15 de mai. de 2010

O DIA EM QUE REALMENTE A TERRA PAROU

Foi simples. Chegou uma hora que estava há muito anunciada. A Terra parou. Todos pararam de produzir, de pensar, de raciocinar, de estudar, de trabalhar. Todos, sem exceção, deixaram de fazer aquilo que escolheram.
Ocorre que muitos, por necessidade, status ou falta de vocação, começaram a deixar as salas de aula (eram professores) e passaram a concorrer para outros cargos com altos salários e regalias não recebidas na antiga profissão. Como a fila de concursos anda - embora muitos não percebam assim - todos os professores foram sendo aprovados nos exames de que participavam. Eram muitas as funções: assistentes administrativos, oficiais de justiça, técnicos de informática, contabilistas, etc.
Ocorre que os mais novos, que ainda não tinham idade para trabalhar, começaram a ficar sem professores, não havia mais um único ser que se interessasse pela arte de educar. Então, aqueles que tinham mudado de função foram-se aposentando, outros morrendo e, como não era mais possível formar profissionais, pois quase não existiam mais escolas, as empresas, instituições, comércios, prestadores de serviços, organizações não-governamentais foram-se abolindo e nada mais era executado. Resultado: o mundo todo parou e a civilização, extinguiu-se.

Claro que o trecho acima é apenas uma brincadeira minha. Mas poderíamos refletir melhor a respeito. Escuto todos os dias professores dizerem que devem abandonar a carreira, que o salário é pequeno, que é difícil dar aulas, a estrutura não existe, etc. Fico imaginando se todos os atuantes do Magistério resolverem fazer a mesma coisa. Por que não pensar que o mundo teria um colapso? Como seriam formadas as outras funções? Autodidaticamente?
Temos uma responsabilidade muito grande e não podemos pensar de forma egoísta apenas porque a sociedade hipócrita nos cobra um posicionamento de destaque. Destaque sem prazer no que faz, sem poder ser autêntico, sem dar uma contribuição à humanidade, para mim não serve.
Existe muita gente que recebe um salário gordo, mas que nem tempo, nem companhia, nem prazer de aproveitá-lo tem. Viver de faz-de-conta é um hábito moderno que poderia eliminar a civilização do planeta, pois o conhecimento jamais será prescindível.

Cassildo.


14 de mai. de 2010

QUESTIONAMENTOS

Cassildo Souza

Tenho observado algumas coisas estranhas nesses quase quatro anos atuando na área do ensino direcionada a cursos preparatórios. As incoerências que se posicionam contra os profissionais que procuram tomar uma conduta reta é uma coisa impressionante. Tudo, para estes, é motivo de questionamento, de cobrança, de indignação. Os caminhos se inverteram e já não quer dizer muita coisa ter responsabilidade, compromisso, ou até mesmo domínio de conteúdo.
Nunca faria um discurso vitimado, mas o fato é que, mesmo optando por uma trajetória de respeito aos tomadores de serviço - principalmente os alunos, pois é com eles o meu vínculo porventura existente - sou constantemente colocado contra a parede, como se eu fosse um irresponsável. Não me lembro de, ainda que atuando em três cidades diferentes, ter faltado um único dia de aula. Não me lembro, também, e talvez seja este o problema, de ter me dirigido à sala de aula para fazer daquele ambiente um palco de programa de auditório ou um espetáculo circense. Apesar disso, algumas vezes, meu nome saiu na boca do povo, de maneira negativa, sabe-se lá por quê, na maioria dos casos com o apoio dos meus "comandantes".
O que as pessoas despreparadas não sabem é que nada nem ninguém jamais irá apagar a clareza, a seriedade e a qualidade (boa ou ruim) do que faço. Não sou - nem pretendo ser - melhor ou pior do que ninguém. Provavelmente está aí o outro problema. Não preciso encarnar um personagem para transmitir os temas que, no meu entender, são necessários ao alcance dos objetivos. Sou franco até demais e isso às vezes causa incômodo numa sociedade onde não ser hipócrita é o mesmo que não existir.
Na situação em que me apresento hoje não precisaria trabalhar arduamente, arriscando minha vida em viagens, não restando um único dia para descansar. Continuo fazendo, primeiro porque tudo o que eu faço - mesmo sem tanta necessidade - é de coração. Não conseguiria atuar pensando apenas no aspecto financeiro até porque isso não me traria grandes expectativas. O fato é que preciso de muito pouco mesmo para sobreviver, sou muito bem resolvido em relação a isso. Em segundo lugar, sou profissional: quando concluí minha graduação, prometi (a mim mesmo) nunca recusar-me a contribuir no âmbito em que me insiro.
Nada me fará curvar diante de certas situações; ninguém me imporá idéias que não se enquadrem no que considero correto e honesto; jamais me convencerão a criar personagens, a fazer tipo, a deixar quem eu realmente sou para poder agradar à hipocrisia.
Agradeço às raras exceções existentes com respeito a essas ponderações. Quem esperar um ator, um marqueteiro, um profissional da disfarçatez, não conte comigo. Quem desejar ter alguém compromissado com aquilo que escolheu, livre de toda e qualquer alegoria, pode ter certeza que estarei disposto a dar o melhor de mim. Mesmo que isso não seja - de imediato - reconhecido por aqueles que se acham os donos da verdade.

11 de mai. de 2010

QUESTÕES COMENTADAS - CLASSES DE PALAVRAS

01. (FEI-SP) Leia, atentamente, o texto e responda:

“Depois, Iracema quebrou a flecha homicida, deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.” (José de Alencar).

Em qual das alternativas todas as palavras são substantivos?

a) Iracema – farpada – consigo – ponta – flecha;

b) ponta – Iracema – desconhecido – flecha – haste;

c) homicida – farpada – deu – ponta – Iracema;

d) desconhecido – depois – Iracema – flecha – ponta;

e) flecha – consigo – guardando – Iracema – quebrou.

RESPOSTA: "B". Para ser SUBSTANTIVO, a palavra deve ter por função principal DESIGNAR, DENOMINAR as coisas, pessoas e sensações; na letra A", farpada é adjetivo e consigo, pronome; na letra "C", farpada é adjetivo, deu é verbo; na letra "D", desconhecido é adjetivo e depois, advérbio; letra "E", consigo é pronome e guardando e quebrou, verbos. Na letra "B", embora desconhecido seja originalmente adjetivo, no trecho aparece antecedido de artigo e, portanto, substantivo.


02. (Mackenzie-SP) Assinale a alternativa onde a palavra grifada não se classifica como adjetivo:

a) Seus olhos tinham o mesmo brilho úmido das uvas.

b) A esposa exemplar poupava-lhe os dissabores.

c) Não faz mal – respondeu-lhe o Diretor.

d) Seja breve.

e) Esperaram juntos no topo da escada.

RESPOSTA: "C". Mal nunca é adjetivo, pode ser substantivo, advérbio ou conjunção temporal; na letra "A", úmido qualifica brilho; na letra "B", exemplar qualifica esposa; na letra "D", breve qualifica o subentendido você (você seja breve); na letra "E", juntos qualificam o termo subentendido eles.


03. (FAU Santos-SP) “O policial recebeu o ladrão A bala. Foi necessário apenas um disparo; o assaltante recebeu A bala na cabeça e morreu na hora.”

No texto, os vocábulos destacados são, respectivamente:

a) preposição e artigo; b) preposição e preposição;

c) artigo e artigo; d) artigo e preposição;

e) artigo e pronome indefinido.

RESPOSTA: "A". Quando o A é preposição, é invariável. Na primeira oração, se trocássemos bala por tiro, a palavra anterior permaneceria sendo A, portanto, preposição; e, na segunda, fazendo a mesma troca, o A transformar-se-ia em O, seguindo o substantivo masculino tiro, por isso é artigo definido, o qual sempre acompanha substantivo.

1 de mai. de 2010

LÍNGUA PORTUGUESA JAMAIS SERÁ ACESSÓRIA

Num modelo de vestibular que "ameaça" se estender pela maioria das universidades brasileiras, com a valorização da interdisciplinaridade, o aluno que percebe mais facilmente as entrelinhas tenderá a sobressair-se em relação aos demais. Agora, mais do que nunca, os que estudam mais, lêem mais, criticam mais, enfim, aqueles que raciocinam mais objetivamente e com conhecimento concreto deverão, em larga escala, ficar com as vagas dos cursos.
Mas não pensem os desavisados que atingir a excelência na interpretação dos enunciados e dos textos dos processos seletivos acontecerá naturalmente, como aprender a andar, por exemplo. Se até essa habilidade requer treinamento, imagine aprender a ler e a escrever com criticidade. A Língua Portuguesa, matéria geralmente preterida, desprezada por um sem número de alunos e algumas dezenas de cursinhos pré-vestibulares ganha corpo, e por essa razão precisa ser colocada numa posição de importância por alguns pseudoalunos e aventureiros de plantão encarregados em ganhar dinheiro de pessoas ingênuas.
Quando se tem um aulão preparatório, seja no meio do curso ou na véspera das provas, o tempo para Língua Portuguesa e Redação praticamente inexiste, é irrisório se comparado ao de outras matérias. Há status diferenciado concedido a disciplinas igualmente importantes e igualmente merecedoras de destaque, mas que sempre são privilegiadas e servem de marketing para quem promove o evento dito preparatório ao vestibular.
Ao aluno cabe a consciência de que Língua Portuguesa sempre foi importante. Não será apenas agora, por causa de tais modificações no modelo do Vestibular. É inviável perceber isso apenas depois da reprovação no vestibular, mas aqueles que não vêem ainda a importância de saber utilizar o nosso código matriz na situação apresentada ou em qualquer outra, revejam seus conceitos, pois a competitividade não espera por ninguém. E lembrem-se: Língua Portuguesa jamais será acessória. Ela é "simplesmente" a língua que falamos.

Boa noite.

25 de abr. de 2010

NOVA PROPOSTA DE REDAÇÃO - II

Publico mais uma proposta de redação da Central de Cursos. É o II Módulo.

(Clique na imagem para obter tamanho original)

21 de abr. de 2010

MODELO DE ARTIGO DE OPINIÃO

Por ora, disponibilizarei um modelo de ARTIGO DE OPINIÃO, com sua estrutura. No decorrer das outras postagens, colocarei à disposição de vocês o modelo de CARTA ARGUMENTATIVA, também com suas características. Lembrem-se que ambos os gêneros citados possuem como objetivo principal convencer, persuadir o destinatário ou leitor. Foi escrita por ERIC DE MEDEIROS COSTA, atualmente aluno da Central de Cursos.

Um abraço a todos.

(Clique na imagem para ampliar)

PROPOSTAS DE REDAÇÃO DO SIMULADO E DO INCENTIVO À LEITURA

A pedidos e considerando a importância da redação para o processo vestibular, disponibilizo as propostas usadas no SIMULADO no Projeto de Incentivo à Leitura da Central de Cursos, digitalizadas (Clique na imagem para obter tamanho real).




Um abraço a todos e boa redação.

Cassildo.



16 de abr. de 2010

CANSEI DE TENTAR PROVAR O QUE EU SOU

Estou a me perguntar, faz tempo, o que é certo ou errado no mundo. Na verdade, coisas que antes eram tão bem definidas passaram a assumir posições duvidosas e paradoxais, levando-nos à loucura de não conseguirmos enxergar a verdade, pelo menos a primeiro momento.
Quantas são as pessoas que vivem por aí, tendo que provar todos os dias que não são culpadas por aquilo de que as estão acusando! Eu mesmo, no meu universo particular, fico mesmo indignado com ter que tentar fazer tudo direito e ser declarado como sendo justamente o oposto. Isso me traz "cólera", um sentimento de revolta tão grande que nenhuma palavra conseguiria definir.
Por que razão acusar o outro indevidamente, principalmente quando este é exatamente o contrário daquela acusação? E mais, quando, além disso, o responsável pelo julgamento aponta o que você fez tendo a nítida certeza de que aquilo não é verdade?
Sei que o blog foi criado para discutir coisas da Língua. Mas esses aspectos também nos interessam. É muito traumatizante ter que, a toda hora, responder um óbvio "não" a julgamentos dos quais não se tem prova, para comprovar que se é inocente. Em suma, você, que tenta ser correto é tido o tempo todo, por força das acusações infundadas, como errado.
É mais doloroso isso porque, para quem erra e o faz conscientemente, tanto faz se estão observando ou não. O problema é que as pessoas que tentam seguir uma conduta exemplar são mais suscetíveis a condenações do que aquelas que não têm compromisso nenhum com a verdade, com a correção e com a prudência. Eis aqui um dos indivíduos vítimas dessa crueldade.

ELOS IMPOSSÍVEIS (Cassildo Souza)

Inconveniências e contradições
Incoerências e ambições
Que assemelham-se aos problemas sociais
Que nos conduzem a dizer “nunca mais”.

Incomunicação consciente, impossível
Ambiência negativamente incrível
Incapacidade de reciprocidade
Mútua distorção da liberdade.

Seres da completude que não se complementam
Inadmissíveis atitudes que alimentam
Intransmissões de fluídos de pensamentos
Desconexão prevista para eternamente.

Mas o laço se desfaz em oportuno
(Hipocrisia, nada que seja uno)
Sela-se o fim do ciclo duvidoso
Que alivia e traz um mundo luminoso.

CONTRAVENÇÃO (CASSILDO SOUZA)

Sou o tudo e o nada
Sou o claro e o escuro
A Razão e emoção.

Sou o “eu” e sou o “nós”
Sou o antes e o após
Início e conclusão.

Sou revolta e calmaria
Sou a noite e o dia
Sou real e ilusão.

Eu sou o ter e o ser
Paciência e agonia
Sou o sim e sou o não.

Sou o que eu apareço
Sou o que não conheço
Norma culta e jargão.

O frio e o calor
Não sou ódio, sou amor
Que bela contradição!

Sou o simples e o complexo
O coerente e sem nexo
Certeza e confusão.

Imaginário e real
Sou constante e dual
Sou a indefinição.

Sou abstrato e concreto
Sou a regra e o “exceto”
A total contravenção.

A MUDANÇA EM UM DIA (CASSILDO SOUZA)

Um dia, as mudanças vingarão
Nesse dia, coisas fúteis cessarão
Certo dia, as respostas surgirão
Lindo dia, tudo terá já passado.

Qualquer dia, os medíocres não serão
Num só dia, as verdades rasgarão
Não mais que um dia, as certezas cassarão
As mentiras que se têm plantado.

Espere um dia: as justiças correrão
Será o dia de o "sim" vencer o "não"
Pois os dias jamais serão em vão
Tudo estará decretado.

Sempre em dia, bem ou mal, existirão
Aqueles dias em que todos amarão
Único dia dessa sólida explosão
O alívio estará consolidado.

9 de abr. de 2010

POR UMA MELHOR ESCOLA PÚBLICA

Temos a idéia, no geral, de que a escola pública está acabada, deteriorada, abandonada. E isto, na maior parte, é verdade. Não sendo novidade alguma, deveríamos nos direcionar para os fatores que contribuem para que essa situação constitua realidade. Por que será que a imagem das escolas mantidas pelo Governo é sempre de decepção?
Digo, independentemente de qualquer coisa, que se o comprometimento profissional dos professores das escolas públicas fosse 70% do que eles oferecem às instituições privadas, quando lá estão, a coisa seria bem diferente. Sei que existe uma série de situações a serem revistas, como uma melhor estruturação, material disponível em quantidade suficiente para se trabalhar, laboratórios nas diversas áreas etc. Tais aspectos também não podem e - mais importante - não devem ser esquecidos. Mas, tendo-se todos esses recursos, nada funciona se os atores principais - professores e alunos - não estiverem comprometidos.
Cabe a cada um de nós, classificados como professores, mediadores, facilitadores ou qualquer nomenclatura que ainda venha a surgir, lutar para que a imagem do local onde desenvolvemos nossas atividades seja sempre preservada. Não me parece coerente não ter motivação para trabalhar em nome do estabelecimento em que estamos inseridos, remar contra a própria maré.
Sei que muitos profissionais, como eu, trabalham em vários turnos e, desta forma, não dispõem de tempo suficiente para dedicar-se a um planejamento que diga respeito à realidade, a buscar novas formas de aprender e ensinar, a debater com seus colegas. Ainda assim, não há razões justificáveis para se fazer "corpo mole" ou viver reclamando do salário a vida inteira.
A escola pública é responsável pela maior demanda de alunos e não pode ser tratada como se fosse um "engodo", passatempo para os filhos darem sossego aos pais ou um local onde se encontram os amigos, sem nenhuma pretensão de buscar conhecimento. Os profissionais da educação, os autênticos heróis da educação, devem estar atentos para que a sua escola seja uma referência e, assim, eles possam realizar-se enquanto instrumentos do saber a contribuírem para o crescimento profissional das crianças e dos adolescentes.