25 de ago de 2013

A SOCIEDADE PRECISA DEMONSTRAR INTERESSE PELA EDUCAÇÃO


Já sabemos que as autoridades não querem ouvir falar sobre educação de qualidade; isso é secular e bem clichê. O problema é que, à medida do passar do tempo, percebemos também uma falta de interesse da população para as poucas oportunidades que o país tem oferecido. Reclamamos sempre da falta de investimento estatal nessa área (o que é totalmente verídico), mas - ainda quando existem políticas interessantes - muitos acabam preterindo-as em detrimento de outras atividades, nem sempre compensadoras no futuro.

Fico observando alguns jovens que acham politicamente correto "gritar" pela educação, pelo preenchimento das vagas de professores das disciplinas ainda não ocupadas, por uma escola decente (estão mais do que no seu direito). O problema não está aí, de maneira alguma. Ocorre que grande parte desses mesmos cidadãos não cumpre suas obrigações escolares, quando preciso, não colabora com os professores que estão atuando regularmente e acha extremamente chato raciocinar ou buscar leituras essenciais a seu bom rendimento. São revolucionários de uma causa da qual eles mesmos preferem sempre fugir. Contradição?

Nessa mesma linha, vejo pessoas da sociedade civil, incluindo grandes empresários, patrocinarem de forma maciça alguns eventos esportivos ou de entretenimento, baladas com grandes artistas, pancadões, dentre outras festividades, alguma delas até incentivando o alcoolismo precoce, desviando o foco da juventude. Em alguns casos, são aqueles que, ao serem solicitados para colaborar com uma atividade educacional, alegam falta de recursos ou, em outras situações, afirmam que tal obrigação é do governo, não da iniciativa privada. Ou seja, constituem parte de uma sociedade que sempre considera o investimento em educação como qualquer coisa que não lhe pertence ou que não lhe trará benefícios concretos, visto que os resultados tendem a vir apenas a longo prazo.

Alguns pais, por incrível que pareça, também têm sua parte nesse desinteresse: alimentam nos filhos a falta de importância que para eles caracteriza a escola. Não hesitam em levar os meninos para um final de semana diferente, desconsiderando uma aula da sexta-feira, por exemplo, sempre na mentalidade de que a escola sempre "dará um jeitinho" de sanar a situação. Pais que nunca vão a uma reunião, seja para entrega de notas, seja para abordar assuntos disciplinares. Pais que confundem a função da escola com a função da família. Os próprios - em épocas posteriores - estarão arrependidos pela superproteção que provocaram. Não priorizaram a educação, nem em casa nem na instituição escolar.

Tendemos a trocar o estudo pelas comemorações eternas que o país vive, baseado ninguém sabe em quê; tendemos a achar que a educação sempre pode esperar e não percebemos que, assim, estamos fazendo o jogo das autoridades, isso é ótimo para os políticos que não sonham em ver um país maduro intelectualmente. Apoiamo-nos numa teoria esdrúxula segundo a qual a educação deve ser sempre prazerosa e nunca baseada na necessidade do indivíduo. E sabemos que o conceito de prazeroso é muito vário, nem sempre coincidindo com o que é essencial a nosso crescimento. Achamos árduo (e, na verdade, é) estudar, conhecer, explorar, mas o problema é que transformamos isso em uma constante desculpa para adiarmos nossas obrigações. Dessa maneira, estamos fazendo com que nenhuma autoridade se preocupe em nos prestigiar. Se nós, teoricamente os mais interessados em crescermos, não demonstramos que queremos uma educação digna, não serão os "caciques" que o farão. Uma sociedade que não demonstra interesse por esse bem crucial apenas alimenta a inércia de nossos poderes públicos em relação a essa causa.

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