17 de fev de 2012

Abreviações sempre existiram


Sou daqueles que olham com desconfiança o fato de praticamente tudo hoje em dia, na linguagem escrita, ser feito de maneira reduzida. As tão famosas abreviações das redes sociais têm provocado reações diferentes, desde o início de sua proliferação, inclusive com minha aderência. Interessantemente, contudo, ainda que questionemos essas formas, haveremos de concordar que há certa padronização por parte dos usuários das tecnologias virtuais, como historicamente ocorreu em outros tipos de redução de palavras.
O fato é que as abreviações, abreviaturas e siglas na língua não vêm de hoje. Em todos os dicionários, são colocadas legendas para indicar o significado de determinada forma reduzida que porventura tenha aparecido. Como exemplo das abreviaturas, temos Cel. para Coronel, s.f. e s.m, respectivamente para substantivo feminino e substantivo masculino, v. para verbo e assim por diante. Constituem uma maneira de reduzir tempo e espaço, não se deixando – porém – de dar clareza quanto ao signo, pelo fato de se indicar, no início da publicação, o sentido de cada um dos termos.
Não devemos confundir abreviatura e abreviação. A segunda trata-se de uma redução vocabular, também com a idéia de tornar mais prática a comunicação. São os casos conhecidíssimos de Cida para Aparecida; moto para motocicleta; pneu para pneumático, entre outros exemplos. Em inglês, língua mais falada no mundo, também existem abreviações: gym, de gymnastics (academia de ginástica) ; math para mathmatics (matemática); Will para William; Mike, de Michael etc, fazendo-nos refletir que tal prática demonstra o desejo que os usuários têm de se utilizar da língua com maior praticidade e rapidez.
As siglas também servem para ilustrar a presente questão. É muito mais pragmático e rápido dizer ONU do que Organização das Nações Unidas. Muito mais interessante escrever PC do que Computador Pessoal (Personal Computer) ou CPU em lugar de Unidade Central de Processamento (Central Processing Unit). Como as siglas ficam conhecidas com o tempo, escrevê-las se torna muito mais cômodo do que utilizar a nomenclatura completa e original. O que acontece nas redes sociais nada mais é do que a continuidade – em outra dimensão – daquilo que sempre fizemos: diminuir as palavras para ganharmos tempo. As rubricas representariam nossa assinatura com tal padrão, confirmando esse velho hábito.
Não queremos fazer apologias ao exagero. As reduções, abreviaturas, rubricas existem para momentos específicos. Talvez nisso exista uma diferença com o caso das tecnologias sociais, mas é compreensível que todos procurem gastar o menor tempo possível comunicando o máximo que puderem. Não podemos radicalizar nem para um lado nem para o outro, visto que a língua continuará sendo essa complexidade que alimenta polêmicas e discussões; nunca apresentará consenso. Melhor que tentar explicá-la é exercê-la, espontaneamente, com a consciência das várias situações que exigem posturas lingüísticas diferentes. Afinal, abreviações sempre existiram, e com a proliferação dos mecanismos virtuais, elas simplesmente tornaram-se mais evidentes.

2 comentários:

Mike Santos disse...

Aê Cassildo, sempre tô vendo seus posts, me ajudam muito mesmo. É bom saber que alguém com uma grandiosa sabedoria como a sua pode compartilhar com os outros. Abçs.

CASSILDO SOUZA disse...

Obrigado, cara. Continue acessando, pois temos muito conteúdo mesmo postado aqui, desde nov/2008. Temos um espaço para buscas à direita do blog, sobre os assuntos mais pedidos. Grande abraço!