16 de abr. de 2011

COMO CONCILIAR TANTAS ATIVIDADES?

Perguntam-me: "Como fazer para dar conta de tantas coisas, sem prejudicar a agenda?" Respondo, de pronto, que quando se gosta do ofício, sempre se acaba dando um jeito de cumpri-lo a contento. Mas, o que vem a ser mesmo gostar do se que faz? Como se percebe esse sentimento de satisfação a respeito do que se realiza, a ponto de conciliar tudo certinho, sem nenhum prejuízo?

Gostar pode ser, no início, um ato espontâneo, mas inevitavelmente se tornará um exercício. Uma necessidade exercer o prazer de uma atividade. Tornar a profissão prazerosa, fazer daquilo algo sagrado e do qual se pode orgulhar é tarefa também racional e consciente que profissionais de muitas áreas conseguem atingir. Assim como muitos, eu procuro também aprender a apreciar - dia a dia - aquilo a que fui destinado fazer.

Muitas pessoas se perdem profissionalmente por pensar - prioritária e exclusivamente - no lado financeiro, esquecendo-se de que o fato de se ganhar 1 milhão não está relacionado à felicidade de executar um ofício. Acabam tornando-se estressadas, frustradas e, além de tudo isso, ainda deixam de cumprir suas obrigações por não conseguirem conciliar a sua vida profissional ao que realmente gostariam de fazer. São os profissionais infelizes que, quanto mais recebem, menos aproveitam e menos se integram em campo de atuação. Não aprenderam a gostar de suas ocupações.

Não ganho muito, estou bem longe disso. Mas a procura constante é de construir relações, contribuir com as pessoas, dentro daquilo em que me propus atuar. Isso é uma maneiras de gostar do que realizo. Tenho certeza de que aprender é um desafio constante, muito mais do que ensinar. Quero buscar incondicionalmente ser bem resolvido em minha profissão, como aliás me tenho sentido todos os dias, talvez por saber que tudo apresenta dificuldades, e nem sempre o prazer se sobreporá às intempéries. Ter ciência disso certamente me trará tranqüilidade para continuar conciliando minhas atribuições, sem prejuízo para nenhuma das partes.

10 de abr. de 2011

TODOS SOMOS CULPADOS

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Cassildo Souza

O choro de pais, mães, parentes e desconhecidos das vítimas da tragédia de Realengo, numa comoção nunca vista antes em nosso país, denuncia o tamanho do acontecimento de quinta-feira passada, mobilizando uma sociedade imediatista e oportunista a abordar temas como violência, bullying (nunca esteve tão em moda), psicopatia, fanatismo religioso e coisas afins. Mas, enquanto cidadãos, devemos analisar a situação de maneira fria e não fugir à responsabilidade de que somos – todos nós – os verdadeiros culpados por aquela catástrofe.

No histórico do atirador e suicida – rapaz de 24 anos, batizado como Wellington Menezes – há um ambiente totalmente propício àquilo que pode traumatizar uma criança (perdoem-me os profissionais da psicologia se usei indevidamente o termo). Isolado, muitas vezes insultado pelos colegas de escola, sem amigos e fanático por jogos de computador, o assassino era criado por pais adotivos, tendo a sua mãe biológica apresentado, segundo testemunhas, problemas psicológicos antes de cedê-lo aos segundos pais. A construção desse episódio, assim, teve início muito antes daquela “quinta-feira de trevas”, e as semelhanças com outros atentados dessa natureza pelo mundo acentua ainda mais que a rejeição, a violência e a exclusão podem ter efeitos desastrosos na formação de uma pessoa.

Na situação em que Wellington vivia, existem inúmeras crianças e jovens atualmente. Quantos não são rejeitados pelos pais! Outros, se não foram rejeitados, não recebem a devida assistência, o devido carinho: meninas engravidam cedo e não dispõem de uma estrutura emocional necessária à criação de seus filhos; falta diálogo; não existe acompanhamento sobre o que os adolescentes estão fazendo, com quem estão saindo, que atividades estão realizando. E a sociedade – cruel e preconceituosa sempre – pouquíssimo faz para ajudar aqueles que se encontram em situação de risco, preferindo julgá-los e perpetuar a individualidade, a não- preocupação com seu “vizinho”. Mas, quando somos vítimas de algum delito, rapidamente saímos de nosso toca, para cobrar ações da polícia, do Judiciário, dos Parlamentares, menos de nós próprios.

Não havemos de classificar esse terrível caso como violência urbana que nos tem acometido nos últimos anos. Podemos até dizer que houve falta de atenção à maneira como ele entrou no colégio, armado, sem que fosse abordado. Mas tudo já estava premeditado, o atirador conhecia muito bem o ambiente que escolheu para acabar com o sonho de 11 vidas que se iniciavam. Havia estudado lá e ter assassinado os alunos exatamente ali traz indícios de que aquele local não lhe trazia lembranças positivas. Suicidar-se depois só confirma que esse ser humano estava em total desconexão com a vida que levava, regada à compulsão de jogar “Counter Strike”, um game que se caracteriza por contabilizar os tiros fatais que são comandados pelo jogador. Infelizmente, ele aprendeu aquilo muito bem e deixou órfãs famílias, parentes, amigos. Deixou órfãos, também, os desconhecidos, assim como nós, que não abandonamos ainda a perplexidade.

A reflexão de toda a sociedade é necessária para que não creditemos essa tragédia marcante somente a um indivíduo. Temos, sim – e é difícil admitir isso – nossa parcela de responsabilidade, sobre este fato especificamente, e sobre muitos outros atos de violência que têm povoado nossa geração. Enquanto formos egoístas, excludentes, enquanto tivermos o “olho gordo” para conservar apenas o que é nosso, sem nos atermos aos problemas gerais que afligem o mundo, outras ocorrências dessa natureza poderão acontecer – espero que não – e não estamos livres de sermos as próximas vítimas. Ou nos unimos agora em prol de um equilíbrio entre as pessoas, ou poderemos dormir para sempre, como o fazem hoje aquelas onze vidas que apenas engatinhavam seus sonhos, suas esperanças, sua vontade de crescer.

9 de abr. de 2011

AULÃO EM LAGOA NOVA

Hoje, dirigi-me à cidade de Lagoa Nova, para um aulão no Centro de Pastoral, promovido pelo Cursinho CES, sob a direção de Cícero.

Os alunos daquele pré-vestibular demonstraram um foco muito interessante para as explicações, que abordaram TIPOLOGIA TEXTUAL, CARTA ARGUMENTATIVA e ARTIGO DE OPINIÃO participando ativamente, contribuindo e tirando dúvidas.

Fiquei muito honrado pelo convite e tenho plena convicção de que a iniciativa tende a se concretizar pelo cuidado que observei em relação aos alunos. É uma prestação de serviço muito relevante para a cidade. Saí com uma ótima impressão.

Caso volte a ser convidado, estarei prontamente atendendo à solicitação. Agradeço a Cícero pela confiança depositada e fico à disposição para outras oportunidades.

Um abraço aos lagoa-novenses.

7 de abr. de 2011

QUESTÕES DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA RESOLVIDAS

01. (Fundação Carlos Chagas) A única série de palavras corretamente acentuadas é: a) hieróglifo - javanês – lingüística – uturú. b) sósia – dá-lo – órgão, - vêzes. c) gás – pôde – fusível – retrós. d d) jibóia – viés – fa-lo-á – construí-lo

02. (UM-SP) Assinale a alternativa que completa corretamente as frases
:
1) Normalmente ela não_____ em casa. 2) Não sabíamos onde _____ os discos. 3) De algum lugar_____ essas idéias. a) pára – pôr – provém. b) para – pôr – provêm. c) pára – por – provêem. d) pára – pôr – provêm. e) para – por – provém.

03. (U. AM) Eleja o item em que a acentuação gráfica NÃO decorre da mesma regra:
a) régias Amazônia b) construída índios c) empossá-los José d) séquito óbitos

04. Quanto à acentuação é correto afirmar que são de mesma regra
a) “está”, “média” e “porém”. b) “também”, “milênio” e “está”. c) “indigência”, “média” e “milênio”. d) “América”, “milênio” e “porém”.

05. (CORREIOS / CONESUL) A palavra ruído é acentuada pela mesma regra que acentua
a) silêncio. b) alguém. c) etérea. d) onomatopéica. e) baús.


RESPOSTAS:


01. “C”.
Na letra “A”, a palavra é “urutu” (oxítonas terminadas em “i” e “u” não recebem acento gráfico); na letra “B”, “vezes” é sem acento; na letra “D”, a forma verbal deve ser “fá-lo-á” (mesóclise). A alternativa da resposta apresenta todos os vocábulos corretos: gás (monossílabo tônico terminado em a); pôde (forma verbal no pretérito-perfeito); fusível (paroxítona terminada em “l”); e retrós (oxítona terminada em “o”, seguida de “s”).


02.“D”
. A primeira lacuna deve ser preenchida com “pára” (verbo) que, segundo o acordo anterior, distingue-se da preposição “para” (este concurso não considerou regras novas); na segunda, ocorre semelhante fenômeno, diferenciando-se “pôr” (verbo) da preposição também pelo acento; no terceiro espaço, a palavra deve vir acentuada com circunflexo (^), uma vez que concorda no plural.


03. “B”.
Na alternativa “A”, as regras são as mesmas (paroxítonas terminadas em ditongo crescente); na alternativa “C”, em “empossá-los”, considera-se o parte principal da palavra e, portanto, oxítona terminada em “a”, assim como “José” é oxítona terminada em “e”, estando ambas incluídas na regra das palavras oxítonas (“a”, “e”, “o”, “em”, “ens”); na alternativa “D”, as duas são proparoxítonas. Na alternativa da resposta, no entanto, “construída” acentua-se por ser hiato e “índios” acentua-se por ser terminada em ditongo crescente, por isso são regras distintas.

04. “C”
. Explicação simples e clara: as palavras "indigência", "média" e "milênio" são acentuadas, todas, por serem paroxítonas terminadas em ditongo crescente.


05. "E".
Explicação simples e clara: a palavra "ruído" é acentuada por apresentar "i" tônico formando hiato com a sílaba anterior. Ocorre com "baús" a mesma regra: "acentuam-se o "i" ou "u" tônicos que formam hiato com sílaba anterior." Nessa mesma situação, estão palavras como "saúde", "faísca", "balaústre", entre outras.

2 de abr. de 2011

ARTIGO DE OPINIÃO

CORES NÃO DEFINEM QUALIDADE EDUCACIONAL

Cassildo Souza


A discussão do ensino público no país nunca será matéria obsoleta, por isso sempre causa impacto nos fóruns, congressos, sessões parlamentares e audiências públicas, na tentativa de se encontrar um sistema educacional de qualidade que garanta ao Brasil opções de crescimento e de destaque internacional. Nesse contexto, vez por outra, surgem idéias no sentido de equacionar o problema, como o caso das cotas universitárias para estudantes de escolas públicas, tema bastante debatido pela sociedade.

Tais cotas visam a estabelecer um percentual de pontos destinado aos alunos que cursaram ensino médio em escolas estatais, o chamado argumento de inclusão. Até aí, nada de questionável. Acontece que, na mesma proposta, estão previstas subcotas para estudantes negros e índios, garantindo que estes obtenham número mínimo de vagas, com a premissa de que sempre constituíram raças menos favorecidas e, dessa forma, menos privilegiadas em relação à qualidade do ensino recebido em sua trajetória escolar. Tal dispositivo provocou reações diversas entre os que consideram o projeto coerente e aqueles que o entendem como uma afronta à honra e diginidade dessas duas raças, considerando-as inferiores.

Afirmar que negros e índios são grupos historicamente discriminados não pode ser desconsiderado. No entanto, no meu entender, no momento em que o governo abre essa possibilidade, além de realmente julgar as raças como incapazes, separando-as das demais, passa a agir injustamente com os estudantes brancos, muitos deles com um ensino equiparado às outras duas raças, já que em nossa País, por causa da miscigenaçao, as salas de aula são cheias de alunos que advêm de diversas etnias. Para mim, essa justificativa não é contundente e acaba por denunciar o atestado de incompetência do Estado em oferecer uma escola que realmente atenda às necessidades de nossos estudantes.

Os nossos representantes deveriam - em contraste com uma proposta tão mal pensada - investir na integralização de todas as instituições de ensino básico, melhorar as estruturas das escolas e cobrar resultados dos profissionais (para tanto, ofereça-lhes um salário melhor, mas lhe exigindo contrapartida), estabelecendo sanções para aqueles que não cumprissem seus deveres. Isso, sim, é interessante. Quando o ensino é ruim, não atinge apenas aqueles que têm a cor mais escura, e sim a todos que dele necessitam. Os negros e os índios não precisam de esmolas, precisam de boa educação e, nesse quesito, eles estão em situação de igualdade com qualquer branco, por mais ariano que seja.

PROPOSTA DE CONSTRUÇÃO DE PARÁGRAFO DISCURSIVO - CENTRAL DE CURSOS E CEDAP (SANTA CRUZ)


Numa audiência com debates acalorados, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado reuniu nesta quarta-feira defensores e opositores do projeto de cotas nas universidades federais. Embora a proposta só beneficie quem cursou o ensino médio em escola pública, prevendo uma subcota para negros e índios variável em cada estado, foi a questão racial que dominou a discussão.

De um lado, o doutor em geografia e articulista Demétrio Magnoli e o cientista político Bolívar Lamounier faziam críticas pesadas ao projeto. De outro, o juiz federal do Rio William Douglas, professor voluntário da Educafro, uma ONG que oferece pré-vestibulares para estudantes negros, e o procurador do Estado do Rio de Janeiro Augusto Werneck saíam em defesa das cotas.

Magnoli exibiu imagens de crianças brancas e negras em sala de aula e usou recursos gráficos para indicar que as cotas vão separá-las.

- É passar uma fronteira no meio dessa classe (a da foto), do povo, das favelas. As raças não existem, o único jeito de criar raças é através da lei. É uma vergonha o que se está discutindo aqui – disse Magnoli.

Segundo ele, é “demagogia barata” falar em reparação do que ocorreu durante a escravidão, pois, afirmou Magnoli, os negros de hoje tiveram ancestrais brancos, assim como os brancos têm antepassados negros, dado o alto grau de miscigenação.

Já o juiz Douglas disse que os negros pobres são mais discriminados do que os brancos pobres. Por isso, argumentou ele, a reserva de vagas deve levar em conta não só o fato de o aluno ter estudado em escola pública, como também critérios raciais.

- Como ouvi de um aluno meu: ‘A polícia, para bater na gente, sabe exatamente (quem é negro).’ A gente dá um fusca para um, uma Ferrari para outro e depois quer falar em igualdade.

A reunião mostrou que os integrantes da CCJ estão divididos sobre a cota racial. Mas há consenso de que é preciso instituir uma cota social, ou seja, um sistema que beneficie fatia mais pobre da população.

O Sistema de cotas universitárias para estudantes negros e indígenas tem sido um assunto bastante discutido no Brasil, dividindo a opinião de estudiosos, intelectuais e autoridades políticas, em muitos segmentos. Com base nesse fato, construa um parágrafo DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO posicionando-se CONTRA ou a FAVOR das cotas raciais, com argumentos claros, coesos e coerentes, em prosa, na norma culta da língua.