15 de nov de 2011

REVISÃO CENTRAL DE CURSOS - QUESTÕES COMENTADAS

FRENTE ÚNICA – Revisão Geral

QUESTÃO 01 (C. LETRAS 2009). Segundo a charge acima,

a) A ação dos criminosos é tão eficiente quanto às políticas de segurança pública, dificultando o desenvolvimento de medidas preventivas.

b) Ao colocar em oposição os números 190 e 171, a mensagem deixa implícito que ladrões são mais rápidos do que o serviço de emergência da polícia.

c) Os números 190 e 171 referem-se a artigos do Código Penal Brasileiro, que tratam da punição aos crimes de furtos e roubos.

d) Os números 190 e 171 referem-se a números dos serviços de segurança pública, em que um deles não está atendendo a contento às necessidades da população.

e) Policiais e ladrões tornaram-se um só grupo, trabalhando em acordos anônimos e deixando a população à beira de um ataque de nervos.

RESPOSTA: “B”. Está clara a crítica feita aos serviços de segurança; o n.º 190 (emergência) não funciona e o 171 (artigo do código penal brasileiro relacionado a estelionato) tem permeado na sociedade, numa clara fragilidade de nosso sistema de segurança pública.

QUESTÃO 02 (ENEM 2011)

RESPOSTA: “C”. A construção final do Texto 2 “quanto mais se define, menos se individualiza, pois seus traços biográficos são sempre partilhados por outros homens” indica que a resposta dada à vem por meio da representação de um personagem que representa a classe dos “Severinos”, os quais se encontram na mesma situação.

QUESTÃO 03. (UFBA) Indique a alternativa em que o sinal indicativo da crase foi mal empregado:

a) Fui à Bahia e a Brasília.

b) A doçura da caridade aliviará à vencedores e à vencidos.

c) Não vades à toa pelas trilhas da vida. Realizai alguma coisa.

d) Não se vai à glória por um caminho de flores.

e) Nada neste mundo se compara à consciência do dever cumprido.

RESPOSTA: “B”. Como crase é contração de A (preposição) + A (artigo), presume-se que será utilizada sempre antes de nomes femininos. Neste caso, a alternativa “B” traz “vencedores” e “vencidos”, ambas as palavras no masculino plural. Portanto, sinal indicativo mal empregado, atendendo ao que pede o enunciado.


QUESTÃO 04. (OBJ-SP) Assinale a frase em que se admite o acento indicativo de crase:

a) Chegaram a margem do rio.

b) Pôs-se a chorar.

c) A seca parecia-lhe como um fato necessário.

d) Pelo espírito atribulado do sertanejo passou a ideia.

e) O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.

RESPOSTA: “A”. Consideremos a regência de “chegar” que, embora intransitivo, admite adjunto adverbial de lugar e sempre se acompanha da preposição “a” (chegaram a); unindo-se o “a” do verbo anterior com “a” (artigo) que antecede “margem”, temos a obrigatoriedade do acento de crase: “Chegaram a + a margem do rio”.


QUESTÃO N.º 05. (ITA-SP) Dadas as sentenças:

1) Meu irmão dedicou-se à áreas literárias.

2) Estamos à espera de socorro.

3) Transmita esta informação à Sua Excelência.

Deduzimos que:

a) apenas a sentença no 1 está correta.

b) apenas a sentença no 2 está correta.

c) apenas a sentença no 3 está correta.

d) todas estão corretas.

e) n.d.a.

RESPOSTA: “B”. Na proposição n. 01, o “a” singular não pode ser craseado se o substantivo seguinte é plural; na proposição 2, o termo “à espera” constitui locução adverbial feminina de modo, como “à tarde”, “à noite” “à vista”, por isso é acentuado; na proposição 3, temos pronome de tratamento, os quais não admitem acento de crase. Portanto, somente a proposição 2 está correta.


QUESTÃO N.º 06 (ENEM)


RESPOSTA: “C”. Ao observar o anúncio, qualquer leitor o remeterá ao ditado popular “Quem é morto sempre aparece”, condição essencial para compreender a propaganda. Intertextualidade significa exatamente a relação entre o texto observado e outros que porventura o leitor tenha explorado sobre determinado tema.

07. (UFPR) Assinale a alternativa que contém adjetivos corretamente empregados, quanto à concordância nominal, em:

1. Comprei um terno e um sapato escuros.

2. Comprei capas e sapatos escuros.

3. Comprei uma capa e um sapato escuro.

a) 1 b) 2 c) 3

d) 1 e 2 e) 1, 2 e 3

RESPOSTA: “E”. Todas estão corretas: na primeira, “escuros” concorda com os substantivos “terno” e “sapato”, qualificando os dois; na segunda, o termo “escuros” tanto concorda com “sapatos” quanto com “capas”; na terceira proposição, o termo “escuro” concorda com o termo mais próximo “sapato”.


08. FEI-SP) O verbo concorda em número e pessoa com o sujeito. Portanto, não está correta a alternativa:

a) Faltam ainda seis meses para o vencimento.

b) Existem fortes indícios de melhoria geral.

c) Não provém daí os males sofridos.

d) Os fatos que o perturbam são bem poucos.

e) Serão considerados válidos tais argumentos?

RESPOSTA: “C”. Os derivados de “ter” e “vir”, na 3ª pessoa do plural, sempre recebem circunflexo. Trata-se de acento de concordância e não de tonicidade.


09. (CESGRANRIO) Assinale a opção em que a lacuna pode ser preenchida por qualquer das duas formas verbais indicadas entre parênteses:

a) Um dos seus sonhos . . . . . . . . . . morrer na terra natal. (era, eram)

b) Aqui não . . . . . . . . . . os sítios onde eu brincava. (existe, existem)

c) Uma porção de sabiás . . . . . . . . . . na laranjeira. (cantava, cantavam)

d) Não . . . . . . . . . . em minha terra belezas naturais. (falta, faltam)

e) Sou eu que . . . . . . . . . . morrer ouvindo o canto do sabiá. (quero, quer)

RESPOSTA: “C”. Trata-se de EXPRESSÃO PARTITIVA, semelhante a “maioria de”, “maior parte de”, “grande parte de”, “boa parte de”, em que tanto se pode concordar com a unidade do conjunto (“porção”) quanto com os elementos do conjunto “sabiás” – portanto, singular ou plural estão corretos.

10. (UEMA) Acentue:

a) feri-lo-iamos b) canta-la-ieis

c) compo-la d) vende-lo

e) retribui-lo

RESPOSTA: feri-lo-íamos; cantá-la-íeis; compô-la; vendê-lo; retribuí-lo.

11. (FEI-SP) Reescreva, acentuando-os corretamente, os vocábulos em que sejam necessários os sinais de acentuação:

a) No cerebro fervilhavam-lhe ideias originais que ele anotava a lapis nos papeis com que recheava os bolsos.

Resposta: cérebro, idéias, lápis, papéis

b) Atras daquele aspecto austero, escondia-se um observador sutil e ironico.

Resposta: Atrás, irônico

*consideraram-se as regras anteriores ao novo Acordo Ortográfico.

12. (FAAP-SP) Copie, dando forma correta aos vocábulos em que haja erro de ortografia:

Eu não quis realizar a pesquisa de que fora incumbido por que andava desassocegado e angustiado com os revezes da vida e anceava por um descanço prolongado.

RESPOSTA: porque; desassossegado; reveses (plural de revés); ansiava (de ansiar); descanso

13. (FUVEST) Preencha os espaços vazios com a forma adequada do verbo indicado entre parênteses:

a) Cada um contribui como quer. (contribuir)

b) É bom que te habitues ao trabalho. (habituar)

c) Esperemos que se atenue o barulho. (atenuar)

d) Exige-se dele uma competência que não possui (possuir)

Comentário: atenuAR, habitUAR (atenuE, habituE); contribUIR, possUIR (contribuI, possuI).

14. O texto abaixo é um trecho de um conto que reproduz a fala de uma personagem:

um sitiante:

“— Com perdão da pergunta, mas será que mecê não tem por lá alguma enxada assim meia velha pra ceder pra gente?”

Reescreva-a, adequando a forma à linguagem urbana culta.

RESPOSTA: Com licença, você não teria uma enxada usada que pudesse nos emprestar?

15. Por meio do pronome relativo adequado, estabeleça relação entre as orações, transformando a segunda em subordinada adjetiva:

Modelo: Recebi todos os livros. Eles foram indicados pela crítica.

Transformação: Recebi todos os livros que foram indicados pela crítica.

1. Encontrei os amigos. Estava precisando deles.

RESPOSTA: Encontrei os amigos DE QUEM / DOS QUAIS estava precisando.

2. Todos vaiaram o jogador. O técnico escalara o jogador na última hora.

RESPOSTA: Todos vaiaram o jogador QUE / O QUAL o técnico escalara na última hora.

16. Transforme o trecho a seguir, tipicamente de CARTA ARGUMENTATIVA, em ARTIGO DE OPINIÃO.

Como cidadão brasileiro, consciente de minhas obrigações e direitos, é este o meu posicionamento. Se quem não deve não teme, dê-se a chance de esclarecer o que Senhor mesmo chama de “denúncias infundadas”, e isso só pode ser feito a partir do momento em que não mais ocupar a Presidência dessa Egrégia Casa, pois a sua imagem estará desvinculada de toda e qualquer “manobra” que porventura exista para não prolongar o caso.

RESPOSTA SUGERIDA:

Se quem não deve não teme, o Presidente do Senado deveria dar-se a chance de esclarecer o que ele mesmo chama de “denúncias infundadas”, e isso só pode ser feito a partir do momento em que não mais ocupar a Presidência dessa Egrégia Casa, pois a sua imagem estará desvinculada de toda e qualquer “manobra” que porventura exista para não prolongar o caso.

*A carta, por ser mais individual, requer mais usos da primeira pessoa do plural, ao contrário do artigo em que a abordagem é mais generalizada, por estar direcionado a um público não definido.

IMPESSOALIDADE TEXTUAL

QUESTÃO 17. Reelabore o parágrafo abaixo eliminando a 1ª pessoa do plural.

Foram descobertas minas de sal há 10.000 anos, quando ainda estávamos na época neolítica. Desde esse tempo, o homem acredita que precisamos adicionar sal a nossos alimentos.

José Róiz. In Revista Caros Amigos. São Paulo, Casa Amarela, março de 2002.

RESPOSTA: Foram descobertas minas de sal há 10.000 anos, quando ainda se estava na época neolítica. Desde esse tempo, o homem acredita que é preciso adicionar sal a nossos alimentos.

QUESTÃO 18. Elimine a 1ª pessoa do plural da frase abaixo e empregue verbo + se. Esteja atento à concordância verbal. Faça outras adaptações se necessárias.

Para que transformemos os dados da realidade, não precisamos de uma grande virada, que não garante nosso sucesso.

RESPOSTA: Para que se transformem os dados da realidade, não se precisa de uma grande virada, que não garante nosso sucesso.

19. (CEFET-PR) Complete com O ou LHE:

a) Prefiro-O aos outros candidatos por ser mais moço.

b) Encolerizava-se, quando o filho LHE desobedecia.

20. (CEFET-PR) Passe para o tratamento você, usando os pronomes oblíquos sempre que possível:

Reitero-te o convite: traze os teus livros.

Reitero-LHE o convite: TRAGA os SEUS livros..

21. Complete com O ou LHE:

a) Ainda não O informaram da morte do irmão.

b) O velho queria-LHE como a um filho.

*O verbo “querer”, quando significa estimar, querer bem, é VTI, acompanhando-se de preposição.

22. Marque 1 para advérbio e 2 para adjetivo.

(A) (2) Comi meia fruta. (B) (1 ) Ela saiu meio nervosa.

(C) (2 ) Não fale por meias palavras. (D) (2 ) Bebi duas meias xícaras.

(E) (1 ) Estavam meio preocupadas. (F) (1 ) Saiu meio aflito do cinema.

(G) (1 ) Pareceu-me meio afobado.

23. (INPI – NCE) Embarcar, na sua origem, era empregado com referência a barco, mas no texto aparece com referência a avião. O item abaixo em que a palavra sublinhada também mostra desvio do sentido original é:

a) O avião vai decolar com o porco a bordo.

b) O porco chegou a enterrar as patas na comida.

c) Os passageiros “humanos” estranharam o fato.

d) A poltrona ficou estragada por causa do peso do porco.

e) A investigação do incidente vai demorar.

RESPOSTA: “B”. O porco, na verdade, chegou a pôr as patas na comida que, por sentido figurado com idéia de exagero, transforma-se em “enterrar”.

24. (PC-NCE) “...e o exemplo que escolheu para ilustrar SEU comentário”. O item abaixo em que o uso do possessivo SEU gera ambigüidade é:

a) O publicitário fez comentários sobre SEU outdoor.

b) O cronista levou o cachorro em SEU automóvel.

c) O jornalista transportou as mercadorias em SEU horário de trabalho.

d) O secretário viu o professor do debate em SEU escritório.

e) O jornalista nada dizia sobre SEU texto.

RESPOSTA: “D”. Os pronomes “seu” e “sua” freqüentemente causam ambigüidade pela abrangência que apresentam para referir-se às palavras. Neste caso específico, “seu escritório” pode tanto referir-se ao escritório do professor quanto ao escritório do secretário e, portanto, causa ambigüidade ao leitor.

Janelas de ontem e de hoje

Os velhinhos de ontem costumavam, sobretudo nos fins de tarde, abrir as janelas das casas e ficar ali, às vezes com os cotovelos apoiados em almofadas, esperando que algo acontecesse: a aproximação de um conhecido, uma correria de crianças, um cumprimento, uma conversa, o pôr do sol, a aparição da lua.

Eles se espantariam com as crianças e os jovens de hoje, fechados nos quartos, que ligam o computador, abrem as janelas da Internet e navegam por horas por um mundo de imagens, palavras e formas quase infinitas.

O homem continua sendo um bicho muito curioso. O mundo segue intrigando-o.

O que ninguém sabe é se o mundo está cada vez maior ou menor. O que eu imagino é que, de suas janelas, os velhinhos viam muito pouca coisa, mas pensavam muito sobre cada uma delas. Tinham tempo para recolher as informações mínimas da vida e matutar sobre elas. Já quem fica nas janelas da Internet vê coisas demais, e passa de uma para outra quase sem se inteirar plenamente do que está vendo. Mudou o tempo interior do homem, mudou seu jeito de olhar. Mudaram as janelas para o mundo – e nós seguimos olhando, olhando, olhando sem parar sempre com aquela sensação de que somos parte desse espetáculo que não podemos parar de olhar, seja o cachorro de verdade que se coça na esquina da padaria, seja o passeio virtual por Marte, na tela colorida.

(Cristiano Calógeras)

25. Deve-se considerar que o tema central do texto, responsável por sua estruturação, é:

(A) o interesse permanente com que o olhar humano investiga o mundo.

(B) a vantagem de se conhecer cada vez mais realidades virtuais.

(C) a evidência de que o mundo se torna cada vez mais compreensível.

(D) o antigo hábito de, das janelas das casas, ficar olhando tudo.

(E) o hábito moderno de se ficar abrindo imagens da Internet.

RESPOSTA: O tema central não pode priorizar uma época em detrimento de outra; portanto, a letra “A” traz essa idéia central, pois – independentemente da época – o homem sempre tem sido curioso e apresentado um olhar investigativo.

26. O autor NÃO explora uma relação de oposição entre os segmentos

(A) (...) seja o cachorro de verdade / seja o passeio virtual.

(B) (...) fechados nos quartos / os velhinhos de ontem.

(C) Os velhinhos de ontem / as crianças e os jovens de hoje.

(D) (...) nos fins de tarde / o pôr do sol.

(E) (...) viam muito pouca coisa / vê coisas demais.

RESPOSTA SIMPLES: “D”. Nos sentidos do texto, a oposição apenas não acontece entre os termos “fins de tarde” e “o pôr do sol”, já que são expressões sinônimas.

27. Representam uma causa e seu efeito, nessa ordem, os segmentos:

(A) (...) seja o cachorro de verdade / que se coça na esquina da padaria (...)

(B) (...) a aproximação de conhecido, / uma correria de crianças (...)

(C) Já quem fica nas janelas da Internet / vê coisas demais.

(D) O homem continua sendo / um bicho muito curioso.

(E) Os velhinhos de ontem costumavam (...) / abrir as janelas das casas (...)

RESPOSTA: “C”. Causa e efeito (ou causa e conseqüência) são indissociáveis. Neste caso, a causa é ficar nas janelas da Internet e a conseqüência é a quantidade de coisas que se vê.

INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS E GRAMÁTICA

Abreviados

Nem faz tanto tempo assim, as pessoas diziam vosmecê. “Vosmecê concede a honra desta dança?” Com o tempo, fomos deixando a formalidade de lado e adotamos uma forma sincopada, o popular você. “Você quer ouvir uns discos lá em casa?” Parecia que as coisas ficariam por isso mesmo, mas o mundo, definitivamente, não se acomoda. Nesta onda de tornar tudo mais prático e funcional, as palavras começaram a perder algumas vogais pelo caminho e se transformaram em abreviaturas esdrúxulas, e você virou vc. “Vc q tc cmg?”

Nenhuma linguagem é estática, elas acompanham as exigências da época, ganham e perdem significados, mudam de função. Gírias, palavrões, nada se mantém os mesmos. Qual é o espanto?

Espanto, aliás, já é palavra em desuso: ninguém mais se espanta com coisa alguma. No máximo, ficamos levemente surpreendidos, que é como fiquei quando soube que um dos canais do Telecine iria abrir um horário às terças-feiras para exibir filmes com legendas abreviadas, tal qual acontece nos chats. Uma estratégia mercadológica para conquistar a audiência mais jovem, naturalmente, mas e se a moda pegar?

Hoje, são as legendas de um filme. Amanhã, poderá ser lançada uma revista toda escrita neste código, e depois quem sabe um livro, e de repente estará todo mundo ganhando tempo e escrevendo apenas com consoantes – adeus, vogais, fim de linha pra vocês.

O receio de todo cronista é ficar datado, mas, em contrapartida, dizem que é importante este nosso registro do cotidiano, para que nossos descendentes saibam, um dia, o que se passava nesta nossa cabecinha jurássica. Posso imaginar, daqui a 50 anos, meus netos gargalhando diante deste meu texto: “ctd d w”. Coitada da vovó mesmo. Às vezes me sinto uma anciã, lamentando o quanto a vida está ficando miserável.

Não se trata apenas dos miseráveis sem comida, sem teto e sem saúde, o que já é um descalabro, mas da nossa miséria opcional. Abreviamos sentimentos, abreviamos conversas, abreviamos convivência, abreviamos o ócio, fazemos tudo ligeiro, atropelando nosso amor-próprio, nosso discernimento, vivendo resumidamente, com flashes do que outrora se chamou arte, com uma ideia indistinta do que outrora se chamou liberdade. Todos espiam todos, sabem da vida de todos, e não conhecem ninguém. Modernidade ou penúria?

As vogais são apenas cinco. Perdê-las é uma metáfora. Cada dia abandonamos as poucas coisas em nós que são abertas e pronunciáveis.

MEDEIROS, Martha. Revista O Globo. 20 mar. 2005.

28 (CESGRANRIO) “Uma língua viva nunca está plenamente feita, mas se faz continuamente graças à atividade linguística.”

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa.

Em qual parágrafo do texto o conteúdo coincide com o do trecho apresentado acima?

(A) 2º (B) 3º

(C) 4º (D) 5º (E) 6º

RESPOSTA CLARA: “A”. No segundo parágrafo, afirma-se que “nenhuma linguagem é estática”. Portanto, isso se coaduna com a declaração do mestre Evanildo Bechara, pois a língua está em constante transformação e nunca será um elemento pronto e acabado.

29 (CESGRANRIO) “Espanto, aliás, já é palavra em desuso: ninguém mais se espanta com coisa alguma.” (l. 15-16)

A locução conjuntiva que pode substituir os dois pontos (:) na passagem acima, sem alterar o sentido da frase, é

(A) apesar de que. (B) ainda que.

(C) contanto que. (D) se bem que.

(E) uma vez que.

RESPOSTA: “E”. Mesmo que não apareça nenhuma conjunção ou termo equivalente, fica clara a idéia de CAUSA que a segunda oração representa sobre a primeira. Então, os dois-pontos só poderiam ser substituídos pela locução “uma vez que”, a qual indica essa relação.

30 (CESGRANRIO) A cronista chama de “....miséria opcional.” (l. 39) a(s)

(A) privação voluntária de bens materiais.

(B) vida dos sem comida, sem casa, sem saúde.

(C) perda, pelo abandono consciente, de nossos melhores sentimentos e atitudes.

(D) resignação diante das dificuldades da vida.

(E) legendas abreviadas dos chats.

RESPOSTA: “C”. Pelos sentidos do texto, a “miséria opcional” é exatamente o abandono voluntário dos sentimentos e atitudes. Se é “opcional”, é porque é feito de forma “consciente” e , portanto, constitui a resposta.

As questões 31 a 36 (com exceção da 32) já foram resolvidas e comentadas por ocasião de um aulão realizado dia 05.11.2011; a questão n.º 32 – discursiva – tem como resposta o próprio texto que serviu de interpretação para as de n.º 25, 26 e 27.

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