26 de jan. de 2010

VÍCIOS DE LINGUAGEM

São chamados VÍCIOS DE LINGUAGEM os fenômenos lingüísticos que se desviam da norma-culta padrão, muito comum na língua falada, mas acabam sendo, inconscientemente, levados ao registro escrito, como nas redações escolares. São classificados em:

1. AMBIGÜIDADE

Fenômeno que dá margem a mais de uma interpretação, pela maneira como se organizou a estrutura textual. Nesse caso, o leitor não sabe, ao certo, o teor da mensagem, por não existir clareza na comunicação.

1. A cachorra da minha sogra não sai de casa.Possibilidade 1: A sogra tem uma cachorra que não sai de casa
Possibilidade 2: Alguém chama a sogra de cachorra e diz que ela não sai de casa

2. Maria pediu para Flora trazer a sua bolsa.Possibilidade 1: Maria pediu para Flora trazer a bolsa de Maria.
Possibilidade 2: Maria pediu para Flora trazer a bolsa de Flora.

2. BARBARISMO

Constitui a grafia ou pronúncia inadequada ao padrão culto da língua, pela troca, ausência ou excesso de sons/letras.

Acho muito supérfulo esse negócio de carro de luxo.(Escrita correta: supérfluo)

Repercurtiu muito mal as suas colocações na TV. (Escrita correta: repercutiram)

3. CACÓFATO ou CACOFONIA
Indica uma formação sonora desagradável, com palavrões ou repetição excessiva de uma estrutura fonética.

Tudo aquilo que abunda sobra.
A classificação deve ser por cada uma das modalidades.
Sempre saio só no sábado.
Eu apoio a sua idéia, só que assim você não conseguirá nada.

4. SOLECISMO


Compreende qualquer falha de natureza sintática: concordância, regência, falta de seqüência lógica.

Responda ela no telefone. (Responda-lhe ao telefone)
Todas as coisas é muito relativas. (...são muito relativas)
Haviam trezentas pessoas no evento (Havia...)


5. REDUNDÂNCIA ou PLEONASMO VICIOSO
É aquela repetição desnecessária, tendo em vista palavras já citadas ou subentendidas, provocando ruído ou entropia ao texto.

Na sua opinião, você acha, particularmente, que vai passar?(Na sua opinião, você passará? / Você acha que passará?)
Eu voltei de novo à Câmara, porque o povo quis meu segundo retorno.(Eu voltei à Câmara porque o povo quis).

SINTAXE

Publico a seguir versos contendo os termos da oração. Percebam como às vezes fica mais fácil compreender o conteúdo, pois a rima tem um lado muito memorizador.
O caminho da sintaxe nos termos da oração(Cassildo Souza)

São termos da oração
O sujeito e o predicado
Sem eles não há conversa
Nada fica combinado
Eles são essenciais
Vamos deixar registrado.

O sujeito é o referente
Personagem principal
Todos falam sobre ele
É a palavra cabal
O predicado indica
Se o sujeito é bom ou mau.

Oração tem de ter verbo
Dela período se forma
Ele é simples ou composto
Temos de entender a norma
E cuidar na concordância
Se não ela se deforma.

O objeto direto
Complementa o sentido
Para que o verbo seja
Totalmente entendido
Pois na língua é condição
Poder ser compreendido.

A pessoa que conhece
Conhece algo ou alguém
Tem de colocar “o quê”
Tem de informar o “quem”
É o tal do objeto
Direto que nos convém.

O objeto indireto
Traz uma preposição:
Precisar de alguma coisa
Pertencer a uma seção
Interessar a alguém
Visar a uma ação.

Também são complementados
Alguns nomes abstratos
Complementos nominais
Como colheres e pratos
É caso de certeza
Que se insere nesses fatos.

Os adjuntos são dois:
Há os adverbiais
De tempo, modo, lugar
E os adnominais
Que marcam substantivos
É uma função a mais.

Vocativo é o chamado
Vem em qualquer posição
Começo, meio ou fim
E há a separação
É parecido com o aposto
Não pode haver confusão.

É que o aposto explica
O termo que veio antes
Muitas vezes com a vírgula
São detalhes importantes
Temos que ser conscientes
Escritores ou falantes.

Existe o predicativo
Que qualifica o sujeito
E também o objeto
Nos dois com o mesmo efeito
É somente observar
Para analisar direito.

O agente da passiva
É um termo diferente
Ele pratica a ação
Com sujeito paciente
Pois quando há voz passiva
Sujeito não é agente.

Isso foi período simples
Composto será à frente
É preciso ter cuidado
E organizar na mente
Cada verbo, uma oração
Estrutura diferente.

14 de jan. de 2010

O prenúncio da loucura (Cassildo Souza)

De médico e louco
Quero a maior distância
Não tem importância
Se eu ficar sozinho
Mal acompanhado?
Pior será.
Mas o que será a loucura?
Sou louco?
Que médico pode me responder?
Ser louco é ser diferente?
Ser convencional não é maluquice?
Que tolice, que importância tem isso,
No contexto alienador das loucuras
Mais endoidecedoras das ideologias humanas?
Ideologias humanas? Não.
Ideologias animais, cruéis, sem precedentes
Forças de uma negatividade aparente
Que nos fazem crer que somos normais de verdade
E nos mascara a loucura que nos atinge
Que atinge os lares, o meio ambiente, os recintos
Que evapora nossas idéias, nossos neurônios,
Nosso cérebro, nosso pensamento.
Loucura? Ah, se eu pudesse...
Seria louco
Assim não precisaria compreender
Ou até mesmo tentar resolver
O problema da humanidade.

13 de jan. de 2010

DÚVIDAS QUANTO À REDAÇÃO DA UFRN

Um leitor do blog me perguntou, através de comentário, sobre a metodologia da redação pela UFRN. Como enviei-lhe e-mail indicado por ele e este não chegou a seu destino, faço alguns esclarecimentos, os quais servirão para outros interessados:
. A redação da UFRN, nos últimos três vestibulares, ficou entre CARTA ARGUMENTATIVA e ARTIGO DE OPINIÃO, cujos modelos encontram-se neste mesmo blog. É preciso buscar na parte superior direita da página. Estão colocadas todas as informações, como modelos, casos em que devem ser utilizados.
. O tema é diferente do título: TEMA é o assunto sobre o qual o candidato irá discorrer; TÍTULO é uma espécie de manchete, o aluno é que deve criar, em caso de ARTIGO DE OPINIÃO, pois CARTA não apresenta título.
. Também, neste mesmo blog, parte média direita, existem vários temas sobre os quais a redação poderá ser desenvolvidas. É claro que isso pode variar, como este ano, por exemplo, em que o assunto cobrado dizia respeito às câmeras de segurança instaladas nos locais de acesso público com a frase "SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO". O importante não é "adivinhar" o tema, isso ninguém conseguirá; é estar preparado para redigir sobre os mais variados assuntos. Portanto, a prática semanal é indispensável.
Espero ter esclarecido algumas dúvidas do internauta que me solicitou a explicação, bem como de outros que prestarão vestibular para ingresso em 2011.
Cassildo.

6 de jan. de 2010

O DRAMA DO ERRO (CASSILDO SOUZA)

O drama do erro

O trauma do erro tem me perseguido
O que será mesmo que é certo?
É certo o errado que pregam,
É errado o que querem ter como certo?
Ao certo, ninguém sabe a resposta
Errado é pensar que há definição
Certo mesmo, é que há uma vida
Cheia de erros, acertos, indecisões
Errado mesmo é pensar que os amores
Estão escondidos dentro de uma escuridão.
O limite extremo entre o equívoco e a correção
É bem mais estreito do que erradamente se pensa
Há bem mais efeito no certo,
Mas muito mais fácil é errar
E conciliar as bordas desses dois gumes
É arriscar-se ao corte na faca
Traiçoeira do erro da imprevisível vida.

O RESULTADO DO VESTIBULAR COMO EXEMPLO

Para quem anda testemunhando as comemorações do vestibular, por um lado, e a tristeza de uns, por outro, e que deverá prestar o exame este ano, nada é tão oportundo quanto tomar os exemplos de ambos os extremos.

Já é momento de começar, antes mesmo das aulas regulares. As férias acabaram e a renúncia de algumas coisas por um único ano é a garantia de sucesso no futuro. Comecem a estudar desde já, pesquisem, procurem, "perturbem", seja um cão de guarda dos professores. Utilizem as ferramentas da tecnologia em seu favor. Nada impedirá que continuem vivendo normalmente, mas o compromisso será a mola-mestra.

Percebam que a euforia daqueles que conquistaram sua vaga na universidade foi antecedida de alguns momentos de concentração, de seriedade, de compenetração e até de reflexão. Em alguns momentos, pensarão em desistir. No entanto, aqueles que prosseguirem serão os agraciados e poderão, daqui a um, estar em equivalente êxtase.

Nós, professores, temos a obrigação de alimentar esse sonho e, mais do que isso, de contribuir para que ele seja transformado em concreto, acompanhando, orientando, repreendendo (quando preciso). A nossa presença e apoio são fundamentais, mas o mérito sempre terá sido do estudante, caso faça por onde acontecer esse tão almejado sucesso.

Vamos à luta, a vida só está começando.

Cassildo.

5 de jan. de 2010

RESULTADO SAIU. E AGORA?

Quantas foram as vezes de desespero, cabelos arrancados, perda da compostura. Quantas vezes os amigos foram "expulsos" da presença. Quantas vezes as chatices predominaram em vez de palavras de carinho.

Para os que atravessaram o caminho

Pois é. Período de pré-vestibular é assim mesmo. É uma época que antecede aquilo que a sociedade chamará de SUCESSO ou FRACASSO. Sim, porque é assim, infelizmente, que tratam os resultados das pessoas. Ou se será totalmente apreciado, agraciado ou a consideração descerá a níveis não viáveis de serem lembrados. Mas, graças a Deus, tudo saiu conforme o esperado e aqueles dias de angústia nos dias da prova, aliados aos períodos de incertezas antes do resultado agora são vistos de maneira positiva. Valeu a pena toda a luta empreendida na tentativa de conquistar um sonho, muitas vezes concebido ainda quando criança. Minhas sinceras congratulações. Vocês são o nosso orgulho. O orgulho dos pais, dos professores, dos amigos, dos parentes, de todos. A vida só está começando. Deus os abençoe.

Para os que, mesmo lutando muito, não lograram êxito

Mas não podemos trilhar unilateralmente. E os outros, igualmente considerados heróis por mim, como ficarão? Tristes, acredito. Mas nada que os desanime a continuar buscando tudo o que decidiram procurar. Jamais os consideraria fracassados, pois a dignidade de uma pessoa não está condicionada à sua aprovação num sistema duro de digerir, totalmente desgastante e cruel, como é o vestibular no Brasil. A vocês, votos de boa sorte no ano que se inicia e mudança de atitude. Claro, porque mesmo sabendo-se do compromisso e responsabilidade, não é difícil conceber que tudo poderia ter sido melhor. Saibam que no meu coração, vocês estão guardados no mesmo lugar que os do grupo acima. Aliás, não dividamos em grupos, todos são, em primeiro lugar, pessoas, seres humanos, e o meu respeito também está atrelado a essa igualdade.

Para os que não tiveram compromisso com as metas

Há aqui, uma trilogia. Além dos que conquistaram e daqueles que não conseguiram mesmo buscando, existem os indivíduos que não tiveram uma atitude compatível com o que se espera dos vestibulandos. Mesmo agindo dessa forma, vocês não estarão livres de minhas palavras: nem tudo está perdido, a mudança parte de cada um, em cima dos erros e dos exemplos alheios. Renovar-se, no sentido de estar em condições de pleitear os seus ideais, é uma característica de quem reconhece as falhas e as usa para melhorar enquanto pessoas. Repreendo-os, mas não os julgo. O espaço existe a todos. O meu carinho também é de vocês.

Portanto, de peito aberto, coloco-me à disposição para tudo aquilo que estiver ao meu alcance.

Um grande abraço a todos.

Professor Cassildo.

31 de dez. de 2009

ANO NOVO É RENASCENÇA

O Ano Novo será a renascença: veremos frutos concretizarem-se, projetos realizarem-se, embriões tomando forma. O Curso dessa quebra imaginária é que nos move. Afinal, o tempo é algo abstrato e subjetivo, alguns povos até comemoram com parâmetros diferentes, mas isso não existindo, talvez provocasse um vácuo, um espaço sem composição.
Estaremos todos munidos de uma coletividade jamais vista. Esse otimismo tem um fundo realístico, porque a junção será a inevitável solucão para que nosso planeta sobreviva, em todos os aspectos. Será uma necessidade da qual todos compartilharão e, por esse motivo, ficarão dispostos à mudança de mentalidade e de atitude.
Porque, afinal, será mais uma trilha na escalada da vida. As etapas complementar-se-ão ao tempo em que nossas metas serão exploradas até que as consigamos alcançar. Todos formarão um elo inédito.
Sem essa esperança, não serviria comemorar o Ano Novo. Somos todos uma só raça, então, a expectativa é de que caminharemos para um só lado, para uma só direção, por um só propósito: a vida.
Um abraço a todos e um 2010 cheio de realizações concretas e de crescimento espiritual.
Cassildo.

28 de dez. de 2009

QUANDO TUDO PARECE RESOLVIDO...(Cassildo Souza)

Quando tudo parece resolvido,
Ainda há muita coisa pra fazer.

Não se pode parar um só segundo
Não se pode viver para afundar
Não se deve deixar de trabalhar
Nem se deve virar um vagabundo
Não se pode fugir do nosso mundo
Não se deve o futuro antever
Nem se pode um momento enfraquecer
Vendo a vida toda hora inibido
Quando tudo parece resolvido
Ainda há muita coisa pra fazer.

Todos devem viver para buscar
Praticar, refazer, reconstruir
Entender, compreender e reunir
Relutar, sem querer desnortear
Ensinar, Indicar, orientar
Planejar, projetar, até prever
Sem pensar que assim irão vencer
Tudo o que se apresenta construído
Quando tudo parece resolvido
Ainda há muita coisa pra fazer.

Nós vivemos em busca de aventura
Contentar-se não faz o nosso ser
E aquele que aspira a crescer
Já pretende sair da via escura
Se há hoje um caminho de amargura
Não é digno por pouco entristecer
Nem se faz necessário se render
Não faz bem aparência de abatido
Quando tudo parece resolvido
Ainda há muita coisa pra fazer.

O processo de viver é uma arte
Há etapas e fases a trilhar
Os caminhos a se consolidar
Não pensemos que estamos lá em Marte
O sucesso de nós ora faz parte
O progresso é vontade de crescer
O caminho pra se sobreviver
No humano está ele contido
Quando tudo parece resolvido
Ainda há muita coisa pra fazer.

Não se pode parar um só segundo
Não se pode viver para afundar
Não se deve deixar de trabalhar
Nem se deve virar um vagabundo
Não se pode fugir do nosso mundo
Não se deve o futuro antever
Nem se pode um momento enfraquecer
Vendo a vida toda hora inibido
Quando tudo parece resolvido
Ainda há muita coisa pra fazer.

Todos devem viver para buscar
Praticar, refazer, reconstruir
Entender, compreender e reunir
Relutar, sem querer desnortear
Ensinar, Indicar, orientar
Planejar, projetar, até prever
Sem pensar que assim irão vencer
Tudo o que se apresenta construído
Quando tudo parece resolvido
Ainda há muita coisa pra fazer.

Nós vivemos em busca de aventura
Contentar-se não faz o nosso ser
E aquele que aspira a crescer
Já pretende sair da via escura
Se há hoje um caminho de amargura
Não é digno por pouco entristecer
Nem se faz necessário se render
Não faz bem aparência de abatido
Quando tudo parece resolvido
Ainda há muita coisa pra fazer.

O processo de viver é uma arte
Há etapas e fases a trilhar
Os caminhos a se consolidar
Não pensemos que estamos lá em Marte
O sucesso de nós ora faz parte
O progresso é vontade de crescer
O caminho pra se sobreviver
No humano está ele contido
Quando tudo parece resolvido
Ainda há muita coisa pra fazer.

24 de dez. de 2009

O FIM DA CENSURA AO ELOGIO

Estamos num período robótico, frio, ultrarracional. É impressionante como as pessoas perderam a capacidade de reconhecer nas outras as suas qualidades. Hoje em dia, é proibido elogiar; permitido é, somente, cobrar e criticar, com a incrível justificativa de que nada estão fazendo a mais do que a obrigação.

Como vivemos um período transitivo, que é o final de ano, com comemorações natalinas e de réveillon, em que teoricamente todos refletimos sobre conquistas e falhas, nada mais justo do que considerar a possibilidade de voltarmos à “era do reconhecimento”. Que tal dizermos ao colega que ele é competente e que contribui imensamente para o trabalho dos demais? Acho que não há nenhum prejuízo quanto a isso, pelo contrário: assim fazendo, estamos provavelmente garantindo uma qualidade muito maior no seu desempenho, no futuro.

Vamos parar com as críticas destrutivas. Vamos entender o motivo de uma coisa não ter saído como deveria, ocupar um pouco o lugar do outro. Será que a vida inteira nós só fizemos acertar? Nunca erramos e, por isso, achamo-nos no direito de menosprezar os outros por seus erros? Não deveria acontecer assim, mesmo porque entendo que cada um se destaca em dada habilidade. Não conheço uma só pessoa que domine todas as áreas e, assim sendo, em algum momento, vamos nos encontrar limitados.

O Natal, de que tanto falam os proprietários de comércio e prestadores de serviços (com a devida razão, também, porque estão cumprindo o seu papel) deve ser uma prestação de contas com nós mesmos. Estamos habituados a pedir, mas esquecemos que antes haveremos de contabilizar forças e fraquezas, a fim de aperfeiçoarmos aquilo que entendemos ser de relevância. E isso pode começar a partir do momento em que consigamos ver nas pessoas as suas virtudes, considerando que tais qualidades sempre superarão quaisquer defeitos.

Vamos, então, celebrar o elogio, o reconhecimento, a capacidade de perceber os predicados positivos. Segundo a lei de causa e efeito, aquilo que vai sempre retorna e, nesse caso, sempre será reverenciado aquele que conseguir também valorizar os seus semelhantes, sem esperar nenhum benefício, nenhuma compensação, nenhum lucro, realizando tudo de forma espontânea e natural.

Bom Natal para todos. Que o recomeço seja marcado pelo uso de palavras e ações concretamente positivas.

Cassildo.

16 de dez. de 2009

NOSTALGIAS EM POUCO TEMPO

Quis-me perguntar, inúmeras vezes, por que eu sou tão saudosista. Sei que anda perseguindo essa resposta faz tempo e, para ilustrar a prova cabal dessa caarcterística peculiar em mim, vou referir-me às aulas que acabaram de encerrar, nos cursinhos preparatórios para o IFRN, PRÉ-VESTIBULARES e CONCURSOS.
Esta semana, destacada por marcar o encerramento de minhas atividades no ano de 2009, já estou sentindo a falta de alguma coisa que permeeou minha trajetória de fevereiro até agora. É como se alguma peça de um equipamento estivesse funcionando mal e precisasse ser trocada. E que, sem ela, o dispositivo não cumpriria sua função perfeitamente ou torna-se-ia sem muito valor. Resta-me o consolo de saber que é apenas um intervalo, uma situação temporária.
Isso reporta a tempos antigos. Especialmente, o período de Universidade, depois do qual passei a ficar lembrando de toda aquela cumplicidade que tinha com os colegas e alguns amigos; uma vez acabada, naquele âmbito, não mais existiria. Até hoje sonho que estou lá, junto a eles, em momentos únicos. Agora, na função de professor para cursos preparatórios, tenho essa mesma sensação que se renova a cada ano, aquele sentimento de não mais encontrar, reunidos no mesmo ambiente, os alunos que conosco conviveram quase 10 meses.
O que eu sinto, neste momento, é uma nostalgia que se formou em minúsculo espaço de tempo. Falo assim, porque normalmente o termo "nostalgia" é usado para lembrar de tempos muito antigos e, agora, pelo menos agora, eu sendo professor de Português, autorizo-me desviar o seu sentido por tão nobre razão. Já estou, sim, com muita saudade das aulas e das conversas, das dúvidas tiradas, das orientações, dos risos e dos conselhos. Situações que ficam e que jamais serão apagadas.
É isso que me move. Tenho dito: Professor é para sempre; aluno é para sempre, ainda que um ou outro possa não querer aceitar. No dia em que isso acabar em mim - e espero que nunca desapareça - não haverá motivos para que continue nessa trilha e assim, terá sido encerrado o meu ciclo. Deus ajude que isso demore muitos e muitos anos a acontecer.
Vou esperar por um ano de 2010 muito bom e que minha saga se prolongue. Desejo que tal ano inicie com muitas notícias de aprovações, para coroar todos os alunos que decidiram lutar para alcançar seus objetivos e, somente por isso, confirmarão os sonhos.
Um grande abraço.
Cassildo.

6 de dez. de 2009

O MUNDO ENQUANTO NÓS... (CASSILDO)

O mundo continua, enquanto paramos
O universo reage, se nós agimos,
A terra descansa, se não dormimos
O sol vem todo dia, ainda que não vejamos.
O mundo independe de nós.

As flores crescem, se não vivemos
As mentes viajam, se nós vagamos
O céu resplandece, se escurecemos
Os astros reluzem, se não brilhamos.
O mundo independe de nós.

O universo nunca está disperso
As estradas recebem os seus viajantes
Bandoleiros que não param jamais
E o mundo continua um só, enquanto nós.
O mundo independe de nós.

NO SEU UNIVERSO (CASSILDO)

Do mundo desligo-me.
Apago-me.
Fecho-me.
Sua presença basta
Para que eu viva,
Pelo menos nesse instante.
Estou desvinculado de tudo
O que pode ser normal,
Convencionais são minhas expressões
Abro-me em sua direção
Acordo-me no seu olhar
Conecto-me ao seu universo,
Nesses versos que ora inicio,
Intermedio e encerro

1 de dez. de 2009

MAIS QUESTÕES COMENTADAS - UFRN 2010

01. (UFRN 2010)
Na situação retratada pelo quadrinho, a resposta do interrogado
A) tem por objetivo despistar o delegado, cuja intenção é descobrir se o interlocutor mantém bom relacionamento com a família.
B) possibilita que o delegado atinja seu objetivo, ou seja, descobrir se também houve furto de confecções femininas.
C) comprova que a comunicação se realiza com sucesso, pois o interlocutor percebe a verdadeira pretensão do delegado.
D) surpreende e causa humor, devido ao fato de ele interpretar equivocadamente a pergunta que o delegado lhe faz.

REPOSTA: "D".
É uma questão que envolve elementos como subentendidos e intertextualidade. O efeito de humor é causado justamente pela interpretação errônea que o acusado faz. Quando o Delegado pergunta se ele "não pensou" na "mulher", na "filha", queria referir-se às conseqüências para a família do réu. Ele, numa situação que só provavelmente ocorreria numa piada, como é este caso, achou que se tratasse das peças de roupa destinadas a homens. Letra "A" descarta-se, pois a resposta não foi proposital, foi inocente; letra "B" também se descarta, pois não era intenção do Delegado definir roubo de peças masculinas ou femininas; letra "C" é totalmente equivocada, pois exatamente ao contrário, o processo comunicativo não ocorre com sucesso.

02. (UFRN 2010)
Pode-se subentender da fala do interrogado:
A) Ele sentia alguma frustração por ter sido a única pessoa beneficiada com a infração que praticara havia algumas horas.
B) Se houvesse peças femininas na loja, ele provavelmente teria pegado pelo menos uma, para a esposa ou para a filha.
C) Mesmo em situações consideradas de risco, ele costumava pensar primeiro nos familiares que em si mesmo.
D) Ele só assaltara a loja porque estava certo de que existiam confecções para pessoas de ambos os sexos.

RESPOSTA: "B".
A fala do interrogado, inclusive correlacionado-a à resposta da questão anterior, deixa claro que se houvesse peças do vestuário feminino, ele provavelmente as teria levado para mulher e/ou filha; letra "A" descarta-se, pois ele não parecia frustrado ou preocupado com alguma coisa; quanto à alternativa "C", não há indícios no texto de que ele pensava logo nos familiares do que em si mesmo; a letra "D", mais absurda de todas, porque o interrogado apenas se refere a peças femininas, condicionado pela pergunta do Delegado sobre a mulher e a filha.

30 de nov. de 2009

QUESTÕES COMENTADAS DA UFRN - VESTIBULAR 2010

Comento a seguir algumas questões da prova de Língua Portuguesa, da UFRN, realizada dia 23-11-2009 :

Questão 01 (UFRN 2010)
Leia o período abaixo.
Mal se congestiona o tráfego [...], o fagócito move-se [...].”
Nesse período, o conector Mal exprime noção de
A) tempo e admitiria, em seu lugar, a locução conjuntiva logo que.
B) tempo e seria correto substituí-lo pela locução conjuntiva visto que.
C) modo e é antônimo do advérbio bem.
D) modo e é homônimo do adjetivo mau.


RESPOSTA CLARA: "A". O vocábulo MAL pode atuar em três funções: como SUBSTANTIVO (antecedido de artigo: O MAL); como ADVÉRBIO (indicando modo, maneira, forma) e como CONJUNÇÃO TEMPORAL, indicando um tempo um intervalo breve de tempo entre duas situações. E, indicando TEMPO, como ocorre no caso acima, só poderia ser substituído por LOGO QUE. A expressão VISTO QUE, da alternativa "B", indica CAUSA e, por isso, descartava-se. Letras "C" e "D" seriam automaticamente desconsideradas, pois a palavra aqui analisada não indica MODO.

Questão 02 (UFRN 2010)
Assim como nas três situações que o fragmento apresenta (linhas 4, 6 e 7), o acento grave também está usado adequadamente na opção:
A) A loja onde Rogério trabalha só abre de terça à sábado.
B) A viagem à bordo de uma lancha foi muito cansativa.
C) O automóvel que Valéria comprou é movido à álcool.
D) O requerimento é semelhante àquele que foi indeferido.

RESPOSTA PRÁTICA: "D".
O acento indicativo de crase ou, simplesmente, ACENTO GRAVE, deve ser empregado sempre que houver a contração do A (preposição que sucede a palavra anterior) com outro A que antecede a palavra seguinte (ARTIGO FEMININO ou a primeira letra dos pronomes AQUELE, AQUELA, AQUILO). Assim, descartam-se diretamente as opções "A", "B" e "C" (nas três alternativas, respectivamente, SÁBADO, BORDO e ÁLCOOL são masculinas e não admitem o segundo A, que antecede as palavras femininas). A alternativa correta, "D", traz a preposição A do vocábulo SEMELHANTE ( Semelhante a quê?) seguida de outro A da palavra AQUELE e, portanto, emprega-se corretamente o Acento Grave.

Questão 03 (UFRN 2010)
Corresponde a uma forma desenvolvida da oração reduzida “
Atravessando-o certa tarde
[...]” (linha 5):
A) Certa tarde, a ponto de atravessá-lo.
B) Quando ia atravessá-lo, certa tarde.
C) Certa tarde, enquanto o atravessava.
D) Conquanto o atravessasse, certa tarde.

RESPOSTA SIMPLES: "C".
As orações reduzidas vêm sempre nas formas nominais (INFINITIVO, GERÚNDIO, PARTICÍPIO) e dispensam o uso dos conectivos (Quando, Porque, etc). O verbo deste caso específico encontra-se no GERÚNDIO que, normalmente, indica tempo. Descartam-se as alternativas "A" e "D", que podem significar nessa ordem, NA IMINÊNCIA DE e EMBORA, ou seja, não há temporalidade. Opta-se pela letra "C" porque o teor dá idéia de continuidade, a ação verbal já em processo, aspecto típico do Gerúndio, como em ATRAVESSANDO, enquanto que a letra "B" expressa uma temporalidade definida, sem progressão.

27 de nov. de 2009

CONTRARIEDADES HUMANAS

Cassildo
A vida nos ensina sempre a aprender as coisas mais agradáveis. Mesmo sabendo que no mundo acontecem eventos imprevistos, queremos sempre ter em mente que tudo um dia vai mudar. Será, entretanto, que estamos sendo parte dessa provável mudança? O paradoxo chamado Homem assusta tremendamente. Vivenciamos guerras, desastres naturais, desmandos sociais e, contraditoriamente, presenciamos campanhas para desarmamento, luta contra as drogas, contra doenças incuráveis. Testemunhamos os chefes de Estado procurando uma solução para que suas nações encontrem a paz, para que não morra mais ninguém, para que a fome seja digerida.
O mundo é uma rotação estranha, porque os cérebros pensantes não pensam nada e os chamados “loucos” no final estão sempre com a razão. Esses últimos são alvos de críticas e zombaria e o mais intrigante é que quando se consegue perceber a sua racionalidade, já é muito tarde porque não estão mais entre nós.
Talvez por essas e outras coisas é que o mundo nunca vai caminhar em unidade. São aproximadamente 6 bilhões de cabeças diferentes, cada uma com seus caprichos e orgulhos, com suas falhas e fraquezas, mas também com suas qualidades múltiplas. Falar de amor é ser careta, falar do ódio é oportuno e ser diferentemente repudiável é sinal de promoção e crescimento. Nesse sentido, a mídia tem alimentado intensamente a “cachola” humana no sentido de fazer as pessoas pensarem que a qualquer modo podem passar da água ao vinho e se tornarem estrelas.
Mas, o fato é que a busca por uma identidade tem sido cada vez mais acirrada, porque não se propõe a luta por coletividade. Tudo caminha para o único, para o uno, para o maior, nunca para o melhor. A quantidade sobrepõe a qualidade. Número é mais importante do que gesto, conta bancária é mais importante do que afeto e carro importado é mais viável do que pessoas. Refletir é brega e “endoidecer” é “manêro”.

Por mais que tentemos elaborar um quadro de como se acha a Humanidade hoje, vamos sempre esbarrar em questões simples, mas sem resposta. Essa resposta que as pessoas têm buscado não é a melhor solução para nada. Quando se busca algo sem conteúdo, é impossível que se tenha forma necessária ao apogeu da raça mais complicada do planeta: o bicho homem.

25 de nov. de 2009

COMENTANDO A PROVA DE REDAÇÃO DA UFRN

Muita gente tem contactado comigo, querendo saber algo sobre a prova de redação da UFRN. Não houve surpresas, pois foi cobrado um ARTIGO DE OPINIÃO, como no ano passado.

Isso significa que o aluno deveria escrever um texto opinativo, com argumentos, estrutura definida em INTRODUÇAO, DESENVOLVIMENTO e CONCLUSÃO e, de preferência, em primeira pessoa do singular ou plural, para diferenciá-lo da DISSERTAÇÃO-ARGUMENTATIVA. Na proposta pedia-se para não assinar e também foi exigido um título. Além dessas duas exigências, este ano estipularam o número de dois argumentos sobre os quais o posicionamento seria desenvolvido, ou seja, dois parágrafos.

Não houve maiores surpresas, a temática era abrangente e exigia do aluno a capacidade de relacioná-la a outros temas, como por exemplo, à segurança pública e à falta de privacidade.

23 de nov. de 2009

VESTIBULAR UFRN - 2º DIA: DE NOVO, UM ARTIGO.

Uma dúvida muito grande pairava na cabeça dos alunos que fariam a prova redação hoje, dia 23-11-2009. Será cobrado um artigo ou uma carta argumentativa? Como havíamos antecipado durante o ano nas aulas e, agora, na revisão de de véspera, o fato de o ano passado ter sido exigido um Artigo não impedia que ele fosse repetido esse ano. Não havia uma regra estipulando qual gênero textual seria pedido.
Para aqueles que temiam a carta, nesse aspecto houve alívio. Em relação ao tema, houve uma inovação, preferindo-se abordar a invasão de privacidade, a eterna vigilância que o contexto do mundo atual nos trouxe.
Na prova objetiva de Língua Portuguesa, nada de novidades. Utilizaram-se os textos literários tanto para a parte de Literatura quanto para a Gramática. O acento indicativo de crase foi objeto de uma questão, enquanto que parônimos/homônimos foram o objeto de outra. Na parte interpretativa, tirinha. Quantas vezes orientamos para que observassem bem esse gênero textual e outros correlatos como a charge e o cartum!
Em resumo, quem fez uma preparação correta, assistindo a todas as aulas só terá motivos para comemorar. Agora é esperar o resultado.
Boa sorte a todos. Amanhã ainda haverá as provas discursivas das disciplinas específicas.
Um abraço!
Cassildo.

20 de nov. de 2009

PASSAR NO VESTIBULAR É UMA ESCOLHA

Há muita gente aflita com o início do processo seletivo para o ensino superior, mais popularmente conhecido como Vestibular. A apreensão é plenamente justificada, principalmente se o candidato tem consciência daquilo que realizou durante todo o período de preparação. Passar no vestibular não é como numa loteria, ao contrário do que muitos pensam. É uma escolha, a qual depende das metas que cada um traçou para si.


Pois sim. O mundo em que vivemos é bastante impiedoso quanto às oportunidades. Não podemos perder tempo, achando que a qualquer momento a chance baterá à nossa porta, porque não é assim que acontece. No geral, as portas começam a abrir (ou pelo menos deveria ser assim) a partir do momento em que decidimos o que fazer da vida. E esse processo inicia com a escolha de uma área para qual prestaremos o vestibular.


O fato é que até chegarmos ao momento da seleção, toda uma estrutura deve-se ir construindo. A preparação - seja na escola ou nos cursinhos - deve ser encarada como uma coisa sagrada, devem-se renunciar muitos momentos que poderão ser retomados após o suposto sucesso. O comprometimento com as matérias, com as dúvidas, com os detalhes constitui a pré-aceitação do resultado positivo. A partir dali, você já começou a decidir: passarei no vestibular.

Então, àqueles que já fizeram sua pré-aceitação, só tenho a dizer, parabéns. Porque, se a aprovação é uma escolha e não uma conseqüência vaga, não é preciso ficar preocupado com o que virá. Sabemos, é claro, que o processo pode ser injusto em alguns casos, mas ele é especialmente desfavorável aos que não optaram pelo êxito. Não adiantará muito reclamar por aquilo a que não se fez jus e, por esse mesmo motivo, os previamente compromissados com tal sucesso, desejo abraçá-los com toda a felicidade do mundo, por terem escolhido o melhor caminho.

Um abraço a todos os vestibulandos que se submeterão às provas dos dias 22, 23 e 24.

Cassildo.

19 de nov. de 2009

ESTRUTURAS DE CARTA E ARTIGO - ÚLTIMA CHAMADA

Publico a seguir conteúdo sobre CARTA ARGUMENTATIVA e ARTIGO DE OPINIÃO. É o último antes do vestibular. Espero que possa ajudar na eliminação de algumas dúvidas antes do processo seletivo para o ensino superior. Esclareço que é um material em primeira mão, nos moldes do que será utilizado na Revisão de Véspera da Central de Cursos, domingo, dia 22 de novembro. Autorizo a reprodução, desde que seja para fins educacionais, não-lucrativos, não se admitindo, por exemplo, a edição em material impresso para comercialização.
Apreciem sem moderação.
Um abraço.

CARACTERÍSTICAS DO ARTIGO DE OPINIÃO

  • Características aproximam-se da DISSERTAÇÃO, principalmente na estrutura INTRODUÇÃO, DESENVOLVIMENTO e CONCLUSÃO e nas estratégias para defender um argumento;
  • Texto a ser publicado em JORNAL, REVISTA, SITE ou BLOG;
  • Opinião do autor (independente da linha do veículo de comunicação);
  • Geralmente se assina com PSEUDÔNIMO indicado pela organizadora do Vestibular (http://centraldasletras.blogspot.com/2008/08/o-que-pseudnimo.html);
  • Se não houver indicação de PSEUDÔNIMO, não se deve assinar o artigo;
  • Deve ser escrito em 1ª pessoa do singular ou plural, evitando-se os exageros.

CARACTERÍSTICAS DA CARTA-ARGUMENTATIVA

  • Texto de cunho ARGUMENTATIVO, em defesa de um posicionamento assumido;
  • Texto com leitor/destinatário específico, por isso deve haver referência ao receptor;
  • Adequação dos pronomes de tratamento;
  • Assinatura deverá ser com PSEUDÔNIMO indicado pela organizadora do Vestibular(http://centraldasletras.blogspot.com/2008/08/o-que-pseudnimo.html);
  • Geralmente, utiliza-se a 1ª pessoa do singular, levando em conta que é um documento mais individual do que a DISSERTAÇÃO-ARGUMENTATIVA.

EXEMPLO DE ARTIGO DE OPINIÃO

TERCEIRO MANDATO: DEMOCRACIA OU REGIME AUTORITÁRIO?

Por Cassildo Souza

Muito tem se falado a respeito de um terceiro mandato para o Presidente Lula. Crescem os rumores de que ele poderá concorrer, mais uma vez, ao cargo maior da Federação. Se isso realmente se concretizar, constituirá uma forma de democracia ou um passo para o autoritarismo?
Muitos são os que defendem a sua permanência no poder, tendo em vista o bom governo que, reconhecidamente, vem fazendo. A economia permanece estável, novos investimentos estão sendo feitos no País e a maioria da população recebe ajuda financeira, por meio de programas sociais criados no governo FHC e reformulados na gestão de Lula. Por isso, a avaliação do segundo mandato alcança números bastante expressivos e não deixa de ser um dos principais fatores que reforçam o desejo de continuar exercendo o cargo.
As opiniões em contrário alegam que a possibilidade de prorrogação do mandato, através de nova eleição, contribuiria para alimentar o autoritarismo fazendo lembrar o regime ditatorial, cujos Presidentes sempre acabavam encontrando um dispositivo para permanecerem no poder mais tempo que o previsto. FHC, forte opositor de Lula, é um desses expoentes contrários à mudança. Para ele, não tem lógica Lula dizer que oito anos é pouco para se fazer o que deseja, pois criticara muito os dois mandatos do representante do PSDB, alegando que ele teve a oportunidade de fazer as reformas necessárias.
Então, qual seria o posicionamento coerente da população, já que os críticos da política brasileira comungam de opiniões diferentes, nos deixando ainda mais confusos? Trata-se de um assunto muito complexo. Precisamos atentar para o fato de que o povo, com o devido esclarecimento, poderá decidir pela continuidade ou não do Chefe do Executivo Nacional. Entendo que, mesmo Lula podendo concorrer ao terceiro mandato, só o ocupará se nós decidirmos assim. E nesse ponto, não podemos falar em excesso de autoridade; há democracia pura. O voto contrário assiste a quem discorda dessa possibilidade, optando por renovar os destinos da sociedade, caso, a seu juízo, se faça necessário.

EXEMPLO DE CARTA-ARGUMENTATIVA


Gravilândia, GV, 25 de dezembro de 2003.


Querida filha,Tenho-a criado da melhor maneira que um pai poderia fazer, considerando as condições por que sempre passamos no decorrer de nossas vidas. Apesar das dificuldades, nunca deixei de lhe dar o melhor de mim, procurei educá-la pensando em garantir um futuro digno para você e futuros descendentes. Entretanto, algumas de suas atitudes têm me incomodado um pouco ultimamente.

Sem querer bancar um pai “careta”, tenho me preocupado muito sobre a maneira como tem encarado as coisas em sua volta. Depois que conheceu aquele seu namorado, você virou a cabeça, jogou tudo para o alto e passou a cometer algumas imprudências: a maior delas, a falta de cuidados na prevenção de doenças ou de uma possível gravidez indesejada. Isso me deixa perplexo, principalmente pelas informações que você teve oportunidade de adquirir esses anos, o que naturalmente exigiria uma atitude totalmente diferente.

Lembre-se, não sou contra a sua maternidade. Aliás, considero o maior privilégio que uma mulher pode ter. Apenas não quero, caso isso venha a se concretizar prematuramente, vê-la desesperada pelos cantos, sem saber como agir pelo fato de não tê-la planejado. Vivemos num mundo recheado de mecanismos que ajudam a prevenir a gravidez, temos camisinha como o método mais conhecido, além de outros que você certamente os conhece. Por isso, peço-lhe que reflita um pouco sobre suas atitudes, você ainda nem concluiu o Ensino Médio, lembra? E o vestibular, o seu sonho de ser jornalista, de brigar pelos direitos dos mais fracos, como sempre dizia almejar quando era criança? Deixou-os de lado? Creio que não.

Filha, às vezes os sonhos podem ser interrompidos por falta de consciência. E é isso que lhe peço como alguém que a ama desde os seus primeiros passos, desde a época em que ainda segurava em sua mão para que andasse sem riscos de cair. Tome mais cuidado, previna-se; não jogue fora os seus anseios, as suas vontades, o seu futuro. Una o útil ao agradável. Divirta-se, sim, mas com prudência. E quanto ao resto, pode contar comigo e com a sua mãe, você sabe que estamos sempre prontos para dizer uma palavra de conforto, de apoio, de amor. Aquele amor insubstituível, que sentimos em nossos corações por essa linda menina que, num piscar de olhos, já virou mulher.

De seu pai que a ama profundamente,

Metódio Contraceptus

12 de nov. de 2009

QUESTÕES RESOLVIDAS - EVOLUÇÃO - 11.11.2009

AS DUAS QUESTÕES SEGUINTES FORAM RESOLVIDAS NA AULA DO CURSINHO "EVOLUÇÃO", EM 11.11.2009, E DIZEM RESPEITO AO ACENTO INDICATIVO DA CRASE:

01 (44). (UFPR) Em qual alternativa o vocábulo a deve receber acento grave?
a) pintou o quadro a óleo. b) Fomos a uma aldeia.
c) Dirigiram-se a Vossa Excelência. d) Voltou a casa paterna.
e) Começou a chover.

RESPOSTA: "D". Consideremos que a crase é fenômeno fonológico (sonoro) que representa a fusão de a (preposição) + a (artigo ou primeira letra dos pronomes aquele, aquela e aquilo). Assim, descarta-se a letra "A", pois óleo é masculino; na letra "B", temos preposição a + artigo indefinido uma, também descartando a possibilidade de crase; letra "C", crase proibida diante de pronomes de tratamento; letra "E", crase proibida diante de verbos. Na alternativa que corresponde à resposta (D) temos preposição a, que complementa voltou, mais artigo a exigido pela expressão "casa paterna" (diante dos substantivos casa e terra, só há crase se ambos estiverem especificados).

02(45).UFPR) Em qual das frases o a não deve receber acento grave?
a) Todos se referiam à casa de João. b) Todos aspiravam à posição de João.
c) Todos visavam à exaltação de João. d) Todos se dirigiram à casa de João.
e) Todos pretendiam à amizade de João.

RESPOSTA: "E". A crase presume regência com preposição a em relação ao vocábulo anterior. Isso ocorre em todas as alternativas até a letra "D"; letra "A", "Todos se referiam a + a casa de João (substantivo casa especificado exige artigo a), portanto recebe crase; letra "B", "Todos aspiravam a a posição de João (Aspirar, no sentido de pretender, rege preposição a), portanto, exige crase; letra "C", mesmo caso da anterior; letra "D", idem; na letra "E", o verbo pretender não rege preposição, pois é transitivo direto: "Todos pretendiam a (artigo) amizade de João".

Temos que entender crase como um conteúdo intimamente ligado a regência verbo-nominal. Se a palavra anterior traz a preposição a e a seguinte, o artigo a, certamente haverá crase, salvo nos casos em exceção como substantivos terra e casa.

Espero que tenham compreendido.

Um abraço.

Cassildo.

11 de nov. de 2009

SISTEMA DE BUSCA DO BLOG

Adicionei, no presente blog, um sistema de busca (parte superior direita), que permite ao leitor pesquisar qualquer assunto que lhe interessa, postado em mensagens antigas, desde a criação do site. Se, por exemplo, alguém quer um modelo de artigo de opinião, basta escrever a expressão "ARTIGO DE OPINIÃO", que são disponibilizados os locais onde se aborda tal conteúdo, com a opção de acessá-los em página extra, não se saindo da página inicial. Tal ferramenta facilitará muito a pesquisa dos pensam encontrar aqui o que tanto procuram.

Um abraço.

Cassildo

10 de nov. de 2009

Salve-se quem puder (Cassildo Souza)

Salve-se quem puder,
Se é que alguém pode sair
Dessa selva de pedra,
De espinhos, de escuridão.

Viva, quem estiver
Alheio ao que está por vir.
Numa vida sem meta
Ninguém pode prosseguir.

Emaranhado de coisas estranhas
Incríveis desandos,
Mudanças tamanhas,
Tremendos abismos, milhões de ismos
Cegueira, miopia, estrabismo.

Água e fogo se juntaram há tempos
Não se consegue distinguir
Bons e maus momentos
Não há parâmetros que definam a luz da escuridão
Não há diferença entre problema e solução.

9 de nov. de 2009

SER CONTRA, A FAVOR OU FICAR NEUTRO?


Uma das dúvidas maiores dos alunos que prestarão vestibular, no momento da redação, é o posicionamento a ser assumido. Alguém já me perguntou: "professor, se eu for contra, posso, ainda assim, expor os pontos favoráveis?"


Respondo no ato: "Pode".


O fato de o aluno ser favorável a determinado posicionamento, não o exclui de reconhecer pontos negativos ou contrários àquilo que defende. Todas as propostas de redação tratam de temas polêmicos, e usualmente essas temáticas apresentam idéias controversas. Do mesmo modo, se alguém está posicionando-se contra determinada atitude, também não se pode recriminar o reconhecimento aos aspectos positivos. Ou seja, o importante é que no final do texto, especificamente na conclusão, haja uma clareza. Após tudo que foi debatido, aprofundado ou argumentado, é preciso estabelecer uma definição.


Tanto é assim, que hoje as propostas de redação - por exemplo, as da UFRN - trazem uma terceira opção, a da OPINIÃO PARCIAL. Isso também não significa que o aluno deva "ficar em cima do muro". É que, escolhendo tal opção, ele poderá ser CONTRA ou a FAVOR, mas deverá abordar os pontos controversos no texto, reconhecendo haver pontos aceitáveis que não sejam somente aqueles de sua opinião.


Então, ao posicionar-se A FAVOR DO ABORTO, o aluno que escolher a opção PARCIAL, deverá reconhecer os pontos negativos também; de mesma maneira, ao optar pelo posicionamento PARCIAL, o candidato CONTRA A LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS também deverá reconhecer os pontos positivos caso isso viesse a se concretizar.


Por essas razões, sempre que houver três opções: CONTRA / A FAVOR / PARCIALMENTE ou EM PARTE, a melhor estratégia é escolher a terceira, pois é improvável que algum tema só apresente pontos unicamente POSITIVOS ou unicamente NEGATIVOS.


Caso a proposta de redação traga somente duas opções - CONTRA ou A FAVOR - isso também não impede de abordar pontos FAVORÁVEIS e CONTRÁRIOS, desde que fique clara a sua posição FINAL.


Por ora, é isso. Quem sabe eu não poste mais alguma coisa até o fim do dia.


Cassildo.

3 de nov. de 2009

Apologia às artes (Cassildo Souza)

Onde posso vou
Buscar a afirmação num firme chão
Pisar as trilhas tortuosas sem aflição
Afeição que eu procuro
No muro de uma canção-poesia, solução
Para a tristeza da alma.
Seguindo as cores de uma sinestesia melódica
Banho as minhas impressões sentimentais
Renovo o viver por entre as artes
Numa plástica emoção de comover-me
Com criações, ilusões, realidades provisórias
Entreabertas diante de minha face.
Assumo identidades esfaceladas do real
Enquanto exploro a última gota de
Sensibilidade leitora que possuo
Para contemplar a genuinidade intelectual
Disposta pelos personagens da imaginação.