os ambientalistas, chefes de estados e geógrafos como leitores preferenciais.

02. a) Em primeiro lugar, o termo “de um povo heróico” está no singular e o verbo da oração está no plural; além disso, o termo é preposicionado o que também não configura caso de sujeito, já que este nunca é acompanhado da preposição; b) “As margens plácidas do Ipiranga”; c) “As margens plácidas do Ipiranga ouviram um brado retumbante de um povo heróico”.