27 de dez de 2012

AULA DA SAUDADE - EETB - 26.12.2012



Saudade. Nostalgia. Lembranças. Momentos memoráveis que ficaram. Hoje, um ciclo se encerra, uma trajetória se fecha, sonhos são concretizados. Será que imaginamos que esse dia chegaria tão rápido? Será que as amizades que se formaram e se firmaram nesses 3 anos estavam preparadas para este momento?

O filme das vidas de vocês começa a ser veiculado agora. Um filme também vem às nossas cabeças, enquanto mestres que aprenderam a conviver com meninos e meninas atônitos, apavorados, assustados com o que viria pela frente. Alguns que se escondiam por trás da timidez; alguns que, com a dinâmica dos desafios, agitavam-se, esperneavam e até choravam; alguns que se rebelavam, que protestavam, que se opunham; alguns que apenas calavam; alguns que apenas ouviam. É hora de partir, sim. Mas antes, abramos um parêntese.

 Para que serve a despedida? Não é para selar um final, certamente. Serve para fazermos balanços, para refletirmos, para prepararmos uma nova etapa, um novo destino. Nesta hora, nós, seus eternos professores, queremos – antes de tudo – dizer que valeu a pena. Queremos afirmar que o caminho percorrido, com altos e baixos, facilidades e entraves, sucessos e dificuldades, foi espetacular por ter sido ao lado de vocês; especial, por ter tido cada um cumprindo sua missão em favor de si próprio; arrebatador, por ter sido intenso;  doloroso, quando transparente; real, porque sempre com o coração. 

Hoje, homens e mulheres cheios de objetivos reais, vocês demonstram física e espiritualmente o quanto cresceram, o quanto viraram pessoas de bem, o quanto se transformaram em cidadãos para o futuro. Hoje, vocês não são mais meninos e meninas assustados, atônitos, rebeldes, opositores e, no entanto, como pré-adultos vocês possuem as mesmas características de antes, agora com dosagem equilibrada, mas necessária; porque passe o tempo que passar, seremos todos sempre assustados, atônitos, rebeldes, questionadores, para que nossa condição humana seja mantida.

Formar pessoas não é tarefa das mais fáceis, mas deixa de ser complexa quando tais pessoas decidem o que querem ser. Vocês facilitaram a missão de seus mestres: decidiram ser vencedores, ser do lado do bem, ser bons filhos, bons alunos, e contaram com a nossa ajuda para alcançar todos esses objetivos, porque sabiam que sonharmos juntos é melhor do que sonharmos sozinhos. Vocês não se dão conta, ainda, da maravilha que os compõe, da felicidade que representam para seus pais, familiares e professores. Vocês – de fato – já se tornaram homens e mulheres constituídos para brilhar.

Hoje, não temos palavras para agradecer o quanto foi especial desfrutarmos de sua presença todas as tardes; falta-nos conteúdo para dizermos que vocês são iluminados; como nos esquecermos das aulas cheias de questionamentos? Como nos esquecermos do barulho que às vezes tomava conta da sala, de forma inexplicável? Como nos esquecermos dos seminários, das viagens de estudo, das resenhas dos intervalos, das broncas por alguma coisa indevida, das divergências com colegas e professores, dos protestos por aquilo que julgavam ser errado? Como nos esquecermos de cada rosto juvenil que transita para uma fisionomia mais sisuda e preocupada com o mundo cruel que os espera?

Não precisamos apagar nada, aliás, tudo deve ficar da maneira que está na lembrança. Tudo deve permanecer do jeito que sempre esteve. Esses flashes são intermináveis. Eles são, também, inapagáveis, impagáveis e inesquecíveis. Nunca deixarão de ser nossos alunos, já que decidimos, por unanimidade, não deixar de sermos seus ensinantes; nunca deixarão de ser nossos amigos, visto que escolhemos ser seus cúmplices; nunca deixarão de ser nossos confidentes, porque fizemos votos para eternamente ouvi-los; nunca deixarão de nos consultar, na medida em que os seus sentimentos são parte de nossas vidas.

Vão para o mundo, pois estão no ponto de iniciar batalhas, gladiadores! Nunca estarão acabados, mas aprenderão a constância que se exige no mundo da globalização econômica, social, cultural; quem os tiver como parceiros serão privilegiados, assim como fomos em pelo menos três anos. Entregamo-los com a certeza de que – cumprida a nossa missão de orientá-los para a vida – jamais nos decepcionarão. Vão com toda a felicidade que Deus lhes deu, pois a vida é um composto de eras que se encerram para se renovar. Em nós, ficará uma saudade imensa, que jamais enfraquecerá, mas que – por outro lado – representa o quão felizes fomos em dividir a convivência com vocês, filhos nossos adotados pela paixão de ensinar.

Nós os amamos!

*Texto composto e lido pelo professor Cassildo Souza, em 26.12.2012, durante a Aula da Saudade das 3ªs. séries "A", "B" e "C", da Escola Estadual Tristão de Barros - Currais Novos / RN.

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