Ocorre que muitos, por necessidade, status ou falta de vocação, começaram a deixar as salas de aula (eram professores) e passaram a concorrer para outros cargos com altos salários e regalias não recebidas na antiga profissão. Como a fila de concursos anda - embora muitos não percebam assim - todos os professores foram sendo aprovados nos exames de que participavam. Eram muitas as funções: assistentes administrativos, oficiais de justiça, técnicos de informática, contabilistas, etc.
Ocorre que os mais novos, que ainda não tinham idade para trabalhar, começaram a ficar sem professores, não havia mais um único ser que se interessasse pela arte de educar. Então, aqueles que tinham mudado de função foram-se aposentando, outros morrendo e, como não era mais possível formar profissionais, pois quase não existiam mais escolas, as empresas, instituições, comércios, prestadores de serviços, organizações não-governamentais foram-se abolindo e nada mais era executado. Resultado: o mundo todo parou e a civilização, extinguiu-se.
Claro que o trecho acima é apenas uma brincadeira minha. Mas poderíamos refletir melhor a respeito. Escuto todos os dias professores dizerem que devem abandonar a carreira, que o salário é pequeno, que é difícil dar aulas, a estrutura não existe, etc. Fico imaginando se todos os atuantes do Magistério resolverem fazer a mesma coisa. Por que não pensar que o mundo teria um colapso? Como seriam formadas as outras funções? Autodidaticamente?
Temos uma responsabilidade muito grande e não podemos pensar de forma egoísta apenas porque a sociedade hipócrita nos cobra um posicionamento de destaque. Destaque sem prazer no que faz, sem poder ser autêntico, sem dar uma contribuição à humanidade, para mim não serve.
Existe muita gente que recebe um salário gordo, mas que nem tempo, nem companhia, nem prazer de aproveitá-lo tem. Viver de faz-de-conta é um hábito moderno que poderia eliminar a civilização do planeta, pois o conhecimento jamais será prescindível.
Cassildo.



