1 de abr de 2009

MELHORES REDAÇÕES DO PROJETO DE INCENTIVO À LEITURA 002/2009

Publico aqui, dessa vez com uma maior pontualidade, as cinco melhores redações do PROJETO DE INCENTIVO À LEITURA da CENTRAL DE CURSOS - CURRAIS NOVOS/RN. Parabéns a todos os alunos que participaram e espero que um número cada vez maior de alunos tenha essa atitude.
Um abraço e apreciem a leitura!

VIOLÊNCIA: MUITO ALÉM DO DESEMPREGO

Labor Violado

A cada ano que se passa, a violência, a baixa perspectiva de emprego e, conseqüentemente, as altas taxas de desemprego parecem ser, infelizmente, cada vez mais evidentes no cotidiano dos centros urbanos. Entretanto, tais fatores devem ser analisados de maneira ampla, levando em consideração importantes indicadores sociais, e não de maneira individual. E é sobre esses indicadores que se concentram explicações e soluções não apenas para o desemprego, mas, principalmente, para um aterrorizante problema, sobretudo, urbano: a violência.
Entre 2001 e 2004, foi realizada uma pesquisa no município de São Paulo-SP, que traçou uma interessante proporção numérica entre taxas de desemprego e criminalidade. Segundo a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo, órgão responsável pela pesquisa, durante o período citado, houve diminuição na taxa de empregabilidade por volta de 20%. Já a taxa de pequenos furtos sofreu aumento de cerca de 23%. Tais dados permitem-nos traçar uma relação entre desemprego e carência com criminalidade. Entretanto, a análise não deve ser tão objetiva.
Observando os valores estatísticos, é possível que alguns acreditem em desemprego e violência como “causa e conseqüência” de maneira totalitária. Porém, assim como citado anteriormente, a análise acerca de problemas sociais deve ser ampla e, nesse caso, capaz de perceber que, assim como a falta de perspectiva de emprego e o próprio desemprego estão ligados à violência, os primeiros possuem, por sua vez, suas causas. A criminalidade urbana nada mais é que o resultado de um longo processo, que envolve fatores como, além de desemprego, a ausência de um sistema público de educação, sobretudo, básica, de qualidade, acompanhamento escolar e psicológico quase inexistentes, planejamento familiar e urbano precários, entre deficiências em outros importantes componentes sociais. Investimentos, efetivação e ampliação das já existentes políticas sociais, entre outras medidas dos órgãos federais, poderão fornecer mais subsídios às famílias para a manutenção própria, permitindo qualificação acadêmica sobretudo aos jovens, que teriam as “portas” do mercado de trabalho abertas à sua frente. Além disso, os cidadãos mais bem preparados não apenas academicamente, mas também humanamente, proporcionariam evasão a determinados práticas estimuladoras da criminalidade, exemplificando o uso de entorpecentes, bem como reduziriam efetivamente as taxas de desemprego.
Violência e falta de perspectiva profissional possuem considerável entrelaçamento, atuando como, infelizmente, protagonistas no “teatro” dos centros urbanos. Porém, existe um gigantesco cenário nos bastidores permitindo a continuidade dos mesmos. Soluções? Existem. Vontade e empenho político? Talvez.

Autor: Eric de Medeiros Costa
Nota: 9,50

UM PROBLEMA DA CAUSA

Labor Violado

Na sociedade contemporânea, a violência parece “evoluir” cada vez mais em suas feições, e brutalidades como assaltos, homicídios, estupros, seqüestros, entre outros atos, passam a fazer parte do cotidiano de uma população que vive assolada pelo terrorismo trazido por ela.
Não é de se esperar que com os indicadores sociais e econômicos que o Brasil detém (sendo este último, atualmente, agravado pela situação da crise econômica mundial) a presença da violência seja tão constante na sociedade. Trata-se da situação na qual muitas pessoas estão inseridas: A educação é desvalorizada e conseqüentemente a dificuldade de entrar no mercado de trabalho e atingir uma ascensão social torna-se enorme, obrigando as pessoas a buscarem uma forma de sobrevivência na violência.
Para agravar a situação não é incomum a participação de policiais nos casos de forma anti-ética. Uns parecem absorver em sua forma de trabalho alguns dos princípios autoritaristas do regime militar que nos foi imposto há alguns anos, outros tornam-se aliados dos precursores do crime, e com isso prejudicam de forma estupenda a situação que já está tão caótica.
O problema da violência não surge apenas por uma vontade facilitadora da população ou pelo efeito de fatores externos (como as drogas), ele também é fruto da má estruturação socioeconômica brasileira, que restringe de maneira relevante as oportunidades de pessoas que tentam encontrar, no meio dessa desorganização estrutural, uma forma de viver coerentemente com a lei e com a sociedade. Portanto, enquanto não surgirem mudanças para tentar transformar as causas geradores da violência, a sociedade terá que aprender a se adaptar a ela.

Autor: Hiago Trindade de Lira Silva
Nota: 9,00

CRIMINALIDADE, CONSEQÜÊNCIA DA SOCIEDADE

Labor Violado

Desde a Revolução Industrial, operam-se no mundo grandes transformações na forma de vida e nas atividades desempenhadas pelo homem, que a partir de então passou a buscar oportunidades nos grandes centros urbanos.
Principalmente nos países subdesenvolvidos, como o Brasil, estas mudanças ocorreram de forma vertiginosa sem permitir que tais zonas de concentração populacional desenvolvessem infra-estrutura para abrigar seus habitantes. Surgiram assim, diversos problemas, dentre eles o desemprego. Com a globalização, a “Revolução Tecnológica” e eventuais crises econômicas, como a que o mundo enfrenta atualmente, que potencializam as adversidades econômicas já existentes, é cada dia mais complicada a entrada no mercado de trabalho, sendo, conseqüentemente, cada dia maior o contingente de desempregados em nossa sociedade. A sobrevivência fica assustadoramente complicada àqueles que não conseguem se encaixar no perfil de trabalhador exigido atualmente.
Onde está a solução para os que não encontram emprego? Muitos a encontram na criminalidade. Outros enveredam por esse caminho tortuoso antes mesmo de tentar algo digno, simplesmente por verem a rápida e farta circulação de dinheiro nessas atividades ilegais ou pela frustração diante das barreiras impostas pela sociedade à sua inclusão.
O resultado disso é a assombrosa violência que toma, principalmente, as grandes cidades, aprisionando a população na angústia de conviver com pessoas inescrupulosas formadas pela rigidez e a falta de oportunidades da própria sociedade.
Não podemos fortalecer a segurança apenas com policiais, mas com educação, possibilitando a todos um sustento digno ou ao menos dando subsídio para que lutem por isso. Esse quadro não irá mudar até que todos entendam que as letras são mais fortes que as armas.

Autora: Lílian Santos Soares
Nota: 9,00

UMA NOVA CHANCE
Labor Violado

Todo indivíduo, não importando sua classe social ou raça, possui acesso à escola desde sua infância. Logo, ao sair dali, a maioria dos jovens entram em uma faculdade, ou conseguem o primeiro emprego. Contudo, a situação não é a mesma para todos.
Infelizmente, muitos, por não terem tantas oportunidades, acabam se perdendo no mundo do crime. Freqüentemente, assistimos na televisão a notícias sobre assaltos, seqüestros e assassinatos. Nós, como cidadãos, geramos em nosso interior um sentimento de revolta. Contudo, um traficante nunca estará satisfeito com sua “profissão”. Entretanto, já que o mesmo se viu confrontado pelo desemprego, decidiu que o melhor caminho seria se envolver com as drogas.
Nas favelas, jovens com dezessete anos já possuem dinheiro, jóias, bens e o respeito na comunidade. Porém, é lamentável saber que toda essa fortuna se concretiza sustentada no narcotráfico. E mais triste ainda é saber que, fora daquele local, esse jovem não tem oportunidades de crescer profissionalmente, colocando-se, assim, na obrigação de retornar ao mundo do crime.
Portanto, que essas palavras sirvam como reflexão, não apenas para as autoridades, mas para todos nós. Que, em breve, possamos ver jovens deixando o mundo do tráfico e indo para seus primeiros dias de trabalho, começando uma nova vida. Que possam, enfim, ter uma nova chance.

Autor: Vinícius Bezerra Roseno
Nota: 8,75

O DESEMPREGO FAVORECE A CRIMINALIDADE

Labor Violado

Desde a Revolução Industrial (século XVIII e XIX), o êxodo rural e outros tipos de migrações aumentaram o número de contingentes nas cidades provocando o inchaço urbano, principalmente, nas cidades metropolitanas. Juntamente à urbanização, o processo de favelização tem aumentado gradativamente e com ele o desemprego.
Com a modernização de indústrias e fábricas, a estrutura da economia provocou uma distinção muito grande entre as categorias profissionais. Com o surgimento de novas profissões, novas tecnologias (robôs, máquinas, etc.) e computadores, algumas profissões desapareceram dando lugar ao desemprego (conjuntural e estrutural) considerado um dos principais fatores de boa parte dos problemas sociais. Atualmente, a economia informal vem ganhando espaço na sociedade, onde muitos lutam pela sobrevivência como vendedores ambulantes, catadores de materiais recicláveis e, também, com atividades ilegais comuns nas grandes cidades brasileiras e no mundo subdesenvolvido. Esses meios ilegais prestigiam o mundo do crime dando incentivo a uma população de jovens exclusos da sociedade, os quais dão credibilidade a tais meios.
É nas favelas onde se concentra o maior número de desocupados, porém, a “oferta de empregos” não pára de crescer: são oferecidos “trabalhos” como: motorista para assalto, segurança de refém, “enrolador de bagulho”, “fazedor de trouxinhas”, “entregador de baseado”, dentre outros. Sem perspectivas de vida, muitos desses jovens marginalizados, entram para a criminalidade expondo suas vidas e as de terceiros, às vezes, à fatalidade. De certa forma, não é apenas a sociedade a maior culpada por tudo isso, o Estado, por não estar presente, contribui diretamente com esses problemas sociais, quando deixa de criar políticas geradoras de emprego e passa a investir no aumento do número de policiais nas ruas, os quais nem sempre combatem o crime, pelo contrário, acabam gerando guerras civis, afligindo, ainda mais, a população.
Pode-se tomar como medidas de combate ao crime a criação de projetos sociais que desenvolvam e incentivem jovens e crianças desocupadas a não serem desviadas por caminhos comprometedores.

Autora: Daniella Cristina de Medeiros
Nota: 8,50

2 comentários:

Theo G. Alves disse...

bom trabalho, meu caro! parabéns a você e especialmente aos alunos que produziram as redações.

abraço!

CASSILDO SOUZA disse...

Obrigado, Theo. Você tem muita parte na evolução dos alunos quanto à produção escrita. É um dos abnegados fortes nessa árdua e prazerosa tarefa. A nossa força também vem por saber que existem outros profissionais que não nos deixarão sozinhos. Ou seja, há mais de uma andorinha fazendo verão.
Um abraço.